sábado, 30 de outubro de 2010

50 anos de El Pibe de Oro

















A única razão de ser do Futebol é Maradona

A frase não é minha. Encontra-se algures no oceano de frases lapidares que se descobrem na infinidade de dispersões que é a Internet.
Seja de quem for, tem a força de um golo marcado com a mão. A mão de Deus, mas não de um Deus qualquer. A mão de um Deus com pouco mais de um metro e sessenta de altura, que comete todos os pecados que um mortal pode cometer.
Há Maradona e a seguir há Pelé (mais Garrincha, Eusébio, Cruijff, Di Stefano, Puskás, Beckenbauer, Zidane).
O resto são histórias. Algumas (muitas delas) fora de série.

Maradona fez as delícias dos homens da Rádio que tiveram o privilégio de relatar as jogadas e golos do mais completo praticante de Futebol de sempre. Houvesse mais como ele e as narrações de jogos na Rádio teriam ainda mais do seu colorido.
Eis o melhor golo da História em fases finais do Campeonato do Mundo:
(Relatado por ingleses; 1986)



Palavras para quê?
Romário é que tem razão: "Pelé é um poeta quando está calado!"
E Maradona é um poeta mesmo quando fala, principalmente com os pés.

O que eles dizem (52)

Depois de Agostinho e Tomás de Aquino, Maradona é o nosso último grande teólogo.

George Steiner
In: Conferência «A Ciência Terá Limites?» na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, Outubro 2007.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Renascença 2, concorrência 0










(Para quem acredita em sondagens, clicar na imagem para ver em maior dimensão)

Esta Sexta-feira 29 de Outubro, pouco depois das 21.30.
Pela primeira vez – após uma reunião do órgão do Conselho de Estado – o Presidente da República faz uma declaração de viva voz e em directo para todo o país.
Antena1, TSF e Renascença transmitem à mesma hora o jogo de futebol entre o Benfica e o Paços de Ferreira. As duas primeiras estações de Rádio deixam de transmitir o encontro e mudam a emissão para o palácio de Belém para ouvir as declarações do Presidente. A Rádio Renascença mantém-se a transmitir o jogo da Primeira Liga e, num momento parado do jogo e já depois do final das declarações do presidente, resume numa breve síntese o que foi dito pelo chefe de Estado.
Acresce que à mesma hora o Governo e o principal partido da oposição chegam a acordo sobre a aprovação do Orçamento do Estado para 2011.
A política pode ser mais importante que o Futebol, mas não é isso que o povo acha durante um relato do Benfica sem transmissão televisiva em canal aberto e à hora de jantar numa sexta-feira. Durante as declarações do Presidente da República o Benfica marcou o 2-0. E a Renascença também.

Ver na «Rádio Crítica» Renascença 1, concorrência 0

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Meio-século de Pop/Rock português




















Esta semana comemora-se o cinquentenário do surgimento do pop/rock português. A data está a ser assinalada pela rádio pública, através de um disco apoiado pela Antena1. É uma compilação dirigida por Luís Pinheiro de Almeida, que inclui a edição pela primeira vez em CD do mini-álbum (EP) «Calorios da Canção», para além de 25 outros temas seleccionados pelo autor do livro «Os Beatles Em Portugal».
O radialista Henrique Amaro está esta semana na Antena1 a apresentar excertos da compilação de dois CD's. Ouvi num desses espaços a canção "Hully Gully do Montanhês" do Conjunto Académico João Paulo. É um clássico absoluto desses tempos. Data de 1965 e é uma das delícias do disco lançado na passada Segunda-feira.



Hoje, dia 28 de Outubro, passam 50 anos sobre a edição original do EP com canções de Daniel Bacelar e dos Conchas.
Aqui sim, estava a primeira edição em disco do então chamado Yé-Yé português (pop/rock) e não em 1980, com o álbum «Ar de Roque» de Rui Veloso (está agora a fazer 30 anos), como falsamente tem sido apregoado desde então, ficando Rui Veloso conhecido como pai do rock português.

No próximo dia 13 de Novembro o meio-século do pop/rock português será homenageado numa gala organizada pela Sociedade Portuguesa de Autores, no Belém Bar Café (BBC) em Lisboa.
Terá a apresentação de gente da Rádio: Luís Filipe Barros e Ana Bola.

Alinhamento da colectânea «Caloiros da Canção»:

CD I
01 – Daniel Bacelar – Fui Louco por ti
02 – Daniel Bacelar – Nunca
03 – Os Conchas – Oh! Carol
04 – Os Conchas – Quero o Teu Amor

CD II
01 – Daniel Bacelar – Marcianita
02 – Os Conchas – Somos Jovens
03 – Mistério & Fernando Concha – Um Pequeno Nada
04 – Zeca do Rock – Twist Para Dois
05 – Conjunto Mistério – Coimbra Menina e Moça
06 – Conjunto Académico João Paulo – Hully Gully do Montanhês
07 – Morgans – Canção do Mar
08 – Seguirei o Sol – Guitarras de Fogo
09 – Sheiks – Missing You
10 – Duo Ouro Negro – Meadowlands
11 – Demónios Negros – Quero que voltes
12 – Tártaros – Beijos Teus
13 – Álamos – O Comboio
14 – Blusões Negros – Toada Beirã
15 – Rocks – Wish I May
16 – Conjunto Universitário HI FI – Back From The Shore
17 – Espaciais – Espero
18 – Quinteto Académico – Winchester Cathedral
19 – Catherine Ribeiro – Dieu Est à Nos Cotes
20 – Quarteto 1111 – Partindo-se
21 – Grupo 5 – Estrada do Nada
22 – Fliers – Foi o Mar
23 – Zoo – Lovy Dovy Kind of Lovy
24 – Carlos Mendes – Penina
25 – Edmundo Falé – Poema Verde do Espanto

"Sexta-feira, 28 de Outubro de 1960, dia calmo no País e no Estrangeiro. Na véspera, Ben E King tinha gravado “Stand By Me”. Nos tops andava “Twist”, de Chubby Cheker, “Apache”, dos Shadows, “O Sole Mio”, de Domenico Modugno, ou “Muxima”, do Duo Ouro Negro. Discretamente, a Valentim de Carvalho coloca no mercado o EP Columbia SLEM 2062 no formato que os brasileiros apelidam de sanduíche, ou seja, envolto em plástico.Intitulado “Caloiros da Canção 1”, o disco apresenta no Lado A duas canções originais de Daniel Bacelar, “Fui Louco Por Ti” e “Nunca”, e no lado B duas versões em português dos Conchas, “Oh! Carol”, de Neil Sedaka, e “Quero O Teu Amor” (“Should We Tell Him”), dos Everly Brothers.
É o primeiro disco do rock português que aqui se reproduz pela primeira vez em CD, respeitando a capa original.


(…)

Com uma televisão praticamente inexistente e uma indústria discográfica pouco aventureira, o yé-yé vivia sobretudo da rádio e do incontornável programa da Rádio Renascença, “23ª Hora”, de João Martins, e desse delírio juvenil que eram os bailes de finalistas organizados em todo o País pelos Liceus e os bailes de Verão, oportunidades únicas para as paixões.
Com o findar da década de 60 e a frustrada primavera marcelista, o rock português assume novos
rumos e novas ideias, de novo com José Cid, agora ao leme do Quarteto 1111, mas isso são já contas de outro rosário."


a splendid time is guaranteed for all

Luís Pinheiro de Almeida

Preciosas fontes: IÉ-IÉ; Antena1

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Música para uma Rádio progressista












Madredeus & Banda Cósmica anunciam o fim

No dia 19 ficou a saber-se do comunicado de mais um projecto de música portuguesa que chega ao fim. E não faltam culpas apontadas à Rádio feita em Portugal. Tal como há 30 anos, ou há 20 ou há 10.
O comunicado divulgado na terça-feira da semana passada informa que a Banda Cósmica terminou em Dezembro de 2009 por causa da falta de condições.

Extractos do comunicado:

Os concertos não abundam, a rádio e televisão pouco arriscam na divulgação deste tipo de música e a venda de CD's é completamente irrisória.
(...)
«Castelos na Areia» [novo e último álbum editado no passado dia 25, segunda-feira] são onze temas originais, destinados a serem divulgados por uma rádio progressista.

E onde está essa rádio? (pergunto eu); O álbum não deveria antes chamar-se Castelos DE Areia?
O que dizia Pedro Ayres Magalhães há quase dez anos na TSF:

Você mete-se no carro, ou vai passar férias a qualquer lado, liga a rádio e o que se ouve é uma sucessão de pinderequice de música de …
Não podemos dizer que a indústria do momento produz aquela música. Não é verdade! Porque nunca a música foi tão diversificada, nunca houve tantos selos independentes ou criados mesmo nas grandes multinacionais, nunca houve tanta música interessante de fusões e de misturas, de nacionais com músicos de todos os países.
A obra de ninguém suscita o interesse de ninguém.
Têm sido educadas, estas novas gerações, em que o papel da música – o papel social da música – é de acompanhamento. Isto é um drama. É música de fundo.


Ouvir mais aqui

terça-feira, 26 de outubro de 2010

As Vozes em Volta












Excelente reportagem na TSF, da autoria do jornalista Nuno Amaral.
Da série de trabalhos «Portugal Solidário» que contém outras reportagens na Rádio Notícias.
Em tempos de crise anunciada e vivida, aqui encontram-se grandiosos exemplos reais de humanidade e esperança que se podem descobrir por este país fora.

Ouvir aqui / Ver aqui / www.tsf.pt

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Rádio Nostalgia/Outubro 2010 (II)


















Hoje à noite em Lisboa, uma oportunidade de satisfação para nostálgicos e saudosistas da electro-pop comercial dos anos 80.
Concerto na Aula Magna dos ingleses A Flock of Seaguls, de Liverpool. A banda - uma das muitas - que fez furor com alguns e poucos temas de grande sucesso, como são os casos das canções "Wishing (If I Had a Photograph of You)", "The More You Live, the More You Love" e "I Ran (So Far Away)".
No vídeo, o teledisco/videoclip de "I Ran", single editado em 1982, num cenário giratório de espelhos circundantes e folhas de alumínio a mal disfarçarem uma camera fixa.
Curiosamente um cenário muito idêntico a um programa [magazine semanal de entretenimento] da RTP1 na mesma altura e ao fim-de-semana, chamado «Já Cá Canta», apresentado por Luís Pereira de Sousa.
Na Rádio em Portugal já é difícil conseguir apanhar um dos três ou quatro temas de sucesso dos A Flock of Seaguls. Das formações mais conhecidas dos hits de 80, não são das que envelheceram melhor, ou seja, os A Flock of Seaguls não estão a resistir bem à provação da passagem do tempo.
A primeira metade dos anos 80 eram os tempos fluorescentes da indústria musical anglo-saxónica importada em grandes doses pelo mercado nacional e com ampla divulgação na Rádio. Uma festa de luzes, cores e ritmos.
Memórias de um tempo que, podem estar certos, nunca mais voltará a acontecer daquela maneira.
Apenas durante um pedaço de noite. Hoje.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Íntima Fracção 22 de Outubro 1990







DOWNLOAD

Esta é a segunda emissão da «Íntima Fracção» no seu então regresso à difusão a nível nacional na Rádio.
Depois de ter cruzado diversos dados, descobri que a primeira emissão tinha ocorrido uma semana antes.
A chave para esta conclusão foi a edição do semanário «SE7E» (histórico jornal de todos os espectáculos) dessa semana de Outubro em 1990, onde referia a IF na programação da TSF (nova grelha, Outubro 1990 – Junho 1991). A capa nessa edição do «SE7E» era a personagem do Rei Lear, interpretado pelo actor português Ruy de Carvalho. Em entrevista no interior do semanário, o actor congratulava-se pelo orgulho que sentia de finalmente poder interpretar no palco do Teatro a peça que tanto desejava há já tantos anos, ao mesmo tempo em que lamentava ter de o fazer com um saco junto aos pés ligado a uma algália.

A «Íntima Fracção» tinha acabado de cumprir na RDP-Antena1 a sua primeira de várias etapas de vida, de 1984 a 1989. Após esses cinco anos, o programa migrou – sem mácula na autoria e até no horário de transmissão (noites de Domingo para Segunda-feira, das 00:00 às 02:00) – ainda em 1989 para a RJC-Rádio Jornal do Centro/TSF-Coimbra, onde durante alguns meses foi transmitida apenas para o auditório coberto pelo emissor da região de Coimbra. Em Outubro de 1990 chega à rede nacional, mantendo-se até Setembro de 2003.
Esta emissão da «Íntima Fracção» representa os inícios da segunda de várias vidas da IF na Rádio portuguesa. Estava aqui a iniciar-se o período mais duradouro e feliz deste programa de autor realizado por Francisco Amaral.

A gravação agora publicada pela primeira vez na Internet foi obtida através da emissão do 'Ar', registada numa cassete áudio.

Ouvir/download/podcast

P.S: Está prevista outra publicação da «Íntima Fracção» com 20 anos no próximo Natal. A arqueologia sonora continua.


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O coro e a carta











É só impressão minha ou o novo álbum dos Coral faz lembrar os Magna Carta?
É apenas coincidência ou a canção "Dream in August" faz lembrar "Airport Song"?
É ainda impressão minha ou nenhuma destas canções passa na Rádio portuguesa?
Não é apenas impressão. Desta última pergunta tenho a certeza que é assim!

A RADAR passa The Coral, mas não esta canção.
A fantasma-NOSTALGIA (ex-RCP) e por enquanto proto-STAR FM passa contemporâneos dos Magna Carta, mãs não eles.
O resto é deserto. Salvam-se os podcasts de autor.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Indie Songs Don't Lie

Começa amanhã a 2ª edição

Museu Nacional de Machado de Castro COIMBRA
[21 de Outubro de 2010, 21h30] Nils Frahm + Heather Woods Broderick
[22 de Outubro de 2010, 22h00] Gareth Dickson



LUGAR COMUMAssociação de Promoção e Divulgação Cultural

O vídeo tem a voz de Ricardo Mariano, autor do programa de Rádio/podcast «Vidro Azul», que no passado dia 14 completou oito anos de emissões semanais regulares na RUC (Rádio Universidade de Coimbra) e desde há três na RADAR.
O «Vidro Azul» é um programa de autor.
Parabéns pela longevidade e pelo bom gosto sempre demonstrado e comprovado.

Emissão do 8º aniversário + alinhamento

RADAR: Domingo p/ Segunda-feira 00:00/02:00; Quarta-feira 23:00/01:00
RUC: Segunda-feira 23:00/01:00
Podcast: http://www.vidroazul.libsyn.com/
Blogue: http://www.vidroazulruc.blogspot.com/
Entrevista a Ricardo Mariano na «Rádio Crítica» (18.Fevereiro.2006)

Todos os anos, por ocasião do aniversário do programa, Ricardo Mariano realiza uma emissão especial do «Vidro Azul».
Este ano lançou um desafio aos habituais ouvintes sobre temas e canções que tenham escutado pela primeira vez no «Vidro Azul».
Contribui referindo a canção “For Now” de Thomas Feiner & Anywhen e o tema instrumental “Melancholia” de William Basinski. Ambas as referencias fazem parte do alinhamento final do programa dos oito anos. Aparecem na primeira das duas horas.
Ei-los aqui em vídeo:


A escuridão na Rádio

Foi há uma semana, mas está sempre a acontecer













No dia 13 de Outubro a comunicação social de quase todo o mundo estava focalizada na transmissão em directo na incrível operação de resgate de 33 mineiros no deserto de Atacama, no Chile [considerado o deserto mais alto e mais árido do mundo].
As principais cadeias internacionais de TV transmitiram a retirada um a um dos mineiros. As rádios (as que têm informação actualizada) acompanharam todas as etapas. Inclusivamente as portuguesas. E novamente ouviu-se na Rádio aquilo que não devia nunca ouvir-se. Expressões como "não há palavras para descrever a emoção"; "as imagens falam por si"; "as imagens valem por mil palavras"; etc.
Isto é a negação da Rádio. É abdicar do maior predicado da Rádio - que é a palavra - que substitui e até dispensa a necessidade da observação dos factos.
Equivale a dizer: "Veja na Televisão, não ouça na Rádio!"
Infelizmente são expressões recorrentes na Rádio que vamos ouvindo todos os dias.
A Rádio não tem imagem e é essa a sua razão de existir.
A força primordial da Rádio é saber contar o que não se está a ver, mostrando. A eficácia da descrição é poder dispensar o recurso das imagens.
Como num bom relato de Futebol. Se for bem feito, para que servem as imagens se já estamos a "ver" tudo?

No Sábado a TSF relatou o encontro de Futebol da Taça de Portugal entre as equipas do F.C. Porto e Limianos e teve como convidado um comentador cego. Domingos Silva comenta os jogos de Futebol baseando-se nas imagens que o ralatador produz através da narração do jogo. Haverá exemplo mais cabal do que atrás foi dito?

Sobre este assunto, ver e ler mais aqui

33 canções para 33 mineiros
Os norte-americanos Pixies estavam a actuar em Santiago do Chile na noite do resgate dos mineiros e fizeram o mais longo concerto de sempre da carreira (iniciada em 1985) em honra dos 33 mineiros chilenos.
Os Pixies não são uma banda de causas, nem lá perto, mas não ficaram indiferentes ao que se estava a passar no país onde se encontravam para tocar.
Há um pouco de tragédia Shakespeariana na apreciação à distância daquela noite - para muitos histórica. Enquanto mais de trinta pessoas lutavam para sobreviver e saírem ilesas de um grave acidente, há umas largas centenas ou milhares a celebrarem um espectáculo musical sob esse mesmo acontecimento.
No vídeo, a apresentação em castelhano de Frank Black no início do concerto dessa noite:



O alinhamento do primeiro espectáculo dos Pixies na qualidade de cabeças de cartaz no Chile, no dia 13 de Outubro, em Santiago:

Cecilia Ann
Rock Music
Bone Machine
Crackity Jones
River Euphrates
Debaser
Wave of Mutilation
Monkey Gone To Heaven
I Bleed
Caribou
Cactus
Broken Face
Something Against You
Isla De Encanta
Tame
Sad Punk
Hey
#13 Baby
Gouge Away
Is She Weird
Dead
U Mass
Break My Body
Velouria
Dig For Fire
Allison
Ed Is Dead
Mr. Grieves
Winterlong
Here Comes Your Man
Head On
Holiday Song
Vamos


encore:
Where Is My Mind
Gigantic

Renascença 1, concorrência 0












Quarta-feira 29 de Setembro, à hora de jantar. O primeiro-ministro faz uma comunicação em directo durante a conferência de imprensa após um conselho de ministros extraordinário. Tratava-se da apresentação de novas medidas de austeridade no combate ao défice. O chamado PEC 3. À mesma hora estava a jogar o Benfica sem transmissão televisiva em canal aberto.
Havia três rádios a fazerem a transmissão do encontro: Antena1, TSF e Renascença. As duas primeiras interromperam o especial da transmissão do jogo da Champions League em que o Benfica jogava na Alemanha frente ao Schalke 04, para transmitirem as declarações do Governo em directo, mais sessão de perguntas e respostas, mais reacções e demais comentários.
A Renascença não interrompeu o relato do jogo, optando por num momento parado do encontro de Futebol resumir em breve síntese o que de mais essencial foi dito na comunicação do Governo.
Quem queria ouvir o jogo e estava na sintonia da Antena1 ou da TSF fugiu a sete pés para a Renascença.
O povo prefere o Futebol (especialmente o Benfica) à política. Espanta-me que ainda haja quem não acredite nessa realidade. Qual crise? Dêem-nos pão e circo e ficaremos contentes!
Em noite europeia, a Rádio Renascença viu a baliza aberta e marcou golo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Romance de uma conspiração






















Amanhã, em Lisboa, o lançamento de um livro escrito por um homem da Rádio.
Depois de «Diz Que é Uma Espécie de País» [a comédia política portuguesa dos últimos 10 anos], uma compilação de crónicas no jornal Diário Económico (na crónica "Coluna Vertebral") entre 1999 e 2009, com prefácio de Baptista-Bastos, João Paulo Guerra escreve agora uma obra de ficção muito baseada numa realidade que presenciou in loco.

O jornalista João Paulo Guerra é um veterano da Comunicação Social portuguesa. Homem com provas mais do que dada na Rádio e nos jornais ao longo de décadas. 
Foi este ano distinguido com o Prémio Gazeta de Mérito, [do Clube de Jornalistas] "pelo seu longo, diversificado e prestigioso percurso profissional de quase meio século de actividade na Rádio, na Imprensa e na Televisão". 
De João Paulo Guerra recordo a série premiada de cinco reportagens «O Regresso das Caravelas» na TSF em Abril de 1993. «O Regresso das Caravelas» é um marco inesquecível na reportagem em Portugal. Em todos os meios, o melhor documento jornalístico sobre a temática da descolonização ultramarina. Vou mais longe: são, em minha opinião, a melhor série de reportagens alguma vez feitas na rádio portuguesa.
Sempre atento e com experiência vivida nos conturbados períodos da história recente de Portugal, nomeadamente o dia 25 de Abril de 1974, o P.R.E.C. e tudo o que se seguiu, foi aos microfones da TSF que João Paulo Guerra entrevistou Salgueiro Maia, naquela que seria a última entrevista ao capitão de Abril (“Já a morte anda por perto”, disse o jornalista nessa derradeira conversa gravada). 
De João Paulo Guerra também é inesquecível a série de reportagens «Viagens com Livros», em 1995, série que foi editada em CD [Strauss; 1996]. O seu último trabalho de fundo na TSF e na Rádio, pelo menos até aos dias de hoje. 
Depois de sair da TSF, João Paulo Guerra ainda foi editor da noite na efémera Central FM (Rui Morrison era o animador do painel), a tal rádio urbana de Lisboa que não devia ter começado como começou e, uma vez começada, nunca deveria ter acabado como acabou. 
Anos passaram sem João Paulo Guerra na Rádio (esteve e está na imprensa escrita), até ao seu reencontro com os ares e ouvintes da rádio pública desde há quatro anos a esta parte, na Revista de Imprensa, nas manhã da Antena1 (Segunda a Sexta-feira às 07:20 e 08:20). 














Outras obras publicadas:

Polícias e Ladrões (Editorial Caminho, 1983);
Operação África (Caminho, 1984), co-autoria com o jornalista Fernando Semedo;
Os Flechas Atacam de Novo (Caminho, 1988);
Memória das Guerras Coloniais (Afrontamento, 1994 - 1ª edição, 1995 - 2ª edição);
Savimbi Vida e Morte (Bertrand, 3 edições em 2002);
Descolonização Portuguesa – O Regresso das Caravelas (Dom Quixote, 1996 - 1ª edição, e Círculo de Leitores, 2000; Edição revista e aumentada com prefácio de Ernesto Melo Antunes, Oficina do Livro, 2009). 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A LUGAR COMUM tem a honra de apresentar:





















Festival Indie Songs Don't Lie (2ª Edição)

21 e 22 de Outubro de 2010
Museu Nacional Machado de Castro – COIMBRA

Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010 (21h30)
Heather Woods Broderick + Nils Frahm

A afirmação de Heather Woods Broderick como um dos nomes emergentes no espectro indie norte-americano encontra-se intimamente ligada ao percurso do seu irmão. Foi pela mão de Peter Broderick que, em 2006, a jovem violoncelista integrou o projecto Horse Feathers. Um ano mais tarde, acompanharia Peter na sua aventura escandinava, passando a fazer parte das fileiras dos Efterklang. Ao longo de todo este percurso, assinou as suas próprias composições, portadoras de uma rara beleza melódica e pontuadas pela sua voz envolvente. Estas viriam a ser reunidas em From the ground, primeiro longa-duração de Heather, álbum que conta com a participação de alguns dos músicos mais reconhecidos de Portland. De resto, é esta assumida opção dos Broderick em colaborar com inúmeros músicos que não só enriquece o seu percurso, como permite encontros como aquele que trará o reputado pianista germânico Nils Frahm ao Museu Nacional Machado de Castro. Assíduo colaborador de Peter Broderick, não só acompanhará a compositora norte-americana, como apresentará as suas próprias composições, com destaque para The bells, uma recentemente editada colecção de improvisos ao piano.









Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010 (22h00)
Gareth Dickson

O nome do escocês Gareth Dickson permanece desconhecido do grande público, e no entanto, este instrumentista tem sido requisitado, ao longo do último ano, por figuras tão ilustres como a argentina Juana Molina ou a britânica Vashti Bunyan. O seu virtuosismo na guitarra e a forma como as suas composições se entrelaçam em ténues fios sobrepostos, projecta cada vez mais o jovem escocês para a primeira divisão da chamada brit folk. Referências como Nick Drake ou Bert Jansch não são estranhos ao imaginário de Dickson, pairando como fantasmas ao longo das suas actuações. No entanto, a sua familiaridade com o trabalho de Molina, e muito particularmente com o processo interpretativo da autora argentina (na medida em que utiliza loops de voz e guitarra), distancia hoje o escocês da figura de um mero singer songwriter. Com a sua irrepreensível técnica convive hoje uma dimensão experimental, que não encontramos na maioria dos seus pares.

LINKS:
Nils Frahm Myspace
Heather Woods Broderick Myspace
Gareth Dickson Myspace

Preço:
Dia 1 (21 de Outubro): € 10,00
Dia 2 (22 de Outubro): € 05,00

Bilhete único dois dias (associados Lugar Comum): € 12,00
Bilhete único dois dias: € 13,00

Bilhetes disponíveis desde as 21:00, no Museu Nacional de Machado de Castro, apenas nas noites dos concertos.

Reserva de bilhetes: geral@lugarcomum.pt
(mediante envio de nº BI para posterior confirmação ,com referência de número e tipo de bilhetes pretendidos).

LUGAR COMUM - Associação de Promoção e Divulgação Cultural

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Um esconderijo para o tempo





Este tema dos dinamarqueses DOI está no alinhamento da mais recente edição da «Íntima Fracção», sob o título "Um esconderijo para o tempo".
Uma edição na sua maioria realizada com recurso a temas instrumentais (e tão bem que assentam na atmosfera da IF). São poucas as canções incluídas em "Um esconderijo para o tempo". "Missing" dos DOI é uma delas.
Excelente texto de abertura, da autoria de Konstantinos Kavafys; belos sons, vozes e paisagens.


Na próxima sexta-feira, aqui na «Rádio Crítica», será publicada uma das primeiras emissões da «Íntima Fracção» na TSF-Rádio Jornal, exactamente vinte anos depois, no dia 22 de Outubro (1990 - 2010).

Os dias do futuro estão em frente a nós, como uma longa fila de círios acesos (...) Os dias do passado ficam para trás, uma triste fileira de apagados círios

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Começa amanhã




















Mark Kozelek (Redhouse Painters; Sun Kill Moon) vai lá estar.
Imagens captadas ao vivo numa actuação de Kozelec num festival na Polónia, no dia 9 de Agosto do ano passado.
Em Sintra, no próximo Sábado à noite, não vai ser diferente.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Rádio Nostalgia / Outubro 2010
















Queridos Anos 80
O tal blogue que dava um grande programa de Rádio vai dar uma grande festa num novo palco.
É o regresso às noites saudosistas, revivalistas e nostálgicas dos anos 80 no arranque da temporada 2010/2011.
O anúncio do autor:

A festa do blogue tem regresso agendado para o próximo sábado.
Em pleno coração da nova movida portuense, vou colocar discos uns atrás dos outros com um único objectivo: pôr a malta a dançar! Apareçam, que serão muito bem recebidos. O Pitanga's Bar é um bar recente que fica situado na Rua do Almada, 301, quase a chegar à Praça Filipa de Lencastre, em pleno coração da baixa.
Para qualquer informação adicional, façam o favor de utilizar a caixa de comentários, ou então queridosanos80@gmail.com
Até sábado!

A ilustrar as noites de 80, a memória dos Blondie. O tema "Heart of Glass" foi gravado em Junho de 1978 e editado em single no dia 3 de Janeiro de 1979. Fez sucesso imediato e nos anos seguintes. Apesar de se encontrar entre a antecâmara New-Wave e as reminiscências Disco-Sound, "Heart of Glass" percorreu toda a década de oitenta e ainda hoje se ouve na Rádio.

Blondie - "Heart of Glass" (1979)


sábado, 9 de outubro de 2010

#9 nos 70 anos de John Lennon





















Especial John Lennon 70 anos
RDP-Antena1 (19:00-20:00)
Sábado, 09 de Outubro de 2010

Emissão de Álvaro Costa e Alberto Cardoso

O nº 9 é uma constante na vida de Johnn Lennon e foi esse o mote para juntar ao aos setenta anos de nascimento do autor de "Imagine", a canção mais tocada de sempre na história mundial da Rádio. O nº 9 está presente em datas importantes na vida de 40 anos do ex-beatle - nasceu num dia 9 e morreu na véspera de um dia 9 (de facto dia 9 na Europa) - e esses momentos foram devidamente referenciados neste programa, com eficaz recurso a sons com história na própria voz de Lennon.
Temas de John Lennon na sua carreira a solo por ordem cronológica foram sendo apresentados ao longo deste especial na Rádio. Uma hora especial no principal canal de serviço público de radiodifusão. Como deve ser.

John Lennon - #9 Dream (1974)



Onde está John Lennon quando precisamos dele? 
Bono Vox (vocalista dos U2)

P.S: Outra hora de luxo na Rádio em Portugal neste final de tarde, princípio de noite de Sábado. Das 20:00 às 21:00 uma hora ao vivo com Jeff Buckley na RADAR. E, para surpresa minha, depois outra hora extremamente agradável ainda na RADAR na conversa de Ana Cristina Ferrão com a ex-radialista Catarina Pestana (actualmente artista plástica) no compacto da semana do programa «S.O.S. Radar», uma herança de António Sérgio na estação alternativa.
A boa Rádio em Portugal acontece e faz-se. Tem-se é que procurar muito para a encontrar. Uma tarefa cansativa e desgastante. O ouvinte de Rádio necessita de comodidade para se fidelizar. 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Este sim, um cartaz de luxo!





















FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA EXPLORATÓRIA DO BARREIRO

«Um dos destaques da programação do festival vai para a noite de 9, com um concerto do músico Panda Bear, membro dos Animal Collective, que mostrará a evolução dos seus novos temas, a integrar o muito aguardado disco “Tomboy”, cuja saída está iminente. O concerto, cuja primeira parte estará a cargo do projecto Oneohtrix Point Never, um dos nomes de maior destaque da recente vaga de música de sintetizadores fortemente influenciada pelo psicadelismo electrónico do final da década de 70 e início de 80, realizar-se-á na Casa da Cultura, sala emblemática onde funcionou outrora o cinema da CUF, um marco histórico na vida cultural do Concelho e do país.
Mas há mais: a abrir o festival, dia 5, actuará o lendário pianista alemão Alex Von Schlippenbach, figura transversal às grandes movimentações da vanguarda do jazz europeu. No encerramento, a 16, oportunidade única para escutar o saxofonista Lol Coxhill, músico britânico que desde o início da década de 60, quando partilhou por inúmeras ocasiões o palco com os grandes nomes norte-americanos do blues e da soul, tem vindo a desenvolver uma linguagem única e de grande influência em novas gerações de músicos, um dos quais, muito provavelmente, o português Rodrigo Amado, que com o seu Motion Trio encerrará o festival numa nota simultaneamente enérgica e lírica.
O Out.Fest estender-se-á a mais locais de interesse patrimonial e histórico da cidade, como é o caso do Convento da Madre de Deus da Verderena, onde, a 8, se poderá escutar o delicado trabalho do guitarrista francês Noël Akchoté, cujo concerto se dividirá em duas partes distintas: na primeira, interpretará versões de conhecidos nomes da música pop, como Kylie Minogue, Lou Reed ou Nelly Furtado, e na segunda mostrará o seu trabalho mais inclassificável, centrado na textura e na dinâmica do som em estado puro.
A 15, noite de música cósmica com o português Kosmicdream, projecto de Guilherme da Luz, antigo membro dos Tantra, e com os norte-americanos Emeralds, uma das grandes bandas do momento.A instalação interactiva Ouvido Raro, um conceito exclusivo do Out.Fest, mantém-se este ano em formato online, com a novidade de todos os temas à disponibilidade dos participantes serem da responsabilidade de um único autor, o britânico The Caretaker, nome de destaque na utilização e exploração das memórias e dos processos a ela associados para a criação de uma música de pendor electrónico fortemente carregada de simbolismos e grande beleza.Como vem sendo hábito, o cinema ocupará também um lugar de destaque na programação.
Este ano abordar-se-á a etnomusicologia, como local de celebração da liberdade criativa e da música como elemento espiritual e social: destaque para um mini-ciclo dedicado ao norte-americano Alan Lomax, cujo trabalho de recolha de músicas como o gospel ou o calypso foi fundamental para a preservação das mesmas. Destaque também para a exibição de Dor, Low Is Better, com a presença do realizador, Robert Flaes, do Departamento de Antropologia Visual da Universidade de Amesterdão.»

Fonte: Comunicado de Imprensa da Organização

Panda Bear - "Comfy In Nautica"


Programa completo por datas:

05/Out, Be Jazz Café, 17h30, Música: Alexander von Schilippenbach.

06/Out, Teatro Municipal, 21h30, Cinema: Alan Lomax - The land where the blues began + Música: Norberto Lobo.

07/Out, Cooperativa Cultural Popular Barreirense, 21h30, Cinema: Alan Lomax - Jazz parades / Cajun country.

08/Out, Convento da Madre de Deus da Verderena, 22h: Música: Noël Akchoté.

09/Out, Casa da Cultura, 22h, Música: Panda Bear + Oneohtrix Point Never.

10/Out, Cooperativa Cultural Popular Barreirense, 17h30, Workshop/concerto/palestra: Calhau! O método do Leopardo.

11/Out, Cooperativa Cultural Popular Barreirense 21h30, Cinema: Alan Lomax - Appalachian journey / Dreams and songs of the noble old.

12/Out, Clube Naval Barreirense, 21h30, Cinema: Bénarès, Musiques du Gange + Música: Stellar OM Source.

13/Out, Cooperativa Cultural Popular Barreirense, 21h30, Cinema: Dor, Low is Better.

14/Out, Teatro Municipal, 21h30, Música: Tetuzi Akiyama + Rafael Toral.

15/Out, Convento da Madre de Deus da Verderena, 22h, Música: Emeralds + Kosmicdream.

16/Out, Auditório Municipal Augusto Cabrita, 22h, Música: Rodrigo Amado Motion Trio + Lol Coxhill + AJM Collective.

05-16/Out, Instalação interactiva online: Ouvido Raro: The Caretaker.

05-16/Out, Forum Barreiro, das 10h às 23h, Cinema: Cinecubo.

O Festival Out Fest é financiado pelo Ministério da Cultura/Direcção-Geral das Artes e é uma organização da OUT.RA – Associação Cultural

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

LINHAS CRUZADAS # 39

A Vida e Arte do encontro na Música
Cocteau Twins & Harold Budd





















Foi uma das colaborações mais felizes de artistas da editora 4AD com um músico convidado.
Eles são os Cocteau Twins, e o convidado é Harold Budd.
Sob o signo inspirador da Lua, nasceram as melodias.
«The Moon And The Melodies» é o álbum do encontro mágico com a então banda dos sonhos pop alternativos da década de 80, com o pianista e compositor norte-americano Harold Budd.
Uma colaboração muito frutuosa, não só pela obra em si, mas pelas ramificações espalhadas por outros discos. No álbum «Victorialand» dos próprios Cocteau Twins encontram-se incluídas sessões gravadas aquando deste encontro a quatro.

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Também esta colaboração estendeu-se à obra de Harold Budd a solo, no álbum «The White Arcades», de 1988.
Muitos anos mais tarde, Robin Guthrie e Harold Budd continuariam a parceria aqui iniciada, com a edição de trabalhos conjuntos.
«The Moon And The Melodies» foi editado em 1986. São oito temas, metade deles cantados, outra metade instrumentais.
Elizabeth Fraser, Robin Guthrie, Simon Raymond e Harold Budd.

LINHAS CRUZADAS #39
Tempo total: 06:54
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Cocteau Twins & Harold Budd - "Sea, Swallow Me" (1986)