quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Crónicas do Passageiro da Noite
Lançado faz hoje um mês, no passado 28 de Setembro, dia em que Cândido Mota completaria 83 anos de idade.
Uma recolha de textos a cargo das duas filhas, publicados pelo radialista ao longo de vários anos em redes sociais.
Uma recolha de textos a cargo das duas filhas, publicados pelo radialista ao longo de vários anos em redes sociais.
Mais sobre Cândido Mota na «Rádio Crítica» desde 2006 aqui
terça-feira, 27 de outubro de 2026
VA 24
Vai para o ar esta noite na RUC
De 3ª para 4ª feira entre a meia-noite e as duas horas
De 3ª para 4ª feira entre a meia-noite e as duas horas
O regresso à casa mãe
O programa Vidro Azul, à passagem dos seus 24 anos, volta ao ponto de partida e regressa à emissão da RUC-Rádio Universidade de Coimbra, onde se iniciou em Outubro de 2002.
O programa Vidro Azul, à passagem dos seus 24 anos, volta ao ponto de partida e regressa à emissão da RUC-Rádio Universidade de Coimbra, onde se iniciou em Outubro de 2002.
É um programa deste século. O Século XXI, que no início ainda prometia um futuro mais luminoso para a Rádio do que se constata desde então.
Tem sido sinuoso o percurso do «Vidro Azul», o que desde logo atesta na prática o quanto difícil é manter um programa de autor na transmissão radiofónica regular.
Tem sido sinuoso o percurso do «Vidro Azul», o que desde logo atesta na prática o quanto difícil é manter um programa de autor na transmissão radiofónica regular.
Este tipo de instabilidade não é inédito. Aconteceu o mesmo com, por exemplo, a «Íntima Fracção» de Francisco Amaral, que num percurso de 35 anos, mesmo conhecendo períodos estáveis, deambulou de estação em estação, de site em site, até ter-se extinguido de forma abrupta e inesperada com a prematura morte do seu autor de sempre. Também aconteceu com o mítico «Cinco Minutos De Jazz», de José Duarte, o mais antigo programa da Rádio portuguesa, assinando-o igualmente até à morte. E ainda o desrespeitoso périplo de estação em estação a que foi sujeito António Sérgio até ao fim da vida, apenas para manter viva ao longo de décadas, como se fosse pouco, a sua nobre missão (com nomes diferentes o mesmo tipo de programa) em divulgar a vanguarda da denominada música alternativa independente. O que mais ninguém fazia, isto só para evocar três exemplos marcantes.
O sucessivo encerramento de estações, mudanças de detentores e estruturas accionistas, alterações dos projectos, inúmeras mudanças de administrações e de direcções, têm decretado ao longo da história da Rádio um interminável cemitério de programas de autor que muito ainda tinham para dar. Olhando para trás, só nas últimas quatro décadas, são imensas as perdas. Quase todas irreversíveis.
No caso do «Vidro Azul» assistimos a uma feliz sobrevivência desde o arranque do programa na RUC, passando para a RADAR e depois para a extinta SBSR. Desde então tem-se mantido em formato Podcast, com notáveis níveis de anuidade por parte dos ouvintes cibernautas.
No caso do «Vidro Azul» assistimos a uma feliz sobrevivência desde o arranque do programa na RUC, passando para a RADAR e depois para a extinta SBSR. Desde então tem-se mantido em formato Podcast, com notáveis níveis de anuidade por parte dos ouvintes cibernautas.
Vidro Azul
Programa de Ricardo Mariano
Emissão especial do 24º aniversário | formato Podcast
14 de Outubro de 2026
Ouvir aqui
Programa de Ricardo Mariano
Emissão especial do 24º aniversário | formato Podcast
14 de Outubro de 2026
Ouvir aqui
A fazer companhia ao «Vidro Azul» vai também para a RUC o programa, do mesmo autor, «Em Transe», este estreado na RADAR e depois continuado na SBSR. Agora, pela primeira vez, na antena da RUC.
Realização de Ricardo Mariano | formato Podcast
2ª p/ 3ª feira
01:00/02:00
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segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Os 40 anos deste disco
Editado no dia 01 de Setembro de 1986
No final do mês de Setembro deste ano foi oficialmente anunciado o próximo álbum de David Sylvian, com data de edição prevista para Fevereiro de 2027, dando continuidade à dimensão instrumental do músico inglês. Há quatro décadas o antigo vocalista dos britânicos Japan dava largas a essa mesma dimensão com este duplo álbum «Gone To Earth», dividido em duas partes perfeitamente distintas, com uma primeira parte constituída por canções e uma segunda integralmente preenchida com peças instrumentais, em parceria com o guitarrista Robert Fripp.
A corrente instrumental teve sempre lugar na carreira de David Sylvian. Ainda no tempo dos Japan foram compostas e editadas na discografia do grupo algumas, poucas, peças instrumentais. Depois, a solo, essa componente musical acentuou-se bastante até aos dias de hoje, quer em nome próprio, quer em variadas parcerias, como por exemplo com o alemão Holger Czukay e fundamentalmente com o nipónico Ryuichi Sakamoto.
Alguns temas instrumentais de «Gone To Earth» foram utilizados em programas de Rádio na segunda metade da década de oitenta, como foi o exemplo máximo da «Íntima Fracção», especialmente na emissão comemorativa dos cinco anos, ainda no período primordial em que o programa de Francisco Amaral esteve na Antena1.
Já neste mês de Outubro de 2026, quarenta anos após a edição deste trabalho, o programa «Gira Discos» de Nuno Galopim na Antena2 dedicou uma emissão sobre a carreira instrumental de David Sylvian, onde se fez uma breve passagem por este álbum.
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domingo, 25 de outubro de 2026
Transmissão de música e notícias por Inteligência Artificial
Devia estar a decorrer no espaço mediático um grande debate sobre a invasão da Inteligência Artificial no meio radiofónico - e não só! - que aprofundasse seriamente os benefícios e, principalmente, todos os malefícios que representa esta realidade. Já não se trata de reflectir sobre as novas tecnologias, nem se trata sequer de nova tecnologia. É um novo paradigma, perigosamente veloz e de aparente irreversibilidade. Toda uma nova lógica de contornos indefinidos que está em curso sem regulação vigente.
Mais informação aqui
sábado, 24 de outubro de 2026
Sob escuta
A Rádio entra nesta peça
A acção decorre num estabelecimento prisional durante o Estado Novo onde na mesma cela se encontram várias reclusas.
O cenário da peça inclui um transístor, um gira-discos e onde aparece um disco de vinil em cuja capa consta o rosto da fadista Hermínia Silva.
O transístor é ligado várias vezes e dele brotam vozes de locutores a dizer a meteorologia, uma mensagem do ditador Salazar à população, canções de Tony de Matos em "Cartas de Amor", a voz de Sérgio Borges no Conjunto Académico João Paulo e ainda Natércia Barreto na canção "Óculos de Sol".
A acção decorre num estabelecimento prisional durante o Estado Novo onde na mesma cela se encontram várias reclusas.
O cenário da peça inclui um transístor, um gira-discos e onde aparece um disco de vinil em cuja capa consta o rosto da fadista Hermínia Silva.
O transístor é ligado várias vezes e dele brotam vozes de locutores a dizer a meteorologia, uma mensagem do ditador Salazar à população, canções de Tony de Matos em "Cartas de Amor", a voz de Sérgio Borges no Conjunto Académico João Paulo e ainda Natércia Barreto na canção "Óculos de Sol".
O Teatro é a Vida e a Rádio são as pessoas
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Joaquim Letria
1943-2026
Também foi da Rádio
Teve passagens pelo Rádio Clube Português (anos 60), Rádio Comercial (anos 80) e Antena1 (anos 90).
Reconhecido jornalista em várias gerações da Comunicação Social portuguesa, principalmente na imprensa escrita e Televisão. Morreu há uma semana aos 82 anos de idade, a poucas semanas de completar 83 (nasceu no dia 8 de Novembro de 1943).
Nesta fotografia está Joaquim Letria nos anos 90 durante o programa da Antena1 «Cobras e Lagartos» com o então radialista Guilherme Simões, antigo profissional da TSF-Rádio Jornal, actualmente jornalista e pivô de informação da SIC-Notícias, onde apresenta o Jornal da Meia-Noite. No dia em que Guilherme Simões teve de dar a notícia na TV, em final de jornal, endereçou os pêsames à família acrescentando as seguintes palavras: "O contributo de Joaquim Letria para o jornalismo e para a vida dos jornalistas, enquanto grupo profissional, é inestimável. O país perdeu uma referência, um grande homem, um grande democrata."
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Atribuídos os Prémios Gazeta
Gazeta de Rádio - Sofia da Palma Rodrigues e Manuel Bivar
Um Podcast de investigação em seis episódios intitulado «País de Incendiários», da revista digital Divergente, que foi transmitido pela TSF no Verão de 2025.
Anunciados os vencedores em diversas categorias de jornalismo no passado dia 12 de Outubro.
Mais informação aqui
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Gravar antes que desapareça
Mais informação aqui
O paisagista sonoro Luís Antero assina diariamente na TSF o pequeno espaço «Janela Para o Mundo», onde são transmitidos sons captados em qualquer lugar, sítio ou situação.
Há um documentário publicado na Internet, em Fevereiro de 2024, no canal YouTube.
Ver aqui
Quando retratamos uma cidade, fazemo-lo, habitualmente, através das sempre presentes fotografias. A visão é, afinal, o sentido privilegiado. Não é, no entanto, o único.
Grande parte do entendimento dos locais que habitamos deve muito à impressão sonora que nos deixam – o som das suas máquinas, o tom das conversas das suas gentes, a fauna e os elementos naturais, e tudo aquilo que se ouve quando aparentemente há silêncio.
O projecto Sons do Arco Ribeirinho Sul procurou elaborar, precisamente, um retrato sonoro de algumas das zonas mais emblemáticas do Concelho do Barreiro; um retrato que preserva, para a posteridade, o ambiente acústico dessas áreas entre os anos de 2011 e 2013.
Esta exposição pretende ser um guia para compreender melhor a realização deste projecto: compreender onde e como foi feito, ter um contacto com o seu resultado – um arquivo sonoro online – e entender o som que nos rodeia como elemento de descoberta e de grande importância no dia-a-dia.
Grande parte do entendimento dos locais que habitamos deve muito à impressão sonora que nos deixam – o som das suas máquinas, o tom das conversas das suas gentes, a fauna e os elementos naturais, e tudo aquilo que se ouve quando aparentemente há silêncio.
O projecto Sons do Arco Ribeirinho Sul procurou elaborar, precisamente, um retrato sonoro de algumas das zonas mais emblemáticas do Concelho do Barreiro; um retrato que preserva, para a posteridade, o ambiente acústico dessas áreas entre os anos de 2011 e 2013.
Esta exposição pretende ser um guia para compreender melhor a realização deste projecto: compreender onde e como foi feito, ter um contacto com o seu resultado – um arquivo sonoro online – e entender o som que nos rodeia como elemento de descoberta e de grande importância no dia-a-dia.
O Dia Mundial para a Herança Audiovisual / Dia Mundial do Património Audiovisual foi criado pela UNESCO e é celebrado desde 2008 para consciencializar sobre a importância dos arquivos de media e promover a recuperação de documentos audiovisuais.
Fonte: Antena1
A capacidade de manter vivos os arquivos sonoros das estações de Rádio é uma tarefa absolutamente impossível de concretizar. Principalmente todo o acervo existente anterior à era digital.
É paradoxal o facto de os meios digitais possibilitarem uma recuperação eficaz dos registos sonoros em simultâneo com o desinvestimento e desinteresse na sua preservação. Escassez de meios, ausência de arquivamento sistematizado, estruturado e documentado.
Algum desse material pertencente à rádio pública, numa quantidade ínfima, foi - e tem estado a ser - digitalizado, mas a maior parte ficará para sempre desaparecida. São milhões de registos perdidos, muitos deles inegavelmente históricos.
Arquivo de programas da RDP
Ouvir aqui
O que acontece com a Música, a fala e outros sons, naturais
ou artificiais, quando cessam de se produzir? Até que ponto os ruídos de
outrora diferem dos de hoje? Quanto guardamos na memória daquilo que escutámos?
Que significados e emoções se ligam aos sons do passado? Por que é que os sons
familiares nos causam nostalgia? Que sons consideramos antigos e porquê?
A capacidade de reencontrar os sons passados é um tema constante da literatura fantasiosa.
O Barão de Münchhausen descreve um Inverno tão frio que gelou as notas musicais dentro da trompa de um caçador. As notas só puderam ser ouvidas na Primavera seguinte.
O Pantagruel de Rabelais, ao navegar pelos confins do Mar gelado, é tomado de espanto quando escuta – sem nada ver – um grande estrondo de canhoneio, balas, gritos e lamentações humanas, estrépito de armaduras, choques de machados de combate, relinchos de cavalos. Eram os sons de uma grande batalha ali travada no Inverno anterior que se haviam congelado no ar e só agora caíam no chão e se tornavam audíveis com o degelo.
Em O Jogo de Contas de Vidro, Hermann Hesse fala de músicos e menestréis ambulantes, cujos laços místicos com eras e culturas passadas, os habilitavam a interpretar a música de épocas antigas de modo perfeitamente autêntico. Como se desconhecessem por completo os estilos e virtuosismos posteriores.
Um visionário da arqueologia imagina que, assim como o som gravado nos sulcos dos discos, as vozes dos pedreiros de outrora podem ter ficado entranhadas nos sulcos das antigas muralhas e templos e só esperam uma agulha adequada para voltar à vida.
O desejo de recuperar a história sonora mostra bem como é grande o poder dos sons em nos transportar ao passado. Basta ouvir, ou mesmo lembrar uma melodia conhecida, para que nos recordemos de cenas há muito esquecidas.
Diz-se que, às vezes, as canções infantis provocavam crises fatais de nostalgia nos soldados suíços que serviam na França e na Bélgica durante os séculos XVII e XVIII. Cantigas singelas, usadas para guiar os rebanhos às pastagens alpinas, faziam reviver lembranças da terra natal.
Segundo o Dicionário da Música de Jean Jacques Rosseau, a Música age como signo rememorativo. Para o ensaísta suíço Jean Starobinski, a melodia é um fragmento do passado. Faz reviver na imaginação toda a nossa vida anterior.
A Música, os estados de felicidade, a mitologia, os rostos trabalhados pelo tempo, certos crepúsculos e certos lugares, querem dizer-nos algo. Ou algo disseram já que não deveríamos ter perdido. Ou ainda estão ainda para nos dizer algo. Esta iminência de uma revelação que não se produz é, talvez, o facto estético.
A capacidade de reencontrar os sons passados é um tema constante da literatura fantasiosa.
O Barão de Münchhausen descreve um Inverno tão frio que gelou as notas musicais dentro da trompa de um caçador. As notas só puderam ser ouvidas na Primavera seguinte.
O Pantagruel de Rabelais, ao navegar pelos confins do Mar gelado, é tomado de espanto quando escuta – sem nada ver – um grande estrondo de canhoneio, balas, gritos e lamentações humanas, estrépito de armaduras, choques de machados de combate, relinchos de cavalos. Eram os sons de uma grande batalha ali travada no Inverno anterior que se haviam congelado no ar e só agora caíam no chão e se tornavam audíveis com o degelo.
Em O Jogo de Contas de Vidro, Hermann Hesse fala de músicos e menestréis ambulantes, cujos laços místicos com eras e culturas passadas, os habilitavam a interpretar a música de épocas antigas de modo perfeitamente autêntico. Como se desconhecessem por completo os estilos e virtuosismos posteriores.
Um visionário da arqueologia imagina que, assim como o som gravado nos sulcos dos discos, as vozes dos pedreiros de outrora podem ter ficado entranhadas nos sulcos das antigas muralhas e templos e só esperam uma agulha adequada para voltar à vida.
O desejo de recuperar a história sonora mostra bem como é grande o poder dos sons em nos transportar ao passado. Basta ouvir, ou mesmo lembrar uma melodia conhecida, para que nos recordemos de cenas há muito esquecidas.
Diz-se que, às vezes, as canções infantis provocavam crises fatais de nostalgia nos soldados suíços que serviam na França e na Bélgica durante os séculos XVII e XVIII. Cantigas singelas, usadas para guiar os rebanhos às pastagens alpinas, faziam reviver lembranças da terra natal.
Segundo o Dicionário da Música de Jean Jacques Rosseau, a Música age como signo rememorativo. Para o ensaísta suíço Jean Starobinski, a melodia é um fragmento do passado. Faz reviver na imaginação toda a nossa vida anterior.
A Música, os estados de felicidade, a mitologia, os rostos trabalhados pelo tempo, certos crepúsculos e certos lugares, querem dizer-nos algo. Ou algo disseram já que não deveríamos ter perdido. Ou ainda estão ainda para nos dizer algo. Esta iminência de uma revelação que não se produz é, talvez, o facto estético.
In: «Íntima Fracção»
Emissões dos dias 22 de Outubro e 23 de Dezembro de 1990.
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