sexta-feira, 21 de novembro de 2008
ladoB #200
Está disponível desde hoje (podcast/download) a emissão nº 200 do programa «ladoB» de Pedro Esteves.Uma emissão especial e com vários convidados:
Telma Esteves (produção e apresentação); Ricardo Mariano («Pulsar»); Pedro Marques Pereira (Projecto Fuga); Ana Bravo (voz off); Sara Spade; Francisco Mateus («Linhas Cruzadas»); Scott Levesque (Wheat); Daniel Esch.
Falar do programa «ladoB» é falar inevitavelmente do seu autor, Pedro Esteves. Estamos todos aqui hoje a celebrar as duzentas emissões, a dar os parabéns a um espaço que desde 2004 nos tem trazido novos sons aos nossos ouvidos. E falar da importância do programa «ladoB» é falar também da importância que um espaço destes tem no actual panorama da Rádio que se pratica em Portugal, um panorama muito redutor - muito fraco - nas propostas musicais que apresenta. Todos nós temos a ganhar com o «ladoB» porque são espaços sonoros assim que nos trazem o novo e a novidade.
«ladoB» é divulgação e é descoberta!
Para mim é um privilégio ser ouvinte e colaborador do «ladoB». Colaborador desde Janeiro de 2006 com a crónica mensal «Linhas Cruzadas». Nessa primeira participação minha no «ladoB» trouxe ao programa uma das canções (On Some Faraway Beach) do primeiro álbum a solo de Brian Eno [Here Come The Warm Jets] e é com essa mesma canção que dou os parabéns ao companheiro da Rádio e amigo Pedro Esteves, renovando também os votos de muita força e coragem para continuar o «ladoB» por muito mais tempo.
A beleza de uma praia pode ser o paraíso de uma vida ou o inferno de muitas outrasBrian Eno – “On Some Faraway Beach” [Here Come The Warm Jets] 1973
Mais sobre «ladoB» e Pedro Esteves na «Rádio Crítica»:
ladoB (05.Maio.2005); Entrevista (11.Fevereiro.2006)
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
nº 100

Está desde este fim-de-semana disponível online e em podcast a edição número 100 do programa «ladoB».
Nesta emissão, o autor Pedro Esteves convidou Nelson Monteiro, um amigo e ex-radialista, para uma conversa sobre música mas, principalmente, sobre Rádio e o fenómeno Podcast. É mais uma conversa a ouvir com atenção por parte de todos os que se interessam por estas questões, onde se fala abertamente do rumo de mudança acelerado que se assiste no mundo da radiodifusão e dos novos formatos áudio proporcionados pelas novas tecnologias. Passado, presente e futuro numa emissão especial que ultrapassa o habitual formato do «ladoB», quer na duração (mais de uma hora e meia), quer na paisagem sonora, esta de livre e total escolha do convidado Nelson Monteiro. A conversa é imperdível, a música depende dos gostos de quem ouve.
O lema «Novos sons para novos ouvidos» chega assim à centena e vai continuar. Mais 100? Claro que sim!
Mais sobre Pedro Esteves e o programa «ladoB» na «Rádio Crítica»:
05/Maio/2005; 09/Maio/2005; 11/Fevereiro/2006.
sábado, 11 de fevereiro de 2006
Entrevista a PEDRO ESTEVES

O programa "lado B", da autoria de Pedro Esteves, insere-se numa série de emissões que encontram espaço em rádios locais (ou regionais, se ocupam mais que uma frequência), onde é menor a miríade de obstáculos à realização de rádio em nome próprio. Mal remunerados ou mesmo não remunerados, os espaços de autoria em rádios locais espalhadas pelo país, vão do melhor ao pior. As rádios e os programas. Mas também há os de eleição, merecedores de maiores palcos. O "lado B" faz parte destes.
Em Maio de 2005 publiquei aqui um texto sobre o programa “lado B” por altura do primeiro aniversário do programa de Pedro Esteves. Agora a entrevista, quando o Podcast já é uma realidade consumada para este programa de rádio.
Como e quando aderiste ao Podcast?
Aderi ao Podcast em meados de Agosto do ano passado, imediatamente após me ter apercebido da sua existência e das suas potencialidades. Não foi um processo fácil. Demorei algum tempo a perceber como funcionava, sobretudo a criação dos “feeds” (rss), que são a base da actualização automática de ficheiros. Antes disso, o “lado B” existia já online, para download directo.
Achas que é uma ameaça à rádio tradicional ou é apenas uma mais valia como foi o aparecimento da Internet?
Ambas as coisas. Este fenómeno, ainda incipiente em Portugal, vai obrigar a rádio a mudar. É portanto uma ameaça porque a vai obrigar a mudar, o que, tendo em conta o actual panorama, é bom.
Panorama actual...o que te parece o "panorama actual"?
Miserável. As rádios são todas iguais. As pessoas vão perceber que não vale a pena ouvir uma playlist feita por outros quando a música está aí, na Internet, e que podem escolher a gosto as suas músicas preferidas. A música, que passa actualmente nas nossas rádios generalistas, chega primeiro à Internet. A rádio vai ter de se adaptar a esta realidade.
As playlists são um mal necessário? Um mal necessário para as rádios, isto é, uma espécie de concessão ou uma necessidade para a viabilidade económica por via das audiências?
Excluindo os programas de autor que, julgo eu, vão regressar, deve haver uma linha orientadora, que deve servir para definir a imagem sonora da estação. Não deve é ser estanque. Como está, é limitativa, em todos os aspectos. E quem mais perde, como sempre, são os ouvintes. É uma concessão. Serve interesses, também económicos.
Mas voltemos ao Podcast: até onde achas que vai ter este fenómeno?
Não tenho uma ideia concreta. Acho que vai crescer muito, a maioria de fraca qualidade, e depois, naturalmente, o público irá separar o trigo do joio. As rádios vão aderir ao fenómeno, porque será uma forma de fazer chegar os seus conteúdos. E da produção caseira, irão surgir talvez, novos animadores para a rádio. Também é possível que a rádio venha a emitir nas suas grelhas, programas que na sua génese são Podcasts.
O Podcast é a salvação para os autores?
O “lado B” é, de raiz, um programa de rádio, que se serve da Internet para chegar a mais gente, e mais longe. O fecho anunciado da Rádio Ocidente não vai matar o "lado B". Ele sobrevive, porque existe a Internet. A produção de programas com emissão via Podcast é talvez uma forma de os "não autores" da rádio – porque as rádios são cada vez mais espaços fechados, onde os animadores nunca são realizadores – produzirem conteúdos do seu interesse, à sua maneira.
Mas gostarias que o "lado B" continuasse no éter?
Sim, teria todo o interesse, mas não é fundamental.
Coloco a pergunta ao contrário: que interesse poderá haver em ter um programa numa estação de rádio se via Internet pode chegar mais longe e a mais gente?
Boa pergunta! No caso do "lado B", tem interesse porque ele, na sua origem, é um espaço de autor que pretende mostrar uma "alternativa" ao panorama de estagnação musical actual nas rádios. Na Internet isto não se verifica com a mesma amplitude.
Não se verifica "ainda" ou não se verificará de todo?
Não sei. O utilizador português é jovem, curioso, dado a novidades, e elas estão aí, na Internet. Se quer ou procura o “comercial”, o óbvio, o imediato, o caminho mais fácil é ligar o rádio.
És ouvinte de rádio?
Cada vez menos.
Quando começaste a ouvir e o quê?
Comecei a ouvir rádio na adolescência, fascinado com o seu potencial de comunicação. Comecei pelas estações de onda média, pela Renascença, pelo António Sala e companhia, pela voz e pela palavra (era o que a minha mãe ouvia). Mais tarde descobri o FM, a Rádio Comercial, o António Sérgio, o Luís Filipe Barros. Foi esse o "gatilho" que me levou para a rádio, ainda miúdo, aos 13 ou 14 anos, no tempo das rádios piratas.
Tens saudades desses tempos das piratas?
Sim, na medida em que eram tempos de grande liberdade. Tempos que os Podcasts de hoje me fazem lembrar, curiosamente. Embora para mim seja hoje impensável fazer rádio nesses moldes.
Vive-se o mesmo espírito?
Sim, no sentido da liberdade. Quando fazes o que te apetece sem ter de dar satisfações a ninguém, isso é liberdade.
Podcast “igual” a rádios piratas?
Julgo que sim, "ainda".
O "lado B" é o "teu" programa ou o programa "possível"?
Até ver é o meu programa. É um espaço dinâmico, em crescimento. E eu a crescer com ele.
No início deste ano começaste a introduzir novos conteúdos no programa, tornando-o mais dinâmico. Podes desvendar algo mais sobre isso?
Decidi convidar alguns amigos ligados também ao mundo da rádio para produzir conteúdos (sempre relacionados com música). Acho que enriquece o programa. Não sou o único a ter coisas para dizer, e outras vozes no "lado B" confere-lhe outro dinamismo. São um complemento.
Da pouca rádio que actualmente ouves, o que é que não perdes de ouvido?
Um ou outro programa de autor. O “mq3” e o “Coyote” na Antena 3, bem como alguns conteúdos informativos, nomeadamente da TSF. Raramente oiço emissão de continuidade. Oiço por vezes a Radar e a Oxigénio.
E os radialistas que mais gostas, quais são?
Aí está uma pergunta difícil. Quase não existem radialistas. Somos "papagaios" dos outros.
Mas o Miguel Quintão e o Álvaro Costa são uma dupla fantástica, e a Mónica Mendes, uma excelente comunicadora. Há depois bons jornalistas na rádio a produzir conteúdos de grande qualidade.
Simultaneamente animas espaços de continuidade na TSF desde Agosto de 2004. O que dizes dessa experiência?
Tem sido muito enriquecedora. É uma rádio diferente dos formatos a que estava habituado, mas com uma dinâmica muito interessante. Aprende-se muito ali.
O que te parece esta nova lei das quotas de música portuguesa nas rádios?
Parece-me uma idiotice que só visa proteger os lóbies da industria nacional, ou seja, um punhado de artistas que, na maioria, é medíocre em termos de qualidade. O que provavelmente vai fazer prova desta ideia é o facto de muitos bons artistas lusos continuarem "obscuros" no mercado e nas playlists das rádios, se não mesmo, excluídos!
Terminamos como começámos, falando de Podcast. No teu blogue tens uma ligação para esclarecer dúvidas sobre Podcast. Para quem se inicia no processo, o que mais aconselharias?
Aconselharia a pôr ideias em prática. Mais do que questões técnicas, o que faz falta são ideias e conteúdos.
Tens tido bom feedback do programa através da Internet e do Podcast?
Sim, bastante bom. Aliás, devo dizer que o feedback que tenho recebido deriva da audição via Internet. O que é um estímulo para continuar.
lado B
Rádio Ocidente (88.0 FM)
Sábado p/Domingo (00:00/01:00)
Repetição Domingo (19:00/20:00)
Blogue: http://web.mac.com/pedroesteves/iWeb/ladob
Blogue arquivo: http://ladob-arquivo.blogspot.com/
Podcast: http://ladob.libsyn.com/rss
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MAIS PODCAST 2006
Em 2005 a palavra Podcast entrou em definitivo no vocabulário da Internet e no mundo da rádio, não tanto por ser Rádio, mas por poder ameaçar ou favorecer a rádio.
Eu sou daqueles que acreditam que pode favorecer mais do que prejudicar, mas é preciso que a rádio não perca o comboio que está em andamento acelerado.
O Podcasting não é o fim da rádio. É mais uma opção Rádio, com todas as possibilidades de ser mais interessante e estimulante que a rádio tradicional em determinados conteúdos.
P.S: A minha estreia no Podcast aconteceu em Janeiro deste novo ano. Uma curta crónica (“Linhas Cruzadas”) mensal, de cariz musical, no programa “lado B” de Pedro Esteves. Um gentil convite que não quis recusar. Ao autor do programa, públicos e devidos agradecimentos.
Mais: Está disponível na Internet um programa de rádio sobre Rádio.
É no link “Como No Cinema”. Nestes endereços:
http://pwp.netcabo.pt/radiozero/
http://www.radio-zero.blogspot.com/
Francisco Mateus
domingo, 30 de novembro de 2008
bit X 2

Firmino Pereira, mais conhecido por Zito C., é o autor de «bitsounds», o podcast musical que hoje mesmo completa dois anos de edições e está de parabéns pela qualidade e continuidade. «bitsounds» já chegou ao mundo da webradio [Rádio Zero] e vai na edição nº 74. Mas, até ao dia de hoje, há um percurso que vamos agora conhecer na última das entrevistas que desde Fevereiro de 2006 foram sendo aqui publicadas aos podcasters que viriam a formar o núcleo fundador da recentemente inaugurada «Irmandade do Éter».
Mais do que a viagem a uma caixa de música avariada, vamos ficar a saber melhor quem é Firmino Pereira/Zito C., o que pensa e o que tem a dizer sobre Rádio, Música e Podcast.
Entrevista a ZITO C.
Quando aderiste ao Podcast? Como surgiu a ideia?
O primeiro «bitsound» nasceu a 30 de Novembro de 2006, e ainda com muito pouco conhecimento sobre podcasts. A ideia era muito simples, deixo a 'declaração de intenções' publicada na época:
"A experiência de gravar um podcast é semelhante à gravação de uma cassete com a compilação daquelas músicas que gostamos muito e que gostamos de partilhar. A diferença é que as cassetes eram direccionadas para alguém em particular, o podcast não tem público-alvo definido, é para quem o encontre e tenha interesse em ouvi-lo."
Achas que o podcast é uma ameaça à rádio tradicional ou é apenas uma mais valia como foi o aparecimento da Internet?
Não considero que exista qualquer tipo de ameaça, como em quase todas as novas tecnologias, temos que saber tirar o melhor proveito delas. As rádios ditas tradicionais têm sabido tirar o devido proveito desta nova tecnologia ao colocarem já muitos programas no formato podcast. E um podcast serve para muito mais que substituir programas de rádio, é um meio de difusão sonora que cada um pode utilizar a seu belo prazer.
Como vês o panorama actual das rádios em Portugal?
Ainda me considero órfão da extinta XFM. Foi a primeira vez que me identifiquei com uma rádio, com o seu conceito, com os seus objectivos, com quase toda a música, e essencialmente com a forma de fazer rádio. Foi com a XFM que conheci alguma da melhor música que ainda hoje gosto, e foi com a XFM que abri horizontes para tantos novos sons. Depois da XFM virei-me para a TSF, pelas notícias, pelos excelentes programas de autor. Com a mudança que ocorreu na TSF apenas continuo a ouvi-la quando se muda de hora. A Radar tem muitos programas interessantes que acompanho menos do que gostava.
As playlists são um mal necessário? Um mal necessário para as rádios para a viabilidade económica por via das audiências?
Não gosto nada de playlists, aceito a justificação da “viabilidade económica” sem no entanto compreender que à sua conta se deixem cair ou limitem excelentes programas de autor. Uma das vantagens dos podcasts é a liberdade total do seu criador.
O que pensas sobre a actual lei das quotas de música portuguesa na Rádio?
Não consigo perceber como se pode impor a uma rádio privada que passe determinado tipo de música, deve ser uma opção de cada uma. E será que alguém cumpre? Alguém fiscaliza? E se uma rádio não cumprir?
Voltando ao podcast: até onde achas que vai ter este fenómeno?
É apenas mais um meio de divulgação/difusão sonora. Veio para ficar e para conviver pacificamente com a rádio.
O podcast é a salvação para os autores?
O podcast, tal como a webradio, alarga e muito os potenciais ouvintes, e pode ajudar alguns autores/programas que não encontrem espaço na rádio tradicional.
«bitsounds» está na webradio Rádio Zero. Gostarias que o programa «bitsounds» encontrasse espaço numa rádio com maior dimensão?
Nunca vi o «bitsounds» como um programa de rádio, nem nunca tive qualquer pretensão a.
A ideia da Rádio Zero partiu do Pedro Esteves [lado B], que achou por bem recomendar-me ao pessoal da Zero, eles fizeram o convite, eu aceitei. Muito sinceramente não acho que seja um “programa” que justifique passar noutro tipo de rádio.
És ouvinte de rádio? Quando começaste a ouvir e o quê?
Actualmente ouço muito pouca rádio, e aí talvez a culpa seja dos podcasts e dos leitores de mp3. Ouço essencialmente notícias (TSF), e alguns programas de autor da Radar e da TSF.
Ouvir rádio sem ser como ruído de fundo comecei por voltas dos 13/14 anos. Culpa da «Íntima Fracção» do Francisco Amaral. Lembro-me que passava já tarde, e que gravava em cassete para ouvir durante o resto da semana, e para tentar descobrir os nomes que por lá passavam.
Da rádio que actualmente ouves, o que é que não perdes de ouvido?
Como disse ouço cada vez menos música na rádio, dou apenas alguma atenção aos seguintes programas da Radar: «Álbum de Família»; «Discos Voadores»; «S.O.S. Radar» e «Vidro Azul». Os programas que mais gosto na rádio são todos da TSF: «Pessoal... e Transmissível»; «Terra-a-Terra» e «Cais da Matinha».
Quais são os radialistas que mais gostas?
Naturalmente os programas que sigo têm os radialistas que mais gosto: Carlos Vaz Marques e Fernando Alves. Gostaria também de referir os radialistas que melhor sabem "dar música": António Sérgio; Pedro Esteves; Ricardo Mariano; Tiago Castro e Nuno Galopim. Uma nota especial para o excelente trabalho de sonoplastia de Mésicles Helin [da TSF].
Chegaste a ser ouvinte das Rádios piratas?
O mundo das rádios piratas passou-me um pouco ao lado...
Tens tido bom feedback do programa através da Internet e do Podcast?
O feedback que recebo é maioritariamente positivo, naturalmente nestas coisas da Internet quem não gosta vai embora sem deixar feedback.
Queres continuar a estar presente na rádio?
O «bitsounds» é um podcast que passa no éter virtual da Rádio Zero.
Penso continuar neste formato.
O que pensas do actual panorama radiofónico em Portugal?
Por cá há alguns programas muito bons, e rádios que tentam manter-se num mercado altamente competitivo. Como nos outros meios de comunicação social a competitividade nem sempre favorece a qualidade. O que menos gosto na maioria das rádios ditas comerciais é a falta de atenção que se dá à música. Mesmo em formato playlist as escolhas podiam ser mais interessantes, não arriscam nada, preferem dar às pessoas o que estas já conhecem.
Em tua opinião, qual seria/será a saída ou a salvação para a actual rádio tradicional?
A Rádio tem que se adaptar à constante mudança tecnológica. O desafio é partilhado com jornais e mesmo a televisão. Saber o quem, quando e como se ouve Rádio é fundamental, e principalmente não ignorar as novas tecnologias, antes saber tirar o máximo partido delas para chegar a cada vez mais ouvintes.
Já pensaste em dar voz – viva voz – às edições de «bitsounds »? Fazer a apresentação do alinhamento, por exemplo, como se fosse um programa de Rádio?
A questão da voz nunca foi equacionada para o «bitsounds», o formato não ajuda. A composição do «bitsounds» faz-se de muitos cortes e colagens de sons, sempre em camadas. O alinhamento que tento dar em texto escrito não é fiável, serve como referência. Com o «bitsounds» no alinhamento da Rádio Zero vou dando algumas pistas - em voz viva - sobre o que se vai passar no programa, e por agora fico-me por aqui. A voz masculina que apareceu algumas vezes, poucas, é minha.
De quem é a voz feminina no marcador de cada emissão de «bitsounds»?
A voz feminina é da Lara Ribeiro, uma “descoberta” do “caça-talentos” Pedro 'B' Esteves.
A música portuguesa ou em português está fora de «bitsounds». Alguma razão especial para isso ou é mera questão estética?
A falta de música portuguesa no «bitsounds» deve-se exclusivamente ao meu pouco, e lamentável, eu sei, conhecimento da música que se faz por cá. E ainda para pior, pelo «bitsounds» passa música de tantos e tantos países... um ponto a melhorar no futuro.
«Beating The Pearls» é um outro podcast ao qual estás ligado. O que é realmente?
O conceito do «Beating The Pearls» é simples: permitir que convidados façam um podcast, onde lhes é proposto:
"partilhar músicas esquecidas por muitos, desconhecidas por outros tantos, músicas fora de tempo, músicas gravadas na memória para sempre que necessitam de ser libertadas, que merecem voltar..."
Eu dou apoio técnico sempre que necessário.
«bitsounds»: http://bitsounds.blogspot.com/
«bitsounds» na Rádio Zero: 3ª feira (18:00/19:00):
http://www.radiozero.pt/programs/bit-sounds/
Mais sobre «bitsounds» na «Rádio Crítica: (17.Março.2008)
Outras entrevistas na «Rádio Crítica»:
Pedro Esteves (ladoB) 11.Fevereiro.2006
Ricardo Mariano (Vidro Azul) 18.Fevereiro.2006
Francisco Amaral (Íntima Fracção) 25.Fevereiro.2006
Nídio Amado ([percepções]; O Cubo) 07.Março.2006
Hugo Pinto (Miss Tapes) 17.Novembro.2008
domingo, 2 de setembro de 2007
Coisas do Verão 2007 (1)
Some Velvet Morning
Breve homenagem a Lee Hazlewood (09.Julho.1929- 04.Agosto.2007) nas «Linhas Cruzadas» do programa «ladoB» nº142. Já disponível em formato podcast e para download.
Some velvet mornin' when I'm straight I'm gonna open up your gate And maybe tell you 'bout Phaedra And how she gave me life And how she made it end Some velvet mornin' when I'm straight
Flowers growing on a hill, dragonflies and daffodils Learn from us very much, look at us but do not touch Phaedra is my name
(...)
Flowers are the things we know, secrets are the things we grow Learn from us very much, look at us but do not touch Phaedra is my name
Some velvet mornin' when I'm straight Flowers growing on a hill I'm gonna open up your gate dragonflies and daffodils And maybe tell you 'bout Phaedra Learn from us very much And how she gave me life look at us but do not touch And how she made it end
Phaedra is my name
Mais sobre Lee Hazlewood por Francisco Amaral no blogue «Íntima Fracção».
sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
PODCAST 2006
Quando as rádios tradicionais entrarem em velocidade cruzeiro nos conteúdos fornecidos em Podcast, partindo do princípio que isso vai mesmo acontecer, restará aos Podcasters privados (caseiros) a capacidade de serem alternativa, através dos programas de autor. Serão os programas de autor - são-no já - a primeira e mais valia do Podcast. Nestes anos de estagnação de criatividade, diversidade e investimento quase nulo em programas em nome próprio, o Podcast é a estrada que se abre para além do beco sem saída a que se chegou. Não é difícil imaginar que, assim como alguns blogues chegaram à literatura, aos jornais, diversas publicações e à televisão, haverá programas de autor em Podcast a chegarem à rádio tradicional. Até aí, o Podcast será uma complementaridade à rádio. Mas a velocidade dos acontecimentos pode até ultrapassar essa etapa e saltar-se imediatamente a seguir para uma outra coisa qualquer e indefinida...talvez a criação de uma central de programação em Podcast que os distribua em tempo real através da Internet sem prejuízo dos descarregamentos e subscrições. Essa central de conteúdos poderá captar publicidade, auto sustentar-se através das receitas e assim tornar obsoleto o conceito actual de rádio tradicional com estúdios próprios, edifício sede, etc. Esta sim, é uma ameaça à rádio nos moldes como a conhecemos hoje. Mas como se diz à boca pequena, quando se fecha uma porta, abre-se uma janela. Inevitável?
Pessoalmente, encaro o fenómeno Podcast como uma oportunidade para os profissionais de rádio poderem desenvolver trabalho em nome próprio que, por razões várias, não podem desenvolver nas estações tradicionais em que trabalham. Nesse sentido, o desafio é altamente estimulante. Assim o queiram e saibam aproveitar.
Francisco Mateus
P.S: Já agora: não se arranja um termo em português para este fenómeno? Aceitam-se sugestões.
Para acabar de vez com 2005
O melhor do Podcast Português:
Lado B
http://programaladob.blogspot.com/
http://ladob.libsyn.com/rss
autor: Pedro Esteves
Ruclub
http://www.ruc.pt/
http://ruclub.blogspot.com/
http://ruclub.libsyn.com/ http://ruclub.libsyn.com/rss
autor: Paulo Santos
Íntima Fracção
http://www.ruc.pt/
http://www.intima.blogspot.com/
http://www.esec.pt/radio/programas/intimafraccao/if.html
http://www.gavezdois.com/
autor: Francisco Amaral
Percepções
http://www.rum.pt/
http://www.infinitu.blogspot.com/
http://ruminho.no-ip.org/podcast.php?catid=36
autor: Nídio Amado
Vidro Azul
http://www.ruc.pt/
http://vidroazulruc.blogspot.com/
http://vidroazul.libsyn.com/
autor: Ricardo Mariano
Mutantes
http://radio-mutantes.blogspot.com/
http://feeds.feedburner.com/mutantes
autores: Miguel Soares e Vítor Oliveira
PODCAST: o que é?
Antes ouvia-se a rádio no momento em que ela acontecia. Era irrepetível, dizia-se. Depois veio a Internet e alguns programas/sons passaram a estar disponíveis para além do momento da sua passagem hertziana. Mas ainda era preciso abrir o computador, consultar a página e confirmar se esse programa tinha ido para o ar. Até que apareceu o podcasting [associação da marca do leitor de áudio da Apple, iPod, ao termo “casting”, como sinónimo de transmissão]: colocando um código (feed) associado a um programa, que cada pessoa pode subscrever num programa agregador (como o Ipodder), o áudio chega directamente ao computador sem intervenção humana. Ou seja, posso construir a minha rádio com os conteúdos de que gosto, das mais variadas rádios ou produtores individuais – porque o fenómeno do podcasting começou precisamente com produções caseiras, de gente que encontrou no áudio a rádio que gostaria de fazer. O podcasting é sobretudo uma técnica de distribuição de áudio, cujas potencialidades ainda estão por explorar.
segunda-feira, 26 de setembro de 2005
Discos Voadores


Desde sempre, o Homem olhou para os céus em busca de sinais... e a Radar encontrou-os! Agora, ao fim de semana, há Discos Voadores na Radar. Os novos discos, os concertos, os movimentos, as memórias, as grandes e pequenas referências da cultura Pop em duas horas de voo com Nuno Galopim.
Nuno Galopim é o astraunata que conduz a nave. Radialista já com um passado consideravel no éter (RDP Antena1; Antena2; Antena3; XFM; TSF) está desde a última primavera na RADAR (Lisboa, 97.8) com o programa "Discos Voadores". A estação alternativa não tinha, até à data, programas de autor, exceptuando algumas rubricas e apontamentos de curta duração. "Discos Voadores" não foge à patine da estação que lhe serve de base, mas acrescenta-lhe substância. Música alternativa na maior parte da ementa, mas não só. Novas edições, algumas analogias, adendas informativas, "ódios" de estimação; memórias a propósito e convidado(a)s em estúdio para conversar num "encontro imediato de terceiro grau", sempre à volta da música escolhida pelos próprios e, mais uma vez a crítica, num inevitável "fio de azeite".
Alguns dos convidados que já estiveram no "encontro imediato de terceiro grau": Mário Lopes (jornalista musical do "Diário de Notícias"); Vítor Belanciano (jornalista musical do "Público"); Pedro Mexia (Escritor; Colunista); Inês Menezes (Animadora da Radar); Luís Costa (SonyBMG).
O programa que até agora mais gostei de ouvir foi a emissão sobre os inéditos de António Variações, onde se escutaram as próprias gravações caseiras que deram origem ao projecto Humanos. Arrepiante...no melhor dos sentidos!
Os destaques e alinhamentos estão disponíveis na blogosfera, no excelente blogue "Sound & Vision" ( http://sound--vision.blogspot.com/ ) feito a duas mãos por Nuno Galopim e João Lopes, crítico de cinema. Neste espaço também se encontram os destaques da crónica de João Lopes (Banda Sonora) na RDP-Antena1.
DISCOS VOADORES
Radar-a alternativa (97.8 FM. Lisboa)
Sábados: 18.00-20.00 / Domingos: 22.00-24.00
BANDA SONORA
RDP-Antena 1 (Lisboa: 95.7; Porto: 96.7; Coimbra: 94.9)
2ª a 6ª feira, cerca das 22h50
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O que eles dizem (02)
Nuno Galopim, enquanto radialista, jornalista e editor do suplemento DNMúsica (6ª feira, com o "Diário de Notícias") e também enquanto ouvinte, tem-se referido criticamente à rádio portuguesa por numerosoas vezes. A seu tempo acrescentarei aqui algumas dessas referências. Eis aqui uma reflexão recente:
Podcast: a nova rádio
Em tempo de frequências surdas, quem tem podcast é rei… Esta livre adaptação de um ditado popular traduz apenas o impressionante crescimento do fenómeno podcast (por breves palavras, oferta de programas de rádio, geralmente em mp3, em certos sites, através dos quais os podemos escutar directamente online ou passar para leitores portáteis). Sob a ditadura global dos formatos, com playlists mais pensadas com objectivos de manutenção ou conquista de audiências que com a velha tradição que via a rádio como um veículo de divulgação de música, o podcast vem ocupar o lugar que as web radios independentes (ou seja, as que não correspondiam a emissões reais de rádio) deixaram vaga depois da mortandade digital que quase as apagou da rede nos últimos anos. O fenómeno cresce, inclusivamente pela aposta de antigos radialistas "convencionais" como Adam Curry, que tem em http://www.ipoder.com/ um site com um directório extenso de contactos. Mais prático e extenso é ainda o cabaz de propostas em http://www.podcast.net/, onde surgem já oito programas portugueses, uns mais amadores uns mais profissionais, uns experimentalistas, outros mais arrumados, um deles, o LadoB (da Rádio Ocidente), já com 54 emissões disponíveis para escuta (boa música, com Death Cab For Cutie, Lambchop, Interpol ou Broken Social Scene no cardápio). O iTunes tem também já disponível na sua loja uma zona seleccionada de podcasts e a própria Apple aposta no seu site neste novo formato. A oferta de podcasts é tão vasta quanto a imaginação, de programas sobre cinema a solilóquios sobre o que o autor resolver contar, de jardinagem a economia, das artes à informática. Para os interessados em juntar as suas emissões à rede, aqui ficam os contactos de dois guias para iniciados, o My Pods e o Audiofeeds.
Nuno Galopim
Quarta-feira, Setembro 28, 2005
In: http://sound--vision.blogspot.com/
segunda-feira, 9 de maio de 2005
lado B (b)
«...uma coisa que nós precisávamos... música nova para uma sociedade nova e a rádio seria o caminho certo para isso.»
(...)
«A rádio é o território pátria até mesmo para os gostos que se cultivam em Portugal, que estão nivelados muito por baixo.»
(...)
«...em relação à rádio feita hoje em dia... a importação que se fez sem tratamento nenhum, sem filtragem dos modelos que se praticam na América, nos "states"... foram importados e não foram tratados... não encaixam...»
(...)
«As "playlists" vieram nivelar por um nível que não é o mais alto.»
(...)
«Há uma série de trapalhadas que as "playlists" vieram provocar. Há o divórcio da comunicação, e eu acho que rádio é casamento, não o divórcio que há entre o ouvinte e o animador, o apresentador.
...em qualquer rádio, seja ela uma rádio de informação ou de música 24 horas sobre 24 horas, tem que haver uma ligação entre a pessoa que vai para o ar e apresenta – e dá a cara, neste caso, a voz – um produto, tem de identificar-se com aquilo que vai para o ar. Hoje em dia temos gente a apresentar coisas que não sabem o que são, de onde vêm. Porque é um fulano que nós nem sequer conhecemos de lado nenhum que escolhe as músicas "e agora toma lá disto e despeja aí uma série de horas de música". Quando eu defendo isto é para todas as rádios, não só para a minha rádio ou para esta (Ocidente). É para todas.»
(...)
«...e castra o nascimento de novos talentos. Como é que eu posso falar de um assunto que não domino, quando alguém o impõe? É uma forma de fazer tábua rasa de tudo quanto é gente que possa fazer coisas diferentes. É um fenómeno social, é cultural, é um dos lados negros da globalização. Porque o que nós deveríamos ter era a percepção de extrair o que de melhor a globalização traz... mas não, fazemos precisamente o contrário.»
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«Deverá, sem dúvida, haver uma orientação musical numa rádio que seja de música... de haver uma "playlist", mas uma "playlist" feita pelos profissionais dessa rádio, que é para não haver o tal divórcio entre quem faz e quem apresenta. Tem de haver o tal casamento de comunicação e isso é transmitido para o ar. O ouvinte sente isso.
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«A rádio é um processo de criação. Sem dúvida, é uma forma de arte... uma forma de arte quando é feita com arte. Não é desta maneira... que isto que nós temos hoje é uma soma de partes...é uma manta de retalhos em que é música mais informação, que por sua vez tem mais publicidade, e a seguir vem um relato, e a seguir vem uma entrevista...portanto, não há nada que una isto. Eu entendo a rádio como um todo e tudo tem de ter a ver com tudo. O apresentador tem que ter a ver com aquilo que apresenta e o que vem a seguir tem de ter a ver com o que esteve antes e o que vem depois...»
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«Tudo tem uma razão, e o que se ouve hoje é a soma de partes. Tijolos em cima de tijolos.»
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«Eu acho que estamos a caminhar para o marasmo, se é que já lá não chegámos.»
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«Hoje em dia temos uma "playlist" que dura meses que não se altera quase nunca, com cinquenta ou quarenta e cinco ou oitenta temas. Só podendo passar esses, ficam milhares de fora.»
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«Nós hoje vivemos numa censura à música de qualidade, à variedade. Isto de qualidade é muito subjectivo. Cada um entende a qualidade à sua maneira, mas eu acho que hoje existe uma censura, um castramento, um linchamento, um estalinismo na música que passa nas nossas rádios. O panorama que vai desde o início até ao fim do FM do nosso espectro... nós estamos a ouvir o mesmo disco. Às vezes há rádios – e falo das maiores rádios, das rádios de dimensão nacional – que estão a passar o mesmo disco à mesma hora. E isto é aflitivo, numa altura em que há acesso a muito mais música do que nós tínhamos acesso há cinco ou há dez anos.»
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«É a velha história sobre o que é que nasceu primeiro... se o ovo se a galinha.
Se não houver divulgação, não há produção, se não há produção não há distribuição, se não há distribuição não há vendas, se não há vendas o mercado está como vemos hoje.»
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«Nós não podemos cair nunca na falácia de "dar ao ouvinte aquilo que ele quer ouvir". Temos que dar ao ouvinte aquilo que ele não sabe que existe. Dar a conhecer. Diversidade, diversidade. Não é o que temos hoje.»
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«A Internet é muito bem vinda para conhecermos coisas novas. Para conseguirmos coisas (música) que já não conseguimos em nenhuma loja, raridades, discos que já saíram de mercado, etc...»
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«As editoras é que têm que se adaptar ao novos tempos. Não é possível que um disco com mais de vinte anos custe quase quatro contos/vinte euros. Isto é um absurdo. Como é os 19% de IVA. Um disco tem que ter 5% de IVA que é o que tem um livro. É um produto cultural. Não me venham cá dizer que é entretenimento, que não é.
Eu não vivia sem a música. Acho que a minha vida era uma lástima sem a música. Há uma velha frase de um programa belíssimo que existiu nos primeiros anos da TSF, que era um programa chamado "UNO", que tinha uma frase chave, que era a frase mestra da emissão, que é: "Sem música não há vida, não há vida sem música"... e isto diz tudo. Não é preciso dizer mais nada.
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«A Internet não veio tirar lugar às editoras... as editoras é que se estão a anular a elas próprias não se adaptando.»
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«Os mercados (musicais) têm que se abrir.»
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«Há espaço para as editoras e para os downloads legais na Internet.»
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Eu necessito muito de ter música "visual", isto é, ter o inlay, o livrinho, as informações, as fotografias, os alinhamentos e a caixa... a caixa do CD.»
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«O blogue (Rádio Crítica) é para, essencialmente, aquilo que ainda vale a pena ouvir em rádio... programas de autor. É um blogue construtivo. É positivo. Não é para dizer mal, porque se fosse para dizer mal tinha que ter dez blogues, ou coisa assim. Basta um para dizer o que ainda vale a pena ouvir.»
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«É um blogue em que não haverá espaço para o insulto nem para o golpe baixo.
É coisa rara, porque no meio rádio há muito submundo, e este blogue é para partilhar, dentro da minha perspectiva pessoal de ouvinte. Eu (aqui) assumo o meu papel de ouvinte, que tem o privilégio de fazer rádio e de estar na rádio. É a perspectiva de quem ouve. Eu falo (escrevo) sobre programas que não conheço (na esmagadora maioria dos casos) o autor... não conheço a rádio, sequer.»
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«Crítica positiva! Eu quero fazer a crítica construtiva. Dar relevo ao que é bom em rádio ainda hoje, apesar do panorama ser dantesco, ser estalinista, ser muito mau e cada vez pior. Mas ainda existem ilhas de bom gosto, de resistência.»
A minha selecção "ladoB":
José Afonso - Maio maduro Maio
Kraftwerk - radioactivity
John Cale - (I keep a) close watch
Robert Wyatt - memories of you
Dead Can Dance - dawn of the iconoclast
Hugo Largo - grow wild
Wunder - how we are
Francisco Mateus