sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Uma surpresa com quase 20 anos

As Noites Longas do FM Estéreo
Histórias com disco ao meio






Um ouvinte interessado em contribuir para a satisfação da nostalgia radiofónica da década de 80, fez um delicioso podcast com gravações do mítico programa «As Noites Longas do FM Estéreo» (1982-1988) de António Santos na Rádio Comercial. Teve a amabilidade de o disponibilizar para quem quiser usufruir estas três horas de pura viagem ao passado, afinal aqui tão perto ainda, mas que parece ter acontecido há séculos. Muito diferente está a actual rádio daqueles dias. Durante as três horas disponibilizadas, apercebemo-nos aqui e ali das marcas do tempo, mas ainda hoje, este programa deixa envergonhadíssima a maior parte da rádio que se practica em Portugal.

Uma viagem virtual a uma qualquer noite de domingo do ano de 1987. Algures entre as 21 e a meia-noite no FM Estéreo da Rádio Comercial.

O ponto alto deste podcast é, sem dúvida, os famosos contos curtos. E poderá ouvir, ao longo das 3 horas de emissão, nada menos do que 6 deles, entre publicidade dedicada ao patrocinador do programa, Cristal Atlantis. Poderá até recordar a famosa frase de despedida "Então boa noite e bom soninho, se for caso disso". Espero que este podcast possa ter em si o efeito equivalente a viajar até à porta daquela antiga morada e ficar a espreitar, de fora, a saborear recordações e sensações há muito guardadas. Quando as recordações são boas poucas coisas podem ter um sabor tão doce. Se for este o seu caso venha então comigo recordar "As Noites Longas do FM Estéreo".

O exemplo deste ouvinte deveria servir de estímulo a muitos mais ouvintes que possam e queiram generosamente disponibilizar gravações que possuam de programas antigos. Vamos a isso?

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

+ memórias e actualizações de 80

Durante o verão foram chegando mais contributos para a verdade histórica de alguma da melhor rádio que se praticou em Portugal durante os anos oitenta.
Continuo a agradecer a valiosíssima atenção por parte dos leitores/ouvintes da Rádio Crítica.

O programa do Ruy Castelar chamava-se "Clube da Manhã" e ia para o ar de 2ª a 6ª feira das 10:00 às 12:30; posteriormente prolongou-se até às 13:00. Da equipa faziam parte: Ruy Castelar, Maria Alexandra (realizador e locutora), Carlos Rebelo, Policarpo de Freitas, Teresa Pizarro, Isabel Risques, Xavier de Magalhães, Gustavo Fontoura, Carlos Castro e tantos outros que por lá passaram.


Sobre a profissional Maria Alexandra nomeada acerca do programa «Clube da Manhã» de Ruy Castelar na Rádio Comercial:

Quanto à Maria Alexandra, (vinha da Rádio Renascença onde tinha feito "jornal da mulher" – 2ª a 6ª à tarde - e "hora de música" – à noite de 2ª a 6ª) depois da sua estreia em 1982 ao lado do Castelar no "Clube da Manhã", permaneceu na Comercial até 1993, assinando vários programas. E, se a memória não me falha...

"O Sabor da Música" – 2ª a 6ª, das 21:00 às 22.00, FM, patrocinado pelo "Chocolate Jubileu Classic, a arte de bem fazer chocolate" (simultaneamente fazia o "Clube da Manhã" com o Castelar)
"Café Expresso" – 2ª a 6ª das 7:00 às 10:00, FM (musica, informação, trânsito, várias rubricas, etc.)
"Meia-Praia" – Domingo, 10:00 às 13:00, FM
"Um Domingo no Parque" – manhãs de Domingo, FM (não me lembro do horário)
"Um toque de Classe" – fins de semana, FM das 23:00 às 01:00
"A ilha dos tesouros" – 2ª a 6ª, fim de tarde, FM
"A Maria e o Manel" – 2ª a 6ª, tardes, Onda Média com Manuel Luís Goucha
"O 6º Sentido" – 2ª a 6ª, tardes, Onda Média com Filomena Crespo (actualmente na Antena 1) e Dina Isabel (actualmente na Renascença)
"Célebres e Ricas" – com Ana Luz (não me lembro nem do horário nem dos dias em que ia para o ar!).

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Terra Pura













Querem conhecer um programa de rádio com grande qualidade? Então ouçam isto:
O programa chama-se «Terra Pura», o realizador chama-se Luís Rei. A apresentação é profissional, e o apresentador sabe do que fala. Luís Rei é um conhecedor da chamada “World Music” e é essa a temática do programa «Terra Pura». Foi para mim uma descoberta feliz, esta através da Internet.
A música de carácter tradicional, a chamada “World Music”, está banida dos éteres nacionais. Sempre foi uma corrente artística estratificada, mal aceite e até mesmo espezinhada pela rádio em Portugal. Houve, no entanto, vários momentos de visibilidade, quase sempre fruto da insistência de profissionais que, ainda com algum fôlego fora das playlists, conseguiam arranjar força de vontade e coragem para colocarem um pouco do enormíssimo mundo da música tradicional na vitrina das estações para as quais trabalhavam. Assim aconteceu na TSF, na XFM e na VOXX. Foram os melhores exemplos que ouvi.
Hoje em dia, a nível nacional, apenas a Antena2 e a Antena3 têm espaços dedicados às músicas do mundo, nos programas «Raízes» (2ª a 6ª / 13:00-14:00) e «Planeta 3» (Domingo / 22:00-23:00) respectivamente. Não sei se é oferta que chegue. Eu acho que não é, mas pelo menos encontra-se no serviço público de radiodifusão.
O universo destes sons é tão imenso, tão desmesurado em quantidade e qualidade que parece-me sempre que o espaço existente para a sua divulgação é por demais insuficiente. «Terra Pura» é mais um contributo importante para diminuir essa lacuna.
Tão encharcados que estamos de música pop comercial anglo saxónica, monopolizadora das rádios em Portugal, que quando se ouve um bocado da voz da terra sente-se uma frescura de espírito, um vigor auditivo, que apetece saborear por muito mais tempo.
«Terra Pura» também inclui entrevistas com músicos.
Não sei se é um programa de rádio a sério com podcast, ou um podcast a sério na rádio. Talvez seja ambas as coisas.
Claro está que este é um tipo de produto só para certos ouvidos, por isso, vida longa nesta terra!
Encontra-se na Rádio Hertziana, na Internet em formato Podcast e também para escuta.

Podcast:
http://podcast.radio.ist.utl.pt/terrapura.xml

Links:
http://www.cronicasdaterra.com/cronicas
http://www.cronicasdaterra.com
http://cronicasdaterra.weblog.com.pt

Rádios:
Zero (Internet) - Sábados - 12h / 14h e Segundas 17h / 19h
Rádio Universitária do Minho (Braga) - Sábados - 13h / 15h
Química FM (Cascais)- Domingos 13h / 15h
Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Domingos 22h / 24h

Sirvam-se desta «Terra Pura» que nos há-de comer!

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Coisas do Verão 2006 (5)















Num verão de férias atípicas, para mim, o belo e a consolação foi poder assistir a este programa de televisão (a Rádio estava a ser desinteressante demais...).

26 proeminentes figuras das artes e das ciências (alguns prémios Nobel, outros que o viriam a ser) são convidadas a reflectir sobre o que é o belo e a consolação. Um programa raro, que aborda a vida de forma sensível, humanística e filosófica, merecedor de ser tocado com mãos de veludo, mas que foi literalmente tratado com os pés pela SIC. Nunca foi promovido pela estação; o horário de transmissão – sempre desrespeitado – nunca aconteceu antes das duas da manhã; os dias de transmissão eram incertos; o sítio na Internet e o Teletexto da SIC nem sempre disponibilizavam a hora certa e o convidado(a); o programa esteve muitas vezes inserido na programação/categoria de Cinema (!); a ordem de transmissão original nunca foi respeitada (havendo programas que referenciavam convidados anteriores, mas que a SIC ainda não tinha transmitido); muitos dos programas emitidos eram abruptamente interrompidos para darem lugar a intervalos intermináveis recheados de sexo e violência; na imprensa, os jornais na programação diária de TV, publicavam informações contraditórias, com nomes trocados; etc, etc.* Um preço altamente penoso para os espectadores interessados. Na SIC, para se conseguir ver um programa decente como este, é preciso possuir um elevado espírito de sacrifício, acompanhamento permanentemente vigilante e passar a noite em claro.**

Wim Kayzer, o jornalista e escritor holandês foi o autor deste projecto televisivo. Não se limitou à postura redutora de mero entrevistador. Fez considerações, confidenciou experiências pessoais, expôs pontos de vista particulares, foi muito para além do previsível, do politicamente correcto. Ultrapassou muitas vezes o que aquilo se pode designar por “uma boa conversa”. Foi actuante e absolutamente decisivo para o magnífico produto final. Grande parte dos convidados – sem se conhecerem mutuamente, sem saberem e sem tão pouco terem visto os outros entrevistados – disseram o que todos os jornalistas entrevistadores sonham ouvir: “Essa é uma excelente pergunta!”. Um dos convidados não hesitou em dizer: “Mas que deliciosa questão!”.
A pergunta certa e surpreendente não é a única característica de Wim Kayzer… ele deixa o interlocutor falar sem interrupções. Dá tempo, dá espaço para que os entrevistados possam explanar sem quaisquer restrições o fio condutor do raciocínio. Isso criou por vezes espaços de aparente vazio, mas eram momentos de um silêncio prodigioso, pleno de comunicabilidade. Não se conhece em Portugal nenhum entrevistador assim. Nas televisões e rádios nacionais predomina o ruído comunicacional frenético. As pessoas entrevistadas são atropeladas no discurso a todo o instante, os pensamentos perdem-se, as frases são cortadas, o raciocínio é incinerado por uma pergunta estúpida ou desnecessária, para logo a seguir acabar-se com a “conversa”. Na actual rádio portuguesa, apenas Ana Sousa Dias está próxima desta postura correcta, a de deixar o protagonismo para o entrevistado. O resto é um sofredor desfilar de vaidades umbiguístas. Há entrevistadores que falam mais que os entrevistados. Fazem a pergunta, dão a resposta, comentam e (re)tiram a conclusão. Em Portugal existe a ideia (vício?) errada e perversa de se pensar que um bom entrevistador é aquele que está sempre a fazer sentir a sua presença, interrompendo e encurralando o entrevistado. Por vezes até humilhando-o. Um bom entrevistador é como um árbitro. Só é bom se não se der por ele mas, no entanto, está lá sempre que é preciso. E é insubstituível.

Este é Wim Kayzer, o autor do programa. Se o virem por aí, cumprimentem-no. É o melhor entrevistador do mundo!


















A série de programas «O Belo e a Consolação» foi realizada na segunda metade dos anos 90, abrangendo os cinco continentes e emitida originalmente pela TV pública holandesa entre Janeiro e Julho de 2000.
Em Portugal, os direitos de transmissão são um exclusivo da SIC, que os transmitiu pela primeira vez no verão de 2000, sempre nas condições de marginalidade com que repetiu neste verão de 2006. Já em Março deste ano – e sem anúncio prévio – a SIC transmitiu descontinuamente três dos 26 programas da série.
Na TV pública holandesa, a série passou sempre à mesma hora e no mesmo dia da semana durante o chamado horário nobre. Foi depois editada na sua totalidade em Vídeo e em CD.

*Of Beautiful & Consolation é O Programa Desperdício na televisão errada. Faria muito mais sentido se fosse exibido em canais temáticos (RTP2; RTPN; SIC-Notícias, por exemplo). A ERC, neste caso em particular, tem toda a razão no que diz sobre a SIC.

** Mais um triste exemplo: durante 4 dias (6ª feira; sábado; domingo; 2ª feira) esteve anunciado no sítio da SIC a exibição deste programa para a noite de sábado passado. De repente (3ª feira) foi retirado e apareceu em seu lugar um filme (péssimo!) chamado «Guinevere». O tal programa que esteve anunciado, foi exibido antecipadamente na madrugada de 5ª feira sem que houvesse nenhum aviso prévio!


P.S. 1: Ainda bem que o verão está a acabar. Como telespectador, a SIC é um canal ao qual não quero voltar.
P.S. 2: Para coroar o desvario na programação da SIC, ainda faltava esta: não foram transmitidos todos os programas da série!

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Coisas do Verão 2006 (4)

Foi este o disco que mais escutei nestas férias (atípicas) de verão. Não em nenhuma rádio!
O disco também é atípico.




















Scott Walker não gravava há onze anos. É uma personagem cheia de interesse e mistério.
«The Drift» fez-me recuperar de ouvido os Walker Brothers (anos 60) e o próprio Scott Walker a solo nos álbuns «Scott 4» (1969) e «Tilt» (1985). A voz de Scott continua inconfundível e toda a tristeza do mundo que actualmente expressa em «The Drift», já se fazia sentir em canções dos Walker Brothers, disfarçadas de contentamento, como por exemplo o incontornável tema “The Sun Ain’t Gonna Shine Anymore”. Scott é a parcela unificadora de dois tempos e dois mundos aparentemente antagónicos, mas que afinal são um só universo. Talvez uma espécie de paraíso infernal.

É inegável que o acesso à imensa música que se produz nos dias de hoje está muitíssimo mais facilitado em relação a um passado recente. A indústria musical, mesmo a que não é dirigida ás massas, tem uma produção de grandes dimensões em quantidade e qualidade. A chamada "crise da indústria musical" é, tal como todas as outras espécies de crises, uma coisa muito relativa ou mesmo especulada. O que não faltam são novos projectos, novas bandas, novas vozes e conceitos, mas foi preciso um super veterano retornar ao activo para colocar à disposição dos ouvintes, que assim o queiram, O Disco que sacode, perturba – para o bem e para o mal – os conceitos clássicos da música pop alternativa anglo-saxónica.

«The Drift» - que levou sete anos a ser gravado - já nem sequer se pode catalogar como sendo um disco, um álbum de canções nos seus contornos tradicionais. É mais uma sequência narrativa do desespero, da angústia, do grito e da revolta. É uma composição, um anti-disco.
Foi publicado no dia 8 de Maio deste ano pela editora 4AD e é o CD que mais me “consumiu” neste verão (para mim) atípico.
Para ouvir «The Drift» são indispensáveis, pelo menos, dois requisitos fundamentais: sozinho, no escuro, e com auscultadores, para a completa percepção das inúmeras subtilezas sonoras que percorrem toda esta obra ímpar.

É claro e notório que um trabalho com estas características pouco usuais não cabe na curta esfera radiofónica em Portugal, pelas razões que se conhecem, mas «The Drift» dava um bom programa de rádio!
(dava, e vai dar…)

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Coisas do Verão 2006 (3)

A recuperação de algum do tempo perdido é uma vantagem das férias, principalmente se forem férias atípicas. Marcel Proust tinha toda a razão em «À la recherche du temps perdu»:

“E o prazer que lhe dava a música e que em breve ia criar nele uma verdadeira necessidade, assemelhava-se com efeito, em tais momentos, ao prazer que sentiria ao experimentar perfumes, ao entrar em contacto com um mundo para o qual não fomos feitos, que nos parece sem forma porque os nossos olhos não o percebem, sem significado porque escapa à nossa inteligência, e nós só o atingimos por um único sentido.”





















Para os parisienses do século XXI, uma grave escassez de alimentos significa que, ou se come o jantar ou passa-se a ser o prato principal. Talhantes ávidos de lucro começam a cortar os inquilinos às fatias e a vendê-las como lombo de primeira. Felizmente, alguns estranhos habitantes locais conseguiram descobrir formas dissimuladas de sobreviver num mundo atormentado pela praga da desconfiança, da fome e do canibalismo.

Este filme dava um bom programa de Rádio!
(dava, e vai dar...)

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Coisas do Verão 2006 (2)

Férias de verão atípicas e mais algumas das suas vantagens: «Férias em Itália» e a redescoberta de um país que já não é assim, muito menos na estrada.


























O malabarista Zampanò viaja de terra em terra na sua pobre caravana. Verão ou Inverno, tem de se fazer à estrada, para manter a sua miserável existência. Por dez mil liras, compra a pobre de espírito Gelsomina à esfomeada família do seu falecido companheiro.
Num circo conhecem “Il Matto”, cujas piadas irritam Zampanò. Matto convence também Gelsomina que todas as coisas do mundo têm o seu significado. Para Gelsomina, é também a resposta para a questão de saber se deve ou não continuar a suportar a vida itinerante, miserável e dolorosa ao lado de Zampanò. Por culpa de Matto, Zampanò é condenado à cadeia. Com grande vontade de se vingar, dá-lhe uma tareia, acabando por o matar, deixando Gelsomina algures no meio da estrada.
Anos mais tarde, Zampanò descobre que Gelsomina morrera. A solidão e o desespero invadem-no. Soluçando, ajoelha-se à beira-mar…



Uma das obras-primas absolutas do cinema italiano, com realização de Federico Fellini.
Este filme dava um bom programa de Rádio!
(dava, e vai dar…)

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Coisas do Verão 2006 (1)















Umas férias de verão atípicas têm as suas vantagens. Uma delas é a noção, muitas vezes ilusória, de liberdade de tempo. As viagens proporcionam essa sensação e Veneza é sempre uma passagem obrigatória numa coisa chamada «Férias em Itália». Este ano com um toque de classe cinematográfico, na ilha de Lido: «Morte A Venezia».

O compositor Gustav Aschenbach, de férias no estrangeiro, parece um homem reservado e civilizado. Mas o encontro inesperado com alguém de rara beleza vai inspirá-lo a entregar-se a uma paixão oculta que pressagia um trágico destino.
O realizador Luchino Visconti transforma a obra clássica de Thomas Mann numa “obra-prima de força e beleza” (Cue William Wolf). Como o próprio Aschenbach, também Visconti revelava-se obcecado pela sua arte. Os seus filmes vivem de atmosferas lívidas e subtis por baixo de superfícies plácidas e da obsessiva atenção ao detalhe. «Morte em Veneza», um filme enriquecido pela magnífica música de Gustav Mahler e pela inesquecível interpretação de Dirk Bogarde, foi reconhecido como sendo um dos melhores do seu genial criador com a atribuição do Grande Prémio do 25º Aniversário em Cannes.

















Este filme dava um bom programa de Rádio!
(dava, e vai dar…)

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Regressos









A pouco e pouco as estações de rádio vão regressando aos formatos normais depois das férias (prolongadas) de mais um verão. As grelhas vão-se recompondo, mas ainda sem novidades. Neste capítulo ocorre, desde a semana passada, não uma novidade mas sim uma mudança no elenco do programa «Prova Oral» da Antena3. Raquel Bulha transitou para o período da manhã, continuando Fernando Alvim. Na primeira semana Sílvia Baptista substituiu a ausência de Raquel Bulha e esta semana é a jornalista da RTP, Rita Marrafa de Carvalho, quem acompanha Alvim. O objectivo é ter uma presença feminina diferente em cada semana deste mês de Setembro, para depois ficar uma das quatro a tempo inteiro a partir de Outubro. A prestação de Sílvia Baptista foi óptima e o mesmo acontece agora com Rita Marrafa de Carvalho, que anteriormente já tinha marcado presença na «Prova Oral» mas como convidada a propósito da edição de um seu livro. Desconhece-se quais as próximas duas convidadas na apresentação deste fórum interactivo, mas já se sabe que a escolha final não será fácil, assim como não é fácil substituir Raquel Bulha que já era uma das duas partes essenciais no inegável sucesso do programa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

9/11














Há cinco anos aconteceu o que todos vimos e mais o que ainda não sabemos. Todos os media nacionais se viraram para os atentados terroristas e a Rádio, obviamente, não foi excepção. Em 2001, a RDP-Antena1 ainda não tinha a carga noticiosa que hoje possui, pelo que, naturalmente e sem surpresas, foi a TSF a estação de Rádio em Portugal que mais se destacou na cobertura e – principalmente – no pós 11 de Setembro. Isto para concluir duas coisas:

1. Se fosse hoje, a TSF já teria uma forte concorrente a ombrear à altura na cobertura de um acontecimento destes. Dependendo das características do acontecimento e das suas circunstâncias, a Antena1 já assumiria outro protagonismo. Muito à custa de potencial humano que transitou precisamente da TSF. Embora, a meu ver, ficasse ainda muito a dever à Rádio Notícias.

2. A TSF – à semelhança de todos os media que vivem na base da actualidade noticiosa – é uma estação de Rádio que precisa de grandes acontecimentos como de pão para a boca. Foi assim com Timor, foi assim no 11 de Setembro, nas invasões do Afeganistão e do Iraque. Pode parecer sádico e até cruel dizer isto, mas é de uma grande tragédia nacional ou internacional que a TSF necessita para exibir todas as suas capacidades e – aí sim – ser imbatível como sempre foi.
Acontecimentos de grande envergadura, mas que não envolvam tragédia, não são suficientes para causar esse tipo de impacto massivo (Euro 2004; Jogos Olímpicos; Mundial de Futebol; etc.). A TSF é a Rádio dos grandes momentos.
No dia a dia, na previsibilidade da actualidade nacional (ainda por cima num país pequeno onde realmente não acontece nada de verdadeiramente significante), no ram-ram árido do quotidiano, a TSF é rotineira, previsível e repetitiva. O conforto que a previsibilidade oferece tem esse lado chato. Não teria de ser assim e a TSF sabe não ser assim, como ficou muitas vezes provado desde o dia 29 de Fevereiro de 1988. É-o apenas porque actualmente assim o quer. Porque não investe mais profundamente numa programação alternativa a si própria. E todavia, se acontecesse hoje uma tragédia nacional ou mundial, a TSF seria a primeira estação de Rádio a ser procurada pelos ouvintes portugueses. Disso não há a mínima dúvida.
E daqui a cinco anos? Tenho a certeza que continuará a ser assim.