Sexta-feira, 26 de Junho de 2009







Hoje no Goethe Istitut Portugal (14:00):
Conferência “Peças Radiofónicas e Leituras de Audiolivros: Especificidades e Diferenças”Com Leonhard Koppelmann. Moderação de João Almeida (director-adjunto RDP-Antena2).
(Entrada livre)

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009







Hoje no Goethe Istitut Portugal (18:00):
Debate “Criação e Produção de Audiolivros e Peças Radiofónicas: métodos, processo criativo e Desenvolvimento de Projectos”com Amélia Muge, António José Martins, João de Sousa, José Luís Peixoto, entre outros convidados. Moderação de Alexandre Cortêz.
(Entrada livre)

Terça-feira, 23 de Junho de 2009







Hoje no Istituto Franco-Português (19:00):
Debate “A Rádio, o Acesso Doméstico e a Revolução Digital”com Jean Lebrun, da Rádio France-Culture.
(Entrada livre)

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















Simone White (EUA)

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009 (22:30)
Galeria Ícone – COIMBRA


Alguns dias após a passagem de Jesca Hoop por Coimbra, e na antecâmara do concerto de Jens Lekman e de Pikelet, ainda há tempo para escutarmos a voz doce de Simone White. Esta singer songwriter de origem norte-americana completará desta forma o seu curto périplo pelo nosso país, que contemplará datas em Aveiro e no Porto. Apesar de ter gravado o seu primeiro trabalho em 2003, Simone White tem tido um percurso reservado, parco em edições, privilegiando o palco e as colaborações com músicos de reconhecido estatuto.

O seu segundo longa duração, intitulado "I Am The Man" e editado apenas em 2007, conferiu-lhe no entanto uma maior visibilidade. Distribuído pela Honest Jons, etiqueta de Damon Albarn (Blur, Gorillaz), este álbum não só lhe rendeu os maiores elogios junto da imprensa norte-americana, como lhe permitiu colaborar em palco com músicos como Tony Allen, Afel Bocoum, Kokanko Sata Doumbia, Candi Staton, Alela Diane e o próprio Damon Albarn, com quem actuou em Londres, há poucos meses, num concerto promovido pela Honest Jon. Ainda que o seu registo se situe num território diferente daquele em que se movimentam os seus pares, na Honest Jons, esta convivência tem lentamente moldado a sonoridade de Simone White, constatando-se uma lenta deriva em direcção à folk. No próximo dia 19 de Junho, Simone White apresentar-se-á a solo, na Galeria Ícone, no Pátio da Inquisição, num concerto em que a doçura da sua voz e das suas composições decerto será preponderante.

Links:
Simone White - MySpace
Last Fm da Lugar Comum

Preço: € 6
LOTAÇÃO MÁXIMA: 70 pessoas
A reserva das entradas poderá ser efectuada preferencialmente através do endereço electrónico: geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de entradas pretendido, Nome, BI e Contacto).
Contactos: Lugar Comum
Email: geral@lugarcomum.pt

LUGAR COMUM – associação de promoção e divulgação cultural

Domingo, 14 de Junho de 2009

A Rádio no Silêncio





















Terça-feira, 23 de Junho, no Istituto Franco-Português (19:00)
Debate “A Rádio, o Acesso Doméstico e a Revolução Digital
com Jean Lebrun, da Rádio France-Culture
(Entrada livre)

Quinta-feira, 25 de Junho, no Goethe Istitut Portugal (18:00)
Debate “Criação e Produção de Audiolivros e Peças Radiofónicas: métodos, processo criativo e Desenvolvimento de Projectos
com Amélia Muge, António José Martins, João de Sousa, José Luís Peixoto, entre outros convidados. Moderação de Alexandre Cortêz.
(Entrada livre)

Sexta-feira, 26 de Junho, no Goethe Istitut Portugal (14:00)
Conferência “Peças Radiofónicas e Leituras de Audiolivros: Especificidades e Diferenças
Com Leonhard Koppelmann. Moderação de João Almeida (director-adjunto RDP-Antena2).
(Entrada livre)

Programa completo aqui
http://www.festivalsilencio.com/

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

RP 1988 – 2009












31de Maio de 1988
A Assembleia da República aprova a Lei da Rádio que abriu o sector a operadores privados locais e regionais. Acabavam-se assim as chamadas «Rádios Pirata».
Mais de 21 anos depois do “apagão” sonoro, o que temos?

A Lei da Rádio de 1988 foi por demais irrealista. Povoou o espectro local com mais de trezentas estações e atribuiu (com grande polémica, ainda hoje por explicar cabalmente) duas frequências Regionais: CMR-Correio da Manhã Rádio [Rede Regional Sul] e Rádio PRESS [Rede Regional Norte]. Não muitos anos depois, nem uma nem outra já existiam. Da Rede Regional Sul desapareceu o CMR, extinto com a privatização da Rádio Comercial. Em seu lugar surgiu (a também já extinta Rádio Nostalgia) e agora é ocupada pelo RCP-Rádio Clube Português. A PRESS [Rede Regional Norte] desaparece – é extinta – e surge em seu lugar a expansão da TSF-Rádio Jornal, até então estação local de Lisboa.Das mais de trezentas centenas de estações locais espalhadas pelo país, já só restam menos de metade. Encerramentos, aglutinações, fusões e aquisições. Houve de tudo um pouco e é ainda um processo activo. Todos os anos existem em Portugal estações a fecharem e a conhecerem, pelo menos, um destes métodos mutatórios.












Houve concelhos que receberam mais que uma atribuição de frequência. Era de ver e de prever que a vastidão da atribuição de alvarás não tinha pés para andar de uma forma sustentada. Num mercado diminuto e pouco ou nada consolidado, extremamente flutuante e muito dependente dos poderes públicos (nomeadamente das autarquias) tornou-se até legítimo concluir que se tratou de um processo no mínimo negligente. Houve até quem dissesse – talvez não de forma despicienda – que três meses de suspensão da radiodifusão ilegal geraram uma Lei propositadamente constituída a fim de afogar os projectos por si mesmos, uma vez lançados no tabuleiro contubernal da vida real.
Nestas duas décadas de legalização das rádios em Portugal, grandes projectos radiofónicos ficaram pelo caminho. Apenas alguns que conheci no percurso de ouvinte: CMR-Correio da Manhã Rádio; Rádio Geste; Rádio Minuto; NRJ-Rádio Energia; XFM; RJC-Rádio Jornal do Centro; Rádio Nostalgia; VOXX.
É claro para todos que na oferta existente no panorama radiofónico português existem boas excepções à mediania dominante [casas-fantasma, formatos repetitivos e absurdos mimetismos], mas continuam espaços vitais por preencher. Alguns dos exemplos referidos anteriormente deixaram lugares até hoje vagos e que tinham criado os seus públicos específicos. Quer por extinção, quer por transformação, o permanente remodelar do desenho espectral dos nossos éteres tem dado origem a um crescente número de órfãos da Rádio em Portugal. É aqui que está a causa da diminuição do universo de ouvintes.
Na prática – a coberto da falácia crescente da interactividade – a Rádio está cada vez mais de costas voltadas para quem a ouve.













Para concluir, uma sugestão para os próximos meses: agora que o Verão está à porta, as viagens de carro vão aumentar um pouco. Experimentem um exercício que, a muitos níveis, é verdadeiramente estimulante não só pela aleatoriedade, como também pela surpresa – boa ou má – de ao longo dos vossos trajectos por este país de auto estradas, itinerários principais, itinerários complementares, vias rápidas e vias equiparadas ouvirem as rádios das regiões por onde vão passando.
Por umas horas, esqueçam os leitores de CD, mp3 ou as vossas rádios de eleição. Aventurem-se nas recondidas ondas dos Mega Hertz do país profundo e reflictam um pouco sobre alguns dos efeitos perniciosos que a Lei de 1988 originou.
Boa viagem!










Texto originalmente publicado em quatro partes no blogue «Irmandade do Éter»

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

A LUGAR COMUM e a Put Some têm a honra de apresentar:




















Jesca Hoop (EUA) + Pajaro Sunrise (Espanha)
Sábado, 06 de Junho de 2009 (22h30)
Via Latina – COIMBRA


Jesca Hoop é umas das mais interessantes singer-songwriters dos últimos anos. A sua música é como nadar num lago à noite, disse Tom Waits, de cujos filhos Jesca foi nanny. Nascida na Califórnia no seio de uma família Mormon, Jesca mistura referências folk às mais distintas sonoridades e o resultado é Kismet, um disco de uma excentricidade belíssima. Está em Portugal para três espectáculos em versão acústica.

Pajaro Sunrise é Yuri Mendez. Após homónimo álbum de estreia, de parceria com Pepe Lopez, granjeador de ínumeros elogios e considerado uma das boas revelações em terras vizinhas Yuri regressa com "Done/Undone, uma colecção de 22 canções divididas entre composições em grupo e a solo que reflecte as vivências de um ciclo terminado, "Done", e um novo recheado de expectactivas, "Undone". Um registo intimista de canções descarnadas de belexa desconcertante.

Links:
Jesca Hoop - MySpace
Pajaro Sunrise - MySpace
Last Fm da Lugar Comum

Preço € 6
A reserva das entradas poderá ser efectuada preferencialmente através do seguinte endereço electrónico: geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de entradas pretendido, Nome, BI e Contacto).

Contactos: Lugar Comum
Email: geral@lugarcomum.pt

LUGAR COMUMassociação de promoção e divulgação cultural
[Magnífico o trabalho gráfico de Joana Corker]

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Sábado à noite em Vila Nova de Gaia









Fim-de-semana alucinante… Vila Nova de Gaia ou Coimbra? Ou ambas as cidades? Ambas as cidades!
Continua a série de magníficas noites de recordações da música dos anos ontem*, através do autor do blogue «Queridos Anos 80» – o tal blogue que dava um grande programa de Rádio – e impulsionador de todas estas iniciativas. Agora com sons adicionais das décadas de 60 e 70 do século passado. A próxima é já sábado à noite, no espaço «Ar D’Mar», na praia Canide Norte – Vila Nova de Gaia.
Já agora, vale a pena visitar a série de reports que Mister Tarzan Boy tem publicado sobre o recente evento ocorrido no Pavilhão Atlântico, em Lisboa [«Here and Now»] no passado dia 29 de Maio. Ele esteve lá e conta em pormenor como foi.

Ver, ler, ouvir e lembrar tudo e mais alguma coisa aqui: http://dear80s.blogspot.com/

*música dos anos ontem foi o nome de um programa na antiga Onda Média da Rádio Comercial, nos finais dos anos 70/inícios dos anos 80, realizado por Marques Vidal, que também apresentava com uma voz feminina (alguém se lembra? E alguém sabe o nome da locutora? Dou alvíssaras!).

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

ÍNTIMISSIMO





Realizou-se no passado dia 9 de Maio a comemoração do 25º aniversário do programa «Íntima Fracção».
O serão do encontro directo entre o realizador Francisco Amaral e ouvintes – que vieram um pouco de todo o país – teve lugar na sala de exposições na Livraria Ler Devagar na LX-Factory, em Lisboa.
Nas imagens, a interpretação ao piano (Pedro Marques, ex-teclista dos Alla Pollaca) do tema “God Only Knows” dos Beach Boys.

Mais pormenores e mais imagens aqui

Ver fotografias de Mário Pires, autor do espaço «Retorta»

Sobre os 25 anos da «Íntima Fracção», foi publicado no passado dia 13 de Maio um perfil de Francisco Amaral no jornal da região de Coimbra «Campeão das Províncias».
Ler aqui por inteiro o artigo assinado pela jornalista Iolanda Chaves.


Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

O Cinema na Rádio
















foto: Miguel Madeira

Estão novamente disponíveis na Internet as três emissões em que João Bénard da Costa participou nas séries de programas que realizei na TSF entre os anos 2000 e 2005.
Para ouvir e/ou gravar:
Como no Cinema – «Frank Capra: O Nome Acima do Título» (1ª parte) DOWNLOAD
Como no Cinema – «Frank Capra: O Nome Acima do Título» (2ª parte) DOWNLOAD
Pontos de Fuga – «A Vida é o Ecrã» DOWNLOAD

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

JOÃO BÉNARD DA COSTA












A morte entrou na sala escura
Em homenagem ao ex-director e presidente da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, a TSF transmite hoje, depois do noticiário das 21:00, a conversa no programa «Pontos de Fuga», decorrida em 2005 na sala principal da Cinemateca em Lisboa. De uma longa conversa de mais de cinco horas, ouviremos 43 minutos de absoluta paixão pelo Cinema.
Quis o acaso do destino que fosse neste dia 21 de Maio – Dia Mundial da Diversidade Cultural – que víssemos desaparecer uma das grandes figuras da cultura nacional.
No mesmo rol dos acasos, volta à Rádio esta sessão especial da série de programas «Pontos de Fuga» que, até à data, é o meu último trabalho de autor na Rádio. Na edição original, este programa em que João Bénard da Costa é o convidado, foi mesmo o último da série a ser emitido, em Setembro de 2005 (reedição na Internet/podcast em 2007).
A conversa com João Bénard da Costa termina com um extracto da banda-sonora do filme «Johnny Guitar» (na voz de Peggy Lee), filme realizado por Nicholas Ray (1954) e que será exibido amanhã, sexta-feira (21:30) pela Cinemateca numa sessão especial em homenagem a João Bénard da Costa. «Johnny Guitar» é um dos filmes da vida de João Bénard da Costa.
A programação normal da Cinemateca está suspensa até segunda-feira.

----------------------------------------------------------------------------------------
O que eles dizem (44)

Um dia muito triste para o cinema português.
Uma das pessoas mais importantes para o cinema português.
Ninguém sabe nem se apercebe e vai-se descobrindo, pouco a pouco, a importância do João Bénard e a falta que nos vai fazer. Se há pessoas insubstituíveis, o João Bénard é uma delas.
Paulo Branco (Produtor de Cinema)

A seguir ao Dr. Félix Ribeiro, é uma referência fundamental na afirmação da cultura portuguesa, e teve um papel decisivo na afirmação da Cinemateca Portuguesa.
Eu gostaria de o recordar neste momento como um grande escritor.
Foi com António Alçada Baptista uma das almas da revista «O Tempo e o Modo», que teve uma importância fundamental na preparação da Democracia e na abertura de horizontes na vida literária e artística em Portugal.
João Bénard da Costa deixa um vazio impossível de preencher. É uma perda irreparável.
Guilherme d'Oliveira Martins (Presidente do Centro Nacional de Cultura)

Tinha um conhecimento como ninguém sobre a obra de Manoel de Oliveira.
João Fernandes (Director do Museu Serralves)

Criou a melhor cinemateca da Europa. Sem João Bénard da Costa não haveria cinema em Portugal, não haveria ideias para o cinema, nem um comportamento tão rigoroso sobre a acumulação de informação sobre o cinema.
Foi um actor excelente nos filmes de Manoel de Oliveira.

João Botelho (Realizador de Cinema)

É um golpe muito profundo. Estou muito emocionado.
Orientava muito bem a Cinemateca, escrevia admiravelmente e representava também muito bem. Chegou a participar em alguns filmes meus.
Manoel de Oliveira (Realizador de Cinema)

Um homem com um conhecimento único sobre o cinema.
Ele era o rosto, de facto, da Cinemateca Nacional. Era um homem de uma cultura extraordinária, era um gosto ouvir os seus discursos nas cerimónias do 10 de Junho, ler as suas crónicas, ler os seus textos.
É um dia de luto para a cultura portuguesa.
Aníbal Cavaco Silva (Presidente da República)

Ouvir mais aqui

No Tempo do Cinema – Biografia do escritor, professor, pensador e cinéfilo
Esta noite, a RTP2 transmite um documentário de 58 minutos sobre a vida e obra de João Bénard da Costa, pouco depois das 23:30. Este trabalho conta – para além do seu testemunho na primeira pessoa e com os depoimentos oriundos de vários quadrantes da sociedade – com Alberto Vaz da Silva, Vasco Pulido Valente, Alberto Seixas Santos, João Mário Grilo, Jorge Silva Melo, Miguel Lobo Antunes, Fernando Lopes, Maria João Seixas, Agustina Bessa-Luís, Manoel de Oliveira, Manuel S. Fonseca, Rita Azevedo Gomes, José Manuel Costa, Paulo Filipe Monteiro, Guilherme d’ Oliveira Martins, Lucília Alvoeiro, Maria Alice Castro, e os quatro filhos, João Pedro, Mónica, Sofia e Ana.

Invenção do Cinema Português
Lançamento do livro «A Invenção do Cinema Português» de Tiago Baptista, em Dezembro de 2008 (edição Pó dos Livros).
Um dos últimos eventos públicos em que esteve presente João Bénard da Costa.
Ver e ouvir aqui

«A 15ª Pedra» Conversa Filmada entre Manoel de Oliveira e João Bénard da Costa, com realização de Rita Azevedo Gomes e transmitida pela RAI-tre (Itália).
1ªParte (07:29”)
2ªParte (07:20”)
3ªParte (08:14”)

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















Festival Indie Songs Don't Lie










Dia 16 (Sábado) CONVERSAS: PROGRAMAÇÃO MUSICAL – ESTRUTURAS ALTERNATIVAS - Vitor Belanciano (jornalista do PÚBLICO-Ípsilon); João Araújo (programador do Estaleiro Cultural Velha-a-Branca em Braga); Pedro Jordão (programador do Mercado Negro em Aveiro); Gonçalo Castro (RDP-Antena 3)
16 de Maio - 16:00 no Foyer do TAGV, Coimbra

20 de Maio (Quarta-feira) HANDSOME FURS (Canadá) Press Release; My Space
21 de Maio (Quinta-feira) PETER BRODERICK (Estados Unidos) Press Release; My Space
(1.º parte) NILS FRAHM (Alemanha) My Space

Local: Via Club, Coimbra (22:00)
Preços: Entrada 2 dias: 15€; Entrada 1 dia: 8€

Reservas: geral@lugarcomum.pt
Mais pormenores para ver e ouvir aqui

Após os concertos decorrerão after-partys promovidas pela «Lugar Comum»








Entrevista a membros do actual corpo dirigente da LUGAR COMUM:
Um lugar [pouco] comum
Uma dinâmica Associação Cultural. A descobrir em Coimbra

There is a place with a bit more time
and a few more gentler words
Morrissey

LUGAR COMUM – associação de promoção e divulgação cultural

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Festa e debate nos 25 anos da Íntima Fracção





A «ÍNTIMA FRACÇÃO» é um dos mais antigos programas da rádio portuguesa, realizado por Francisco Amaral. Completou a 8 de Abril passado 25 anos de emissões regulares. Foi transmitido pela primeira vez em Abril de 1984 na Antena 1. Entre 1989 e 2003 foi transmitido pela TSF. Depois passou pela RUC, RUM e pelo RCP. Desde Abril de 2008 que é um podcast distribuído exclusivamente no Expresso Online.












Este sábado, 9 de Maio, na LXFactory/LerDevagar, comemora o 25 º aniversário com um evento que vai contar com uma série de mini show-cases de artistas portugueses que fazem música dentro do ambiente da «ÍNTIMA FRACÇÃO»: Carlos Gutkin, Adriano Filipe e Pedro Marques (ex-teclista dos Alla Polacca). A festa encerra com um especial comeback de NÉ LADEIRAS (ex-animadora de Rádio na Antena1 e TSF) que cantará uma das músicas "du coeur" do autor da «ÍNTIMA FRACÇÃO»: a eterna canção “God Only Knows” dos lendários Beach Boys [do álbum «Pet Sounds», 1966].

Há ainda lugar a conversas com convidados sobre programas de rádio de autor e as alternativas de distribuição como os podcasts.

ENTRADA (obviamente) LIVRE!

A livraria LerDevagar fica na LXFactory, antiga Gráfica Mirandela em Alcântara, Lisboa.











Íntima Fracção: Expresso online
Carlos Gutkin: http://www.myspace.com/carlosgutkin
Adriano Filipe: http://www.myspace.com/adrianofilipe
Alla Polacca: http://www.myspace.com/allapolacca
Né Ladeiras: http://neladeiras.no.sapo.pt/

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

ÍNTIMA FRACÇÃO – 25 anos

Sempre pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir










O histórico programa «Íntima Fracção» de Francisco Amaral completou, no passado dia 8, vinte e cinco anos de vida. Um marco da Rádio em Portugal, apesar de o actual percurso se fazer em exclusivo na Internet. Para assinalar a data, Francisco Amaral publicou já a primeira de 25 edições especiais com a inclusão dos sons e textos mais representativos da história da «Íntima Fracção».

Saber mais aqui: IF-25 ANOS

Ler texto publicado por Hugo Pinto no blogue «Irmandade do Éter»
Ver video de Paulo Abrantes sobre a «Íntima Fracção»

Mais sobre a «Íntima Fracção» na «Rádio Crítica»:
Abril 1984; Janeiro 1987; IF23; IF 24 anos
Entrevista a Francisco Amaral: 25 Fevereiro 2006.
Clássicos musicais da IF em lista publicada em 2005: IF 09 Abril 2006
Texto sobre os 20 anos da «Íntima Fracção»: 08 Abril 2004







Uma primeira história
Está também a partir de hoje disponível pela primeira vez na Internet a emissão do quinto aniversário da «Íntima Fracção», transmitida em directo na RDP-Antena1 na madrugada de Domingo para Segunda-feira, 09 para 10 de Abril de 1989. Há exactamente vinte anos. É uma emissão especial, em que o autor de sempre – Francisco Amaral – conta a história da «Íntima Fracção» desde a origem até aquela data. Sentia-se que era o fim do primeiro dos vários ciclos que a «Íntima Fracção» conheceu ao longo deste quarto de século. Palavras para escutar com muita atenção para quem segue o programa e que, até hoje, desconhecia a história dos primeiros cinco anos de vida. Boa audição e fruição.

ÍNTIMA FRACÇÃO - emissão do 5º aniversário

Alinhamento musical da primeira parte:

Sétima Legião – Mar de Outubro (Indicativo)
Harold Budd – The Room
Tim Buckley – Morning Glory
Brian Eno & Harold Budd – Still Return
Virginia Astley – Afternoon: Out On the Lawn I Lie In Bed
Laurie Anderson – Walking and Falling
This Mortal Coil – Song to the Siren
Tom Verlaine – Oh Foolish Heart
Harold Budd – The Real Dream of Sails
Suzanne Vega – The Queen and the Soldier
autor desconhecido – instrumental solo piano

Alinhamento musical da segunda parte:

Sétima Legião – Mar de Outubro (Indicativo)
This Mortal Coil – Velvet Belly
Cluster & Eno – Schone Hande
This Mortal Coil – Ivy And Neet
John Cale – (I Keep a) Close Watch
Harold Budd – Algebra of Darkness
Suicide – Surrender
autor desconhecido – instrumental
Erik Satie – Gymnopedie
David Sylvian & Robert Fripp – Camp Fire: Coyote Country
David Sylvian & Robert Fripp – A Bird of Prey Vanishes Towering Trees
Joy Division – Transmission
autor desconhecido – voz crooner (extracto)
The Smiths – I Know It’s Over
Brian Eno & Harold Budd – Among Fields of Crystal
Durutti Column – Tomorrow
Harold Budd – The Room
Nick Cave & The Bad Seeds – The Carnival Is Over
Charles Trenet – Que Reste-t-il De Nos Amours
The Beatles – A Day in the Life (extracto final)
Sétima Legião – Mar de Outubro (Indicativo)


Ouvir /download





Historial cronológico do percurso da «Íntima Fracção»:
1984 – 1989: RDP-Antena1
1989 – 2003: TSF-Rádio Notícias
2004 – 2007: RUC / RUM / ESEC Rádio on-line / podcast GavezDois
2007: RCP / podcast / EMArtv – Andaluzia (Espanha)
2008 – 2009: EXPRESSO On-line / podcast

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















Márcia Santos
5ª Feira, 9 de Abril de 2009 (22:00)
Oficina Municipal do Teatro de Coimbra

A imprensa parece não ter dado ainda pela sua presença. As suas composições não circulam de iPod em iPod, remetendo-nos insistentemente para o pequeno leitor no canto superior direito do seu myspace. Passamos por elas uma vez, duas, três. Atentamos aos poemas, à doçura que encontramos nas vocalizações, à sua desarmante simplicidade. Escutamos os seus dedos enquanto estes percorrem as cordas, contamos o número de acordes que completam "A Pele Que Há Em Mim". Contamos ao outro quem é a Márcia.

Links:
Márcia - Myspace
Lugar Comum – Site
Preço 5€
Email: geral@lugarcomum.pt

A reserva das entradas poderá ser efectuada preferencialmente através do endereço geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de bilhetes pretendido, Nome, BI e Contacto).

LUGAR COMUM – associação de promoção e divulgação cultural

Terça-feira, 31 de Março de 2009

LINHAS CRUZADAS # 29

















A Vida e a arte do encontro na Música
Andy Partridge e Ryuichi Sakamoto

O guitarrista, cantor e compositor Andy Partridge é o líder e mentor dos XTC, uma banda inglesa que se formou em 1976 e que foi um dos nomes mais fortes da então chamada «New Wave», um movimento que vivia em contra ciclo face à cena Punk dominante nos mercados discográficos europeus. “Making Plans For Nigel” é hoje um clássico e é a canção mais emblemática dos XTC.
Ryuichi Sakamoto, músico e compositor japonês, foi líder e mentor do trio Yellow Magic Orchestra desde a sua formação em 1978 até ao ano da separação definitiva em 1993.
Em 1980, numa muito produtiva carreira a solo, Ryuichi Sakamoto convida Andy Partridge dos XTC para uma colaboração no álbum «B 2 Unit», no tema “Thatness And Thereness”.
Actualmente, os XTC ainda se mantêm em funções, embora o último registo discográfico date de 2001. Em paralelo e desde 1980, Andy Partridge mantém uma não muito regular carreira a solo, contando também com parcerias preciosas, entre elas com o pianista e compositor norte-americano Harold Budd.
Quanto a Sakamoto, continua com uma carreira muito activa, quer a solo, quer com numerosas colaborações – algumas das quais já demos eco em anteriores edições das «Linhas Cruzadas» – e às quais voltaremos aqui futuramente.
Por agora ficamos com o encontro em 1980 de Ryuichi Sakamoto e Andy Partridge no tema “Thatness And Thereness”.


Ouvir / download / podcast

Terça-feira, 24 de Março de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















The Ruby Suns
5ª Feira, 26 de Março de 2009 (23:00)
Salão Brazil – COIMBRA


Links:
The Ruby Suns – MySpace
Last Fm do evento
Lugar Comum – Site
Preço 8€
Email: geral@lugarcomum.pt

No por vezes errático imaginário de Ryan McPhun encontramos uma frágil figura cuja relevância é maior que a imensidão na qual permanece perdida. Ao longo da primeira faixa de Sea lion, o fundador dos Ruby Suns relata-nos a desventura de um solitário pinguim azul, que afastado da sua colónia, se encontra à deriva, ao sabor das inconstantes ondas do Pacífico Sul, o mesmo Pacífico que segundo McPhun trará ambos de volta a casa. Nascido na cidade de Ventura, California, McPhun cedo partiu para distantes paragens, rumando ao Quénia, seguindo-se a Tailândia e finalmente a Nova Zelândia. Ali conheceu Amee Robinson e juntos fundaram o projecto The Ruby Suns, inicialmente denunciando uma irreversível atracção pelo legado de Brian Wilson [Beach Boys], tendo no entanto rapidamente evoluído para um combo tropicalista do qual nada é deixado de fora. «Sea lion», o seu segundo álbum de originais, aclamado pela imprensa ao longo de 2008, cruza a pop solarenga dos Beach Boys e dos Animal Collective com os ritmos e vibrantes vocalizações da África Austral, cabendo ainda neste melting pop uma marcada componente electrónica e alguns traços de noise ou psicadelismo. Os seus concertos são marcados por uma rara efervescência, como que espontâneos exercícios de contagiante inclusão. Na noite de 26 de Março, em Coimbra, espera-se uma celebração. Nessa mesma noite, todos nós nos deixaremos levar por uma inconstante onda vinda do Pacífico Sul.

Discografia:











«The Ruby Suns» (2005) «Sea Lion» (2008)

A reserva das entradas poderá ser efectuada preferencialmente através do endereço geral@lugarcomum.pt (com indicação de número de bilhetes pretendido, Nome, BI e Contacto).
Após o concerto decorrerá uma after-party promovida pela Lugar Comum.
LUGAR COMUM – associação de promoção e divulgação cultural
Co-produção Lugar Comum & RUC no âmbito da comemoração do 23º aniversário da Rádio Universidade Coimbra

Sábado, 21 de Março de 2009

Equinócio 09









O que eles dizem (44)

"Adoro pensar na natureza como uma estação de Rádio ilimitada, através da qual Deus fala connosco a todas as horas se nos sintonizarmos."

George Washington Carver
Cientista norte-americano

Quinta-feira, 12 de Março de 2009

RÁDIO COMERCIAL 30 anos









No dia 12 de Março de 1979 era inaugurada a «Rádio Comercial»; o canal comercial da Radiodifusão Portuguesa. Uma criação de João David Nunes que deu fama e proveitos e que chegou ao fim com a privatização em 1993.
Trinta anos depois mantém-se o nome da estação e o endereço das instalações, no mítico corredor da Rua Sampaio e Pina em Lisboa, mas a rádio é outra e totalmente diferente. Em 16 anos de estação privada mudou de figurino e perfil mais vezes do que seria saudavelmente recomendável e, em 2009, tem (e mantém) como missão perseguir a rival RFM e tem como objectivo (único?) ultrapassá-la nas audiências. Muito pouco para uma estação de envergadura nacional. Não foi para isto que se fez a Rádio Comercial em 1979. Mas os tempos são outros e mudaram mesmo muito para a Rádio Comercial. Continua a ser uma marca referencial no mundo da Rádio nacional, mas o modelo de negócio em que assenta está a esgotar-se a cada minuto que passa. Um cenário que ainda se encontra em processo de negação e que não é apenas para a Rádio Comercial.
Três décadas depois não se encontra “no ar” nenhum dos nomes de origem. Grande parte dos nomes que fizeram da Rádio Comercial uma rádio de referência em Portugal estão vivos e alguns deles ainda no activo (José Duarte, Júlio Isidro, Luís Filipe Barros, António Sérgio, Aníbal Cabrita, etc). No entanto, nenhum destes nomes – e outros – estão na actual Rádio Comercial. O ângulo de visão dos factos fazem depender uma interpretação positiva ou negativa dos mesmos. Pessoalmente acho que estes factos não são positivos, demonstrando desde logo que a carreira profissional na Rádio tende a ser cada vez mais curta. A lógica empresarial dominante (na Rádio e fora dela) sente-se incomodada com a existência de quadros acima dos 45 ou 50 anos e prefere ter jovens remuneradamente “exploráveis”, mesmo que muito competentes e promissores. Na Rádio portuguesa a RDP é o único caso visível em que ainda é possível para alguns profissionais (não todos) envelhecer na Rádio com alguma dignidade.

Sobre a Rádio Comercial e temas relacionados ver na «Rádio Crítica»:

«Rádio Comercial – Doce Mania de Rádio»; «Rádio Comercial anos 80»; «Outros Programas da Rádio Comercial nos anos 80»; «Paradeiros»; «E você? Ainda está aí?»; «Num domingo qualquer»; «À Sombra de Edison»; «As Noites Longas do FM Estéreo»; «A Voz do Lobo»

Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Abraçar o Tempo na Rádio











Acabado de sair o novo trabalho discográfico do norte-americano M. Ward. Ouvido na Rádio, até agora, nos programas «Discos Voadores» na RADAR e «Quase Famosos» no RCP. A canção “Hold Time”, tema de apresentação do álbum com o mesmo nome editado no passado dia 17 de Fevereiro.
Nas imagens do vídeo – da autoria do próprio M. Ward – o retrato a preto e branco do reflexo da solidão e da frieza nas grandes cidades. Apesar da actividade e do movimento sem parar, não se vê uma única pessoa!O autor de “Chinese Translation” e “Post-War” está de regresso com novas canções que nos põem a pensar no propósito de tudo isto a que chamamos “Vida”.Neste 2009, a melhor canção de Verão (enfim, de um certo tipo de Verão…) apareceu no frio do Inverno. E “deu” na Rádio.



You were beyond comprehension tonight
But I understood
I understood If only
I could hold time
Hold time

Words have failed me tonight, failed me tonight
But you knew what I meant
You knew what I meant
Yeah, you heard what I said the whole time
The whole time

And I wrote this song about it
Cause I didn't care about worthless photographs
Yeah, I wrote this song just to remember the endless
Endless summer in your laugh
Endless summer in your laugh

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

RÁDIO ZERO 3 anos

















É na plataforma on-line que tudo se vai decidir quanto ao futuro da Rádio. E a «Rádio Zero» já leva três anos de adiantamento.

Ver os propósitos do projecto desta WebRadio: http://www.radiozero.pt/projecto/
Ver o sítio na Internet: http://www.radiozero.pt/


Terça-feira, 3 de Março de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















Erica Buettner
5 de Março de 2009 (23:00)
República do Kirsh – COIMBRA

Links:
MySpace de Erica Buettner
Erica Buettner na Blogotheque
Site Lugar Comum
LastFM do Evento
Preço: € 7
Email: geral@lugarcomum.pt

Quando escutamos pela primeira vez as suas composições, encontramos um traço familiar, que julgamos reconhecer de um prévio encontro. Ao convocar referências de um passado distante, seja um vinil de Joan Baez ou uma gravação perdida de Nico, Erica Buettner pretende perpetuar o seu legado. O registo intimista encerra a memória da folk enquanto expressão de um autor preso à solidão do palco. A melancolia que percorre a sua escrita e cada uma das faixas que interpreta, é também ela portadora de uma dimensão narrativa, que encontra na sua voz e na guitarra a sua companhia. Será numa pequena sala do Kirsh que Erica Buettner se apresentará ao público de Coimbra. A escolha de um espaço exíguo como aquele decorre dos traços da própria actuação, que se pretende depurada e cúmplice.

(Dado o exposto, encontram-se abertas as reservas de entradas através do email geral@lugarcomum.pt, atendendo ao facto de que o reduzido número de lugares aconselhará a uma atempada reserva)

Após o concerto decorrerá uma after-party da «Lugar Comum».
LUGAR COMUM – associação de promoção e divulgação cultural

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

LINHAS CRUZADAS # 28












A Vida e a arte do encontro na Música

Elvis Costello e Robert Wyatt, no tema “Shipbuilding”. A canção também é assinada por Clive Langer e foi escrita para a voz de Robert Wyatt.
Decorria a guerra das Malvinas, as Ilhas Falkland no Atlântico sul: o conflito armado que opôs a Argentina e a Grã-Bretanha nos inícios da década de 80.
A canção “Shipbuilding” é de forte vertente política, altamente crítica face à governação neo-liberal de Margaret Thatcher, a então chefe do governo do Reino Unido. Uma composição directamente contra o absurdo de uma guerra para nada. “Shipbuilding” fala da falsa vantagem de se construírem navios num sector de actividade que, até a guerra começar, vivia em profunda crise. Eram os dias negros do drama social britânico da fome e do desemprego nas portos londrinos, até que a guerra fez explodir a produção de embarcações para a guerra nas Malvinas. O conflito durou pouco mais de dois meses, foi ganho pelos ingleses, e a recessão económica continuou.
A crítica política sempre foi uma temática na obra de Robert Wyatt, antes e depois de “Shipbuilding”. Ainda hoje, o ex-líder dos Soft Machine continua a escrever e a interpretar temas de cariz político. No mais recente disco: «Comic Opera», editado em 2007, Robert Wyatt não perdeu o ensejo de criticar abertamente a invasão do Iraque por parte dos Norte-Americanos que, por sua vez, foram decisivos no apoio aos ingleses na guerra das Malvinas. Indo mais atrás, ainda na primeira metade dos anos 80, Robert Wyatt dedicou e gravou temas contra o ‘Apharteid’ na África do Sul e a invasão de Timor-Leste por parte da Indonésia, uma vez mais com o apoio dos Estados-Unidos.
A escolha da dupla de autores para cantar “Shipbuilding” não foi por mero acaso. Robert Wyatt manteve-se constantemente como apologista do lado esquerdo da política.
De “Shipbuilding” há uma interpretação de Elvis Costello a solo, mas a versão definitiva é a de Robert Wyatt em 1982.



Ouvir / download / podcast

Outras interpretações de interesse do tema “Shipbuilding”:
Robert Wyatt (ao vivo na TV em 1983)
Elvis Costello & The Attractions (ao vivo)
Tasmin Archer (1994)
Suede (versão de estudio em 1995)

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

QUANDO A MÚSICA ESTÁ A MAIS










A iniciar este texto, uma inequívoca declaração de interesses: Sou amante de música desde sempre, consumidor em grande escala e ex-divulgador de música na Rádio; actualmente divulgador a espaços na blogosfera.

Acho que a música na Rádio deve ser mais – muito mais – que um mero utensílio de uso fácil para “preenchimento” de antena; verbo-de-encher; tapa-buracos; último recurso quando já não há mais nada e tem-se que evitar a “branca” na emissão; etc. A música na Rádio tem, terá e deverá ter sempre espaço privilegiado na Rádio. Mas não “porque sim”, ou através de playlists inócuas, desprovidas de critério e coerência estética; escolhas sem se saber porquê e para quê. A música emitida pela rádio tem sido, por vezes (vezes a mais e durante demasiado tempo) mal tratada, sem sapiência e a servir de tapete para todos os pés. E a história da Rádio em Portugal (não só em Portugal) está, neste caso, escrita com páginas muito negras, até por quem mais e melhor a devia defender. Quer seja a Música quer seja a própria Rádio. É um assunto a merecer outras e futuras reflexões.
O assunto que aqui quero trazer – embora estejam ligados – é outro: os programas, alguns deles muito bons, que não deviam conter música e que se prejudicam com isso, prejudicando por inerência a própria música. Refiro-me concretamente a programas de palavra e cuja essência é a conversa, formal ou informal, a troca de ideias, a transmissão de pensamentos, exposição de histórias pessoais, colectivas e outras.
A não ser que os intervenientes convidados sejam músicos ou estejam directamente ligados ao meio musical, justifica-se a passagem de temas musicais nesses espaços? Para quê? Para intervalar? Se sim, é mais ou menos discutível. Mas tem a mesma consequência comum a todas as opções deste género, que é o corte desnecessário da palavra num programa de palavra. No fundo trata-se de um paradoxo que parece não incomodar quem faz os programas. A mim incomoda-me, porque num programa de palavra quero ouvir a conversa – de preferência – sem interrupções do princípio ao fim. Acresce a isto que as escolhas musicais, ainda e sempre subjectivas, podem não ser do agrado de quem ouve. Vivemos numa sociedade em que ninguém parece ter paciência para ouvir ninguém e os desvios, a fuga à profundidade dos assuntos, até dos mais agradáveis, são corrompidos por cortes sucessivos até o objectivo último da palavra ficar totalmente liquidado.
A opção por palavra-música-palavra-música é um estilo antigo, ultrapassado. Fez sentido e teve a sua fama e proveito nos tempos áureos das transmissões em Onda-Média e nos primórdios do FM em Portugal, numa altura em que a Frequência Modulada ainda não era muito escutada (por desconhecimento; falta de cobertura; aparelhos receptores sem FM; etc.).
As programações das rádios de hoje em dia ainda estão repletas de exemplos destes, contrariando a tendência natural que é a especialização dos conteúdos. Um programa de palavra é de palavra, um programa de música é de música. Salvaguardando as excepções que se impuserem. Acontece que as excepções são a regra dominante deixando, por isso, de haver excepções à regra.

(do que tenho ouvido) Quando a música ESTÁ a mais:

No programa «Um Café e Uma Torrada», de Álvaro Costa nas manhãs de Sábado na Antena1 (11:00/12:00). Há matéria verbal suficientemente abundante para dispensar a música, não só pela qualidade dos convidados, como – principalmente – pela excelência do condutor da emissão. A introdução do estranho elemento música só vem para atrapalhar. Está completamente a mais.

No programa «Porque Hoje é Sábado / Domingo», de Ana Bernardino no RCP, nas manhãs de Sábado e Domingo (07:00/08:00). O espaço está bem desenvolvido, equilibrado nos conteúdos, com convidados no estúdio ou por telefone, recuperando outros pequenos espaços da estação anteriormente emitidos e abordando assuntos variados. O que está mesmo a mais é a música, com duas ou três canções a despropósito (ou a propósito de nada), mesmo que sejam aceitáveis em termos de qualidade. Roubam tempo ao pouco tempo do espaço.

No programa «Nuno e Nando», nas manhãs de Sábado na Antena3 (11:00/13:00) de Nuno Markl e Fernando Alvim: Quase sempre (ou mesmo sempre) com convidados em estúdio. É um programa de conversas e entrevistas em tom informal, muito dinâmico e vivaz e que também inclui música. Com tanta gente para falar em duas horas é preciso música para quê?

No programa «O Amor É», nas manhãs de Domingo na Antena1 (10:00/11:00) de Júlio Machado Vaz e Inês Menezes: um espaço semanal que ronda os 50 minutos que, sendo um programa de palavra, inclui música. Dois temas por emissão, com a segunda e última escolha a fechar a emissão. As escolhas são divididas pelos interlocutores. Para desanuviar, em caso de o assunto da conversa estar a ser um pouco mais difícil? Para mudar de assunto? Mas não raro, retoma-se a conversa no ponto onde tinha ficado. E se às vezes a música até pode caber a propósito, outras vezes é só “porque sim” ou porque – nas palavras do próprio co-autor Júlio Machado Vaz – “Porque me apeteceu”. Simplesmente. E vale a pena?

No programa de Pedro Rolo Duarte, nas manhãs de Domingo na Antena1 (11:00/12:00). Os convidados são predominantemente autores de blogues. Desde os mais conhecidos a outros tantos menos conhecidos ou mesmo completamente desconhecidos, a conversa é cortada e encurtada por música. E, desta feita, a escolha é totalmente da lavra do apresentador, recaindo a selecção em faixas de um só disco. E quem estiver a adorar a conversa não gostar nada desse artista musical? Vive uma hora em conflito entre o “fico” ou vou “picar outra”. É o suficiente para mudar de vez de estação e, a essa hora, a concorrência aperta.


(do que tenho ouvido) Quando a música pode NÃO estar a mais:

No programa «Prova Oral» de Fernando Alvim, com Cátia Simão na Antena3 (2ª a 6ªfeira; 00:00/02:00). Houve um tempo em que as emissões começavam sempre (!) com uma música. E porquê? Certamente porque sim, mas desde há uns tempos que essa pratica desnecessária foi abandonada. O “Fórum” de final de tarde na Antena3 ganhou mais uns minutos de boa conversa num espaço sempre muito concorrido pelos ouvintes e bem preenchido pelos convidados e apresentadores. Não raras vezes termina a saber a pouco.

No programa «Fala Com Ela», de Inês Meneses na RADAR (Sábado 12:00/13:00; Domingo 19:00/20:00). Conversas em forma de entrevista ou entrevista em forma de conversa, com tendência informal e de proximidade. Algum intimismo até. As escolhas são dos convidados (numa fase inicial a primeira e última escolha pertenciam à autora) e contribui para se revelarem um pouco mais através das músicas que levam ao programa. Às vezes vem mesmo a propósito da conversa. Podiam era ser menos. São quatro, sendo a última escolha a que encerra o espaço.


(do que tenho ouvido) Quando a música NÃO está a mais:

No programa de Jorge Afonso na Antena1 (2ª a 6ªfeira; 00:00/02:00). O espaço é suficientemente alargado e pouco ficará por dizer, ou seja, a presença da música não compromete a densidade da palavra. O equilíbrio acontece aqui como em mais nenhum dos anteriores programas descritos. É, neste aspecto, o melhor exemplo que conheço.


Nota final: Alguns destes e outros programas de palavra são disponibilizados na Internet (audição/download/podcast) e pode-se saltar por cima da música para se chegar de novo à palavra. E quando isso acontece – creio que maioria dos cibernautas o faz – só reforça a convicção de que a música está mesmo a mais.
-----------------------------------------------------------------------------------------
O que eles dizem (43)










E a rádio? "Deixei de colaborar com a Antena 1, em Dezembro", disse. E porquê? "Bom, espero que tenha sido por questões financeiras e não por outra coisa qualquer", respondeu o humorista. O Tal País era um programa de crónicas na Antena 1, da RDP, que Herman José começou a fazer em Abril último. Aliás, a rádio foi um meio que Herman José sempre privilegiou, até porque sempre serviu de laboratório para experiências e onde nasceram programas e rubricas como Boião de Cultura, Herman Zap e Herman Enciclopédia e muitos dos seus "bonecos".

Herman José
In: «Diário de Notícias», Entrevista de Tiago Guilherme
Terça-feira 15 de Janeiro 2009












Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

R.I.P.?













Ao longo desta semana tem-se ouvido na Rádio um convidado [sob o pretexto de ser Figura Pública] a escolher música dizendo que Grace Slick, a incrível vocalista dos extintos Jefferson [“White Rabbit”] Airplane, já morreu. "Infelizmente já falecida", citando à letra. É uma ocorrência que sobeja quando se põe a falar pessoas que são conhecidas por outros méritos – daí serem figuras públicas ou com forte exposição pública – mas não por percebem de música (embora haja excepções).
Mas os “assassinatos” em directo, ou em diferido, também já foram subscritos por parte de quem devia perceber do que fala. Profissionais de Rádio, nas funções de animadores e jornalistas. E não por lapso, mas por “certeza” ou “convicção”. A falsa certidão de óbito não vem só na caixa do correio. Também pode vir da Rádio. Difundidas pela coluna do receptor já ouvi decretadas as “mortes” de, por exemplo, Brian Wilson ou Robert Wyatt. Venerandos senhores da música que, apesar de terem tido várias vidas ao longo da vida, ainda gravam discos e dão espectáculos para largas assistências. Sabendo-se que a morte chega a tempo de nos apanhar a todos – até aos ídolos! – mais vivo que eles não se pode estar. Grace Slick que o diga.

-----------------------------------------------------------------------------------------------
O que eles dizem (42)

O que surgiu primeiro? A música ou o sofrimento?
As pessoas receiam que os miúdos vejam filmes violentos, que venham a ser dominados por uma cultura de violência. Ninguém se rala que os miúdos ouçam literalmente milhares de canções sobre desgostos de amor, rejeições, dor, sofrimento e perda.
Eu ouvia música pop porque me sentia terrivelmente infeliz? Ou sentia-me terrivelmente infeliz porque ouvia pop?


John Cusack
In: «Hi-Fidelity» de Stephan Frears (2000)
Texto original em inglês aqui

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Os Óscares na Rádio










Em Portugal, em rádios de dimensão nacional, a transmissão em directo aconteceu na Antena3 e no RCP.
Na Antena3 a continuação dos últimos anos. Emissão conduzida por Jorge Alexandre Lopes [e Paulo Castelo, nos estúdios em Lisboa] com Álvaro Costa, José Paulo Alcobia, Tiago Alves e João Lopes [este ano no Café-Concerto do Teatro Rivoli no Porto].
No RCP, emissão conduzida pela jornalista Sofia Frazoa com dois convidados em estúdio: Cláudia Nunes e Rui Pedro Vieira.
A transmissão da Antena3 é a mais completa e a mais bem comentada. No entanto, levanta-se a questão: porquê na Antena3? O terceiro canal de radiodifusão da RDP é um canal destinado a um público jovem. Acontece que a cerimónia dos Óscares de Hollywood é um acontecimento transversal a várias gerações e daí, em minha opinião, ser mais apropriado ser transmitido no canal generalista que é a Antena1. A Antena3 não é o canal alternativo da Antena1. Ou é?

A maior festa mundial do Cinema, a ser transmitida pela RDP, só faz sentido na Antena1

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Rádio Nostalgia

Janeiro 2009



Neste Janeiro gelado, aquece-se a memória através da saga da arqueologia sonora. Mais uma reaquisição resgatada ao passado. Desta feita com o acompanhamento das imagens que, salvo erro, foram emitidas pela primeira vez em Portugal no programa «Vivamusica» na RTP. Na Rádio, esta canção rodava amiúde nas emissões em FM da Rádio Comercial pela mão de Luís Filipe Barros e outros. Estávamos em 1982. A vocalista Dale Bozzio, ex-coelhinha da revista Playboy (na altura eu não sabia disso!), impressionava pelo arrojo no visual, pelo menos à luz dos padrões da sociedade portuguesa de então. "Words" dos Missing Persons (Los Angeles, 1980-1986) foi o maior sucesso da banda formada pelo baterista Terry Bozzio, músico conhecido por ter feito parte da banda de Frank Zappa. E, como é do conhecimento dos grandes apreciadores, Zappa não se deixava rodear senão pelos melhores.
O presente resgate de "Words" (tema gravado em 1981) é, mais uma vez, obra do companheiro da Rádio Pedro Picoto que, a par de outros, não conhece freio no rebuscar de signos rememorativos de outrora. Do nosso "outrora-agora". E continua!












Outro nostálgico dos 'eighties' é Tarzanboy, autor do blogue «Queridos Anos 80» - o tal blogue que dava um grande programa de Rádio. Sempre atento, sempre actualizado em relação à década a que se dedica. No próximo dia 21 de Fevereiro (Sábado, 22:00) mais uma das festas alusivas aos anos 80 (na vertente pop/comercial). É a 17ª e realizar-se-á no espaço «Ar D'Mar», em Vila Nova de Gaia. Pela primeira vez, as festas «Queridos Anos 80» sairão da cidade do Porto. O próprio Tarzanboy, no papel de DJ, estará fisicamente presente a cruzar discos para os dançantes. Go Ahed!

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Groove is in the heart
















Vai na 5ªedição o podcast «Deep Mode». Foi inaugurado por Hugo Pinto no dia 11 de Dezembro de 2008. Uma outra faceta do autor do magnífico podcast musical «Miss Tapes». Desta feita, mais movimento nos alinhamentos musicais. Um outro lado anteriormente escondido e agora revelado. «Miss Tapes», repleto de paisagens contemplativas e reflexivas, anulavam por natureza um espaço mais acelerado e ritmado, agora contemplado em «Deep Mode». Mantendo a qualidade de «Miss Tapes», «Deep Mode» é um assumido "lado b" de Hugo Pinto. Na verdade, todos nós não somos 'apenas um'. De equilíbrios se faz a vida e a complementaridade está, no tempo presente, devidamente encontrada na expressão artística do podcaster Hugo Pinto. Eu entro na dança! E vocês?

Deep Mode reúne "mixes" de música que vibra com palavras como "viagem", "sonho", "hipnose", "ritmo", "balanço", "espaço" e "movimento". Deep Mode será uma espécie de "lado b" virtual das Miss Tapes. Ou uma sombra (coberta por reflexos de bola de espelhos). Músicas alinhadas seguindo uma narrativa e um instinto para ouvir com um só pensamento: "Groove is in the heart".

http://deep-mode.blogspot.com/

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:

















Butcher The Bar
23 de Janeiro de 2009 (22h00)
Salão Brazil – COIMBRA

Links:
Butcher The Bar - MySpace
Last Fm da Lugar Comum
Last Fm do evento
Preço € 5 (+ oferta de pin para associados)
A reserva das entradas poderá ser efectuada preferencialmente através do endereço prettysongsdontlie@gmail.com (com indicação de número de bilhetes pretendido, Nome, BI e Contacto) ou telefonicamente junto do Salão Brazil (Tlf: 239 824 217) com as indicações já citadas.












Na solidão do seu quarto, em Rotherdam (UK), Joel Nicholson (aka. butcher the bar), assinou as composições de Sleep at your own speed; um álbum que pela sua atmosfera acústica e frágeis vocalizações, tem captado a atenção de muitos daqueles que seguem de perto o legado de nomes como Elliott Smith ou Nick Drake. Aposta da reconhecida editora europeia Morr Music, Joel incorpora no seu trabalho o traço que define a já denominada bedroom folk, ou seja, um processo criativo autónomo, que depende apenas do DIY, executado sem sair de um estúdio improvisado em casa. O recurso a um simples laptop, ou a instrumentos comprados em "flea markets", é ilustrativo do desprendimento e da ingenuidade deste registo. Cada nota transporta a fragilidade e a honestidade da sua interpretação. A cada momento sentimos o pudor de invadir um espaço que parece pertencer apenas a Joel Nicholson. Espera-se por isso um concerto envolvente e intimista.
LUGAR COMUM - associação de promoção e divulgação cultural

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

LINHAS CRUZADAS # 27












Está on-line a edição nº 27 da crónica «Linhas Cruzadas».

Esta é a última edição das «Linhas Cruzadas» no «lado B». Agradeço a oportunidade concedida pelo autor do programa, Pedro Esteves, para trazer aqui, a este espaço que assinei durante exactamente três anos, alguns cruzamentos que a música tem produzido ao longo da História, tendo como preocupação essencial estar em sintonia com a paisagem e ambiente alternativo do «lado B».
Foi a minha estreia em formato podcast, para além da contínua passagem em simultâneo por diversos éteres aqui e além fronteiras (Rádio Ocidente; Antena Miróbriga; Rádio Voz do Entroncamento; Rádio Zero; Euradio Nantes).
O conceito das «Linhas Cruzadas» foi sempre o de trazer à tona momentos escondidos ou esquecidos de pessoas autoras de música que – algures a propósito de algum ideal – se encontraram para produzir algo em comum.
Esta não é uma despedida; é sim um fim de ciclo para dar lugar à inauguração de um outro e novo ciclo. Como disse o grande poeta brasileiro Vinicius de Moraes: “A Vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na Vida”.
O encontro de que vos falo hoje é entre um homem e uma mulher. Brendan Perry e Lisa Gerrard juntaram-se há trinta anos, em 1979. Nesse ano, na Austrália, fundaram a primeira formação embrionária de um projecto musical que pouco mais tarde viria a ter o nome de Dead Can Dance. Desde cedo perceberam que na Grã-Bretanha teriam as suas expectativas artísticas devidamente satisfeitas e, com uma mão à frente e outra atrás, rumaram a Londres onde, em apenas três anos, viram compensada tamanha aventura na vida. Viveram juntos vinte anos e, depois disso, seguiram caminhos separados ainda que artisticamente unidos por algum tempo. Lisa Gerrard regressou à terra natal na Austrália, Brendan Perry continuou na sua igreja-estúdio na ancestral Irlanda.
A arte do reencontro aconteceu em 2005 para uma digressão mundial da qual não há, pelo menos por enquanto, um disco ilustrativo desses espectáculos que esgotaram lotações na Europa e na América. Há no entanto o registo de um memorável concerto ao vivo dos Dead Can Dance nos Estados Unidos, em Outubro de 1994, naquele que foi o derradeiro espectáculo ocorrido no Mayfair Theatre em Santa Mónica, na Califórnia. Depois, o teatro foi demolido por causa da instabilidade estrutural provocada por um abalo sísmico.
Neste início de 2009, os Dead Can Dance continuam algures por aí… e nós também.

Ouvir/download/podcast


Este não é o fim da linha para as «Linhas Cruzadas». As edições vão continuar aqui, na «Rádio Crítica», com a manutenção de uma crónica mensal e que, para além das imagens e texto, terão publicação em podcast e permanecerão em linha para descarga do ficheiro sonoro (download). Em Fevereiro próximo a edição nº 28.

Os Dead Can Dance estão na agenda deste ano na «Rádio Crítica». Na celebração dos 30 anos da fundação embrionária da banda liderada por Brendan Perry e Lisa Gerrard, irão aparecer aqui ao longo de 2009 os momentos chave das três décadas da formação que foi um dos três nomes fundamentais da editora independente britânica 4AD nos anos 80 e 90.
Também os Cocteau Twins serão aqui evocados, igualmente a propósito das três décadas da fundação do grupo de Robin Guthrie e Elizabeth Fraser.
Neste ano 2009, Dead Can Dance e Cocteau Twins reforçam a infindável lista de artistas que não passam na Rádio. Pelas razões menos nobres, também eles fazem parte da série de "Songs They Never Play on The Radio".

Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

Bossa Nova – 50 Anos 50 Clássicos (50)
















Chega hoje ao fim a série "Bossa Nova 50 anos 50 clássicos" aqui na «Rádio Crítica». A última canção a figurar não podia ser outra a não ser o maior dos muitos e bons clássicos da Bossa Nova: "Garota de Ipanema».
É uma das canções com mais versões em todo o mundo. São incontáveis e encontram-se na casa dos milhares. Todos os anos são gravadas novas interpretações e é assim desde 1964, depois da histórica gravação do álbum que juntou num estúdio de Nova Iorque João Gilberto, Astrud Gilberto, Antonio Carlos Jobim e Stan Getz.
Desde as actuações no Au Bon Gourmet, em 1962, no célebre acontecimento conhecido por "O Encontro", que João Gilberto e Antonio Carlos Jobim não actuavam juntos. Fizeram-no pela segunda vez 30 anos depois e já sem Vinicius de Moraes. É desse reencontro que surge esta interpretação de "Garota de Ipanema", em 1992.

João Gilberto: Tom, e se você fizesse agora uma canção que possa nos dizer, contar o que é o amor?

Tom Jobim: Olha Joãozinho, eu não saberia sem Vinicius para fazer a poesia.

Vinicius de Moraes: Para essa canção se realizar, quem dera o João para cantar.

João Gilberto: Ah, mas quem sou eu, eu sou mais vocês, melhor se nós cantassesmos os três.

GAROTA DE IPANEMA
(Tom Jobim/Vinicius de Moraes)

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem que passa
Num doce balanço
A caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado
É mais que um poema
É a coisa mais linda
Que eu já vi passar
Ah, porque estou tão sozinho?
Ah, porque tudo e tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo sorrindo
Se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor
















João Gilberto é, de todos, o artista mais representativo do movimento Bossa Nova. É, em 2008, o maior ícone vivo da cultura brasileira.
Vinicius de Moraes o poeta diplomado da Bossa Nova, ou como o próprio se decretou, o branco mais preto do Brasil. Nenhum outro escreveu o Amor na música como ele.
António Carlos Jobim o Maestro soberano, que exalava melodia por todos os poros. Sabiamente refutou a ligação da Bossa Nova ao Jazz no sentido de não aceitar a Bossa Nova como sendo um género derivado do Jazz, mas sim um género totalmente novo. E tinha razão. Há ligações da Bossa Nova ao Jazz, mas apenas em cruzamento. Têm origens muito diferentes e distantes. Bossa Nova é SAMBA!

Astrud Gilberto
É dela a voz que canta a parte em inglês da canção. Primeira mulher de João Giberto e a primeira com quem «O Mito» partilhou a vocalização de uma canção.
A verdadeira e total internacionalização da Bossa Nova aconteceu a partir daqui, mas ainda na década de sessenta viria a ter um segundo e grande momento além fronteiras e outra vez com origem nos Estados Unidos. Frank Sinatra, encantado pela beleza melódica e pela plasticidade da Bossa Nova, telefona a Antonio Carlos Jobim a convidá-lo para gravarem um disco. Foi em 1967 que aconteceu «Francis Albert Sinatra & António Carlos Jobim». Nesse trabalho encontram-se novas versões de clássicos da Bossa Nova. Para além da "Garota de Ipanema"/"The Girl From Ipanema" estão "Insensatez"/"How Insensitive"; “Dindi”; "Meditação"/"Meditation"; “Corcovado”/Quiet Nights of Quiet Stars” e “O Amor Em Paz”/”Once I Loved”. No ano seguinte, «Francis Albert Sinatra & António Carlos Jobim» ganha o Grammy de melhor álbum, tirando o prémio ao álbum «Sjt. Pepper' s Lonely Hearts Club Band» dos Beatles.

THE GIRL FROM IPANEMA

Tall and tan

And young and lovely

The girl from Ipanema

Goes walking

And when she passes

Each one she passes

Goes ahhh

When she walks

She's like a samba

That swings so cool

And sways so gently

That when she passes

Each one she passes

Goes ahhh

Oh, but he watches so sadly

How can he tell her he loves her

Yes, he would give his heart gladly

But each day when she walks to the sea

She looks straight ahead not at he

Tall and tan

And young and lovely

The girl from Ipanema

Goes walking

And when she passes

He smiles but she doesn't see

She just doesn't see

Antonio Carlos Jobim & Frank Sinatra num especial da TV norte-americana. O maestro tropical divide as luzes da ribalta com a voz de veludo. Um medley do álbum que gravou com Sinatra que inclui, para além de outros clássicos da Bossa Nova, "The Girl From Ipanema" na versão bilingue. É notável a coragem de Jobim em cantar ao lado do então melhor cantor do mundo!


Outra interpretação bilingue Português/Inglês de "Garota de Ipanema"/"The Girl From Ipanema". António Carlos Jobim com o crooner norte-americano Andy Williams no dia 15 de Março de 1965.




Antonio Carlos Jobim & Vinicius de Moraes – "Garota de Ipanema"
Ao vivo em Itália, na cidade de Milão no dia 18 de Outubro de 1978. Com Vinicius e Jobim estavam também Toquinho e Miúcha. Uma histórica digressão pela Europa onde só faltou mesmo a presença de João Gilberto. No final da canção, Vinicius de Moraes relembra com Jobim como "nasceu" a Garota de Ipanema.




Joao Gilberto & Caetano Veloso - "Garota de Ipanema"
Meste João e discípulo Caetano ao vivo na capital do país das pampas no ano 2000.



Nesta série faltaram vários outros clássicos – alguns dos mais antigos – que não puderam ser aqui apresentados por inexistência de vídeos ou, a existirem, por escassez de qualidade para uma devida apreciação. Canções como "Bolinha de Papel”, “Trevo de Quatro Folhas”, “Coisa Mais Linda”, “Trenzinho (Trem de Ferro)”; “Saudade Fez Um Samba”, “Amor Certinho”, “Maria Ninguém”, “A Primeira Vez”, “Presente de Natal”, “Só Em Teus Braços”, “O Nosso Amor”, “Se é Tarde Me Perdoa” ou “Você Já Foi à Bahia?” ficaram de fora da série "Bossa Nova 50 anos 50 clássicos". Crónicas que deveriam ter passado na Rádio. Não passaram na Rádio, mas passaram aqui durante cinquenta dias até ao fim deste ano. Textos inicialmente escritos para Rádio adaptados para leitura on-line.




















Hoje, meio-século depois do grande começo, a Bossa Nova continua nova e é permanentemente renovada. Em todos os quadrantes do mundo ela é ouvida, consumida, apreciada e difundida.
As mais célebres composições de Tom Jobim ouvem-se nos mais diferentes locais desde aeroportos, hotéis, metropolitano, salas de espera, videowalls e, para além de tudo o mais, em rádios de todos os países dos cinco continentes.
Incrivelmente fresca e cristalina, a Bossa Nova continua o seu rejuvenescido percurso na cultura brasileira e mundial através de nomes como Bebel Gilberto, Paula Morelenbaum, Bossa Cuca Nova, Suba, Cazuza, Trio Jobim, Vinicius Cantuária, Arto Lindsay, Kátia B, Cibelle, Celso Fonseca, Erlon Chaves, Isabelle Antena e muitos outros.

As composições da Bossa Nova falam de amor, sonhos, desilusão e esperança. Referem a redenção do Homem e da Mulher através do Samba. Procuram a paz e a harmonia da vida. São letras tristes, na sua maioria, mas que buscam quase sempre uma saída airosa com final feliz. Dão largo espaço ao futuro. A simplicidade das intenções juntamente com a sofisticação dos arranjos conferem à Bossa Nova uma beleza única. É por ser uma grande Arte que resiste incólume à passagem do Tempo.

Reportagem da TV brasileira sobre João Gilberto: ver aqui


BOSSA NOVA – 50 ANOS 50 CLÁSSICOS
Para ler, ver e ouvir: 'clicar' sobre o nome das canções

01-CHEGA DE SAUDADE
02-
DESAFINADO
03-SAMBA DE UMA NOTA SÓ
04-O PATO
05-BIM BOM
06-O BARQUINHO
07-
CORCOVADO
08-INSENSATEZ
09-SAUDADE DA BAHIA
10-MANHÃ DE CARNAVAL
11-O AMOR EM PAZ
12-ÁGUAS DE MARÇO
13-
A FELICIDADE
14-ROSA MORENA
15-SÓ DANÇO SAMBA
16-ÁGUA DE BEBER
17-ELA É CARIOCA
18-
DINDI
19-SAMBA DA MINHA TERRA
20-EU VIM DA BAHIA
21-OUTRA VEZ
22-ESTE SEU OLHAR

23-MEDITAÇÃO
24-AQUARELA DO BRASIL
25-MORENA BOCA DE OURO
26-
CARINHOSO
27-SAMBA DO AVIÃO
28-AOS PÉS DA CRUZ
29-LOBO BOBO
30-EU SEI QUE VOU TE AMAR
31-
NÃO VOU PARA CASA
32-É LUXO SÓ
33-VOCÊ VAI VER
34-PARA MACHUCAR MEU CORAÇÃO
35-O GRANDE AMOR
36-
É PRECISO PERDOAR
37-SEM COMPROMISSO / RETRATO EM BRANCO E PRETO / TRISTE
38-
AVARANDADO
39-ESPERANÇA PERDIDA
40-SAMPA / MENINO DO RIO
41-
DORALICE
42-VIVO SONHANDO / LOUCO
43-CORDEIRO DE NANÃ / DE CONVERSA EM CONVERSA
44-BRIGAS, NUNCA MAIS / DISCUSSÃO
45-VOCÊ E EU / SE É POR FALTA DE ADEUS
46-RONDA
/
FOTOGRAFIA
47-ACONTECE QUE EU SOU BAIANO / CORAÇÃO VAGABUNDO
48-VOCÊ NÃO SABE AMAR / EU SONHEI QUE TU ESTAVAS TÃO LINDA
49-ASTRONAUTA (samba da pergunta) / WAVE /
ISTO AQUI O QUE É
50-GAROTA DE IPANEMA / THE GIRL FROM IPANEMA