quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Atribuídos os Prémios Gazeta



















Gazeta de Rádio - Sofia da Palma Rodrigues e Manuel Bivar 
Um Podcast de investigação em seis episódios intitulado «País de Incendiários», da revista digital Divergente, que foram transmitidos pela TSF no Verão de 2025. 

Anunciados os vencedores em diversas categorias de jornalismo no passado dia 12 de Outubro. 
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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Gravar antes que desapareça

 













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O paisagista sonoro Luís Antero assina diariamente na TSF o pequeno espaço «Janela Para o Mundo», onde são transmitidos sons captados em qualquer lugar, sítio ou situação. 
Há um documentário publicado na Internet, em Fevereiro de 2024, no canal YouTube. 
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Janela Para o Mundo 
TSF-Rádio Notícias (em vários horários) 
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Quando retratamos uma cidade, fazemo-lo, habitualmente, através das sempre presentes fotografias. A visão é, afinal, o sentido privilegiado. Não é, no entanto, o único.
Grande parte do entendimento dos locais que habitamos deve muito à impressão sonora que nos deixam – o som das suas máquinas, o tom das conversas das suas gentes, a fauna e os elementos naturais, e tudo aquilo que se ouve quando aparentemente há silêncio.
O projecto Sons do Arco Ribeirinho Sul procurou elaborar, precisamente, um retrato sonoro de algumas das zonas mais emblemáticas do Concelho do Barreiro; um retrato que preserva, para a posteridade, o ambiente acústico dessas áreas entre os anos de 2011 e 2013.
Esta exposição pretende ser um guia para compreender melhor a realização deste projecto: compreender onde e como foi feito, ter um contacto com o seu resultado – um arquivo sonoro online – e entender o som que nos rodeia como elemento de descoberta e de grande importância no dia-a-dia. 
















27 de Outubro
O Dia Mundial para a Herança Audiovisual / Dia Mundial do Património Audiovisual foi criado pela UNESCO e é celebrado desde 2008 para consciencializar sobre a importância dos arquivos de media e promover a recuperação de documentos audiovisuais. 

Fonte: Antena1

A capacidade de manter vivos os arquivos sonoros das estações de Rádio é uma tarefa absolutamente impossível de concretizar. Principalmente todo o acervo existente anterior à era digital. 
Algum desse material pertencente à rádio pública, numa quantidade ínfima, foi - e tem estado a ser - digitalizado, mas a maior parte ficará para sempre desaparecida. São milhões de registos perdidos, muitos deles inegavelmente históricos. 

Arquivo de programas da RDP 
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O que acontece com a Música, a fala e outros sons, naturais ou artificiais, quando cessam de se produzir? Até que ponto os ruídos de outrora diferem dos de hoje? Quanto guardamos na memória daquilo que escutámos? Que significados e emoções se ligam aos sons do passado? Por que é que os sons familiares nos causam nostalgia? Que sons consideramos antigos e porquê? 
A capacidade de reencontrar os sons passados é um tema constante da literatura fantasiosa.
O Barão de Münchhausen descreve um Inverno tão frio que gelou as notas musicais dentro da trompa de um caçador. As notas só puderam ser ouvidas na Primavera seguinte.
O Pantagruel de Rabelais, ao navegar pelos confins do Mar gelado, é tomado de espanto quando escuta – sem nada ver – um grande estrondo de canhoneio, balas, gritos e lamentações humanas, estrépito de armaduras, choques de machados de combate, relinchos de cavalos. Eram os sons de uma grande batalha ali travada no Inverno anterior que se haviam congelado no ar e só agora caíam no chão e se tornavam audíveis com o degelo. 
Em O Jogo de Contas de Vidro, Hermann Hesse fala de músicos e menestréis ambulantes, cujos laços místicos com eras e culturas passadas, os habilitavam a interpretar a música de épocas antigas de modo perfeitamente autêntico. Como se desconhecessem por completo os estilos e virtuosismos posteriores.  
Um visionário da arqueologia imagina que, assim como o som gravado nos sulcos dos discos, as vozes dos pedreiros de outrora podem ter ficado entranhadas nos sulcos das antigas muralhas e templos e só esperam uma agulha adequada para voltar à vida.
O desejo de recuperar a história sonora mostra bem como é grande o poder dos sons em nos transportar ao passado. Basta ouvir, ou mesmo lembrar uma melodia conhecida, para que nos recordemos de cenas há muito esquecidas.
Diz-se que, às vezes, as canções infantis provocavam crises fatais de nostalgia nos soldados suíços que serviam na França e na Bélgica durante os séculos XVII e XVIII. Cantigas singelas, usadas para guiar os rebanhos às pastagens alpinas, faziam reviver lembranças da terra natal.
Segundo o Dicionário da Música de Jean Jacques Rosseau, a Música age como signo rememorativo. Para o ensaísta suíço Jean Starobinski, a melodia é um fragmento do passado. Faz reviver na imaginação toda a nossa vida anterior.
A Música, os estados de felicidade, a mitologia, os rostos trabalhados pelo tempo, certos crepúsculos e certos lugares, querem dizer-nos algo. Ou algo disseram já que não deveríamos ter perdido. Ou ainda estão ainda para nos dizer algo. Esta iminência de uma revelação que não se produz é, talvez, o facto estético. 


In: «Íntima Fracção» 
Emissões dos dias 22 de Outubro e 23 de Dezembro de 1990.