sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Sobrevivência

Perante a onda que se agiganta, aí está o início da sobrevivência da rádio tradicional em Portugal:

TSF com seis títulos em "podcast" em 2006

No início de 2006, a TSF vai disponibilizar conteúdos de seis programas para podcasting, revelou Luís Proença, director adjunto da rádio. Rui Pêgo, director de programas da RDP, gostaria de começar a produzir conteúdos específicos para podcasting antes do Verão. A rádio portuguesa está às portas de uma revolução digital que a vai tornar perene."A rádio durante muitos anos foi irrepetível. Com a Internet isso mudou e o podcasting é uma evolução desta questão. Há um código RSS que eu subscrevo no meu programa de gestão de podcasts e a rádio vem ter comigo ao meu computador", considera João Paulo Meneses, jornalista e autor do progra- ma Radio.com na TSF - um dos seis que serão para já disponibilizados em podcasting. Também Sinais, Fado Maior, Pessoal & Transmissível, Mel com Fel e Eureka serão disponibilizados na íntegra pela TSF, no seu site. Também Rui Pêgo, director de programas da RDP, gostaria de contar com conteúdos específicos trabalhados para podcasting antes do Verão, mas ainda "não há nada de muito concreto". Pêgo assume que o podcasting é um "caminho incontornável que a rádio, particularmente a rádio pública, terá que percorrer" e que o projecto é transversal às três rádios - Antena 1, 2 e 3. A inclusão da "rádio digital numa plataforma de difusão é uma das coisas que temos vindo a trabalhar". Pêgo sublinha ainda que a RDP tem uma área multimedia "que cruza com a televisão".O director adjunto da Antena 2, João Almeida, assume que o podcasting "está em estudo" para os "programas de palavra, que os musicais levantam problemas de direitos de autor".João Paulo Meneses acredita que "mais cedo ou mais tarde todas as rádios vão ter, num curto espaço de tempo, grande parte dos conteúdos em podcasting". O jornalista considera mesmo que as rádios vão produzir conteúdos específicos para o meio até porque "o acesso à Internet vai banalizar-se como os frigoríficos e a partir desse momento haverá uma competição pela atenção do ouvinte".
Nos EUA, a rádio pública NPR lançou os podcasts a 31 de Agosto deste ano. Em Novembro, 11 programas da NPR estavam representados no top 100 dos mais descarregados no iTunes.


Marina Almeida
in Diário de Notícias
09/Dezembro/2005


Mas há, pelo menos, um (grande) problema por resolver:

Direitos de autor sem rei nem roque

"Estamos perante a maior discussão dos últimos 20 anos, relativamente aos direitos sobre a música e a imagem." É com estas palavras que Pedro Oliveira, responsável pelo Gabinete do Direito de Autor (GDA), um serviço de apoio técnico do Ministério da Cultura, apresenta a problemática da protecção dos direitos autorais dos conteúdos divulgados para podcast.

Sónia Correia dos Santos
in Diário de Notícias
09/Dezembro/2005

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O que eles dizem (6)

«Os utilizadores dos reprodutores MP3 ouvem música mas, crescentemente, também programas de rádio adaptados ou criados pela internet, um fenómeno chamado podcasting (ou podcast). A origem do termo podcasting sai da junção de iPod (popular reprodutor musical da Apple) e broadcasting (emissão). O podcasting trabalha com arquivos de rádio comprimidos para serem reproduzidos ao gosto do consumidor. O descarregamento nos computadores é automático, bastando que um utilizador instale um qualquer dos programas agregadores (gratuitos e fáceis de localizar na internet). Quando há algum podcast novo disponível, o software descarrega-o directamente, continua a ler-se no texto do jornal de Barcelona. Compara-se o fenómeno do podcast com o dos blogues. Como nestes, há notícias de proximidade, tecnologia, gastronomia, viagens, política, relações, religião. Para evitar questões de copyright, usam-se licenças tipo Creative Commons, que permitem o uso livre dos seus sons. Ainda semelhante aos blogues, o podcast é um fenómeno de baixo para cima, e nele entram novos agentes comunicacionais e que alteram a dinâmica dos media convencionais.»

Rogério Santos
in http://www.industrias-culturais.blogspot.com/
05/Dezembro/2005


Cotonete lança sete rádios dedicadas às presidenciais
«Luís Osório, director de informação da Media Capital Rádio (dona do site), explicou que se trata de "um projecto ambicioso", que pretende "fazer serviço público". (...) Já as rádios de cada campanha emitem discursos integrais, excertos de reuniões e notícias específicas. Embora cada candidatura deva fornecer algum material, a organização da emissão está a cargo dos jornalistas. (...) Todas as emissões incluem "cerca de 30% de música", referiram os responsáveis, que não descartaram a hipótese de um modelo deste género vir a ser usado em situações semelhantes. "O paradigma da rádio está a mudar", afirmou o director de multimedia da Media Capital Rádio, Carlos Marques "Antes fazia-se uma rádio para uma vida, agora é possível fazer para nichos e por um período de tempo definido." »

in Diário de Notícias
7 de Dezembro de 2005


A NOVA ANTENA 2
«De acordo com as notícias saídas anteontem e ontem, respectivamente no Diário de Notícias e Público, a grelha da Antena 2, a começar em Janeiro próximo, trará muitas novidades. Crescimento do jazz e da música étnica e surgimento da música electrónica, conquanto a oferta principal seja a música clássica, encontram-se entre as apostas.
Registo o aumento do espaço para a música de jazz. O programa único de Manuel Jorge Veloso, Toque de jazz, até alguns meses atrás à quinta-feira de manhã, entre as 10 e as 11 horas, e depois passado para a noite do mesmo dia, terá dois momentos, um ao sábado (novidades discográficas) e outro ao domingo (gravações ao vivo). A que se junta um grande alargamento da colaboração de José Duarte, que passa do diário Cinco minutos de jazz para uma hora de segunda a sexta-feira, Jazz com brancas. Depois da importante edição dos discos de jazz no jornal Público, colecção a acabar em breve, é mais um reconhecimento de alguém que tem feito muito pela divulgação moderna deste tipo de música.
Fico curioso com o programa Argonauta, de Jorge Carnaxide, de música electrónica e de ambiente, à quarta-feira. Será do tipo de alguns programas da rádio Oxigénio? Ou mais erudito? E com o soul, pela mão de Ricardo Saló, ele que já assinou programas de relevo em estações desaparecidas como a XFM e Voxx. E ainda com o boletim informativo (hoje, o Diário de Notícias informa que Paulo Alves Guerra, da TSF, recebeu um convite "desvanecido", mas ainda não tomou decisões).
A ideia de conceder mais espaço à diversidade parece-me apropriada. Retiro duas frases do texto de Marina Almeida (Diário de Notícias): "há muitas manifestações de inteligência que não queremos deixar órfãs" e "abrir portas a novos territórios sem pôr em causa os produtos dominantes", a música clássica (João Almeida, director-adjunto da Antena 2).»

Rogério Santos
in http://www.industrias-culturais.blogspot.com/
08/Dezembro/2005


Antena 2 aposta no fado e reforça jazz, 'soul' e 'world music'
«A Antena 2 vai "abrir as portas a novos territórios". A nova grelha da estação, que começa no primeiro dia de 2006, vai incluir, pela primeira vez, o fado, reforçando o jazz, o soul e na world music. A música clássica continua, no entanto, a dominar a programação, com a Antena 2 a apadrinhar uma temporada de concertos. A Antena 2, que se apresentará no novo ano com renovadas roupagens sonoras, quer cativar "mais inteligência", disse ao DN, João Almeida, director-adjunto da estação. Sem especificar os públicos em questão, apenas lançou "há muitas manifestações de inteligência que não queremos deixar órfãs". Por isso, a nova grelha, que será apresentada hoje, inclui maior diversidade. Um dos destaques Antena 2 para 2006 é Histórias do Fado. Este é o espaço para o fado histórico de Alfredo Marceneiro e da Severa, num registo de reportagem e de documentário. João Almeida, que reserva outras surpresas para a apresentação de hoje, sublinha que "pela primeira vez vai haver fado na Antena 2". Uma hora de jazz por dia no horário dos telejornais José Duarte, autor e apresentador de Cinco Minutos Jazz, passa a ter um programa diário (de segunda a domingo) de uma hora sobre jazz, entre as 20:00 e as 21:00. O soul, a música experimental e "mais arrojada", terá um espaço no segundo canal da rádio pública pela mão de Ricardo Saló. Já a world music entrará diariamente na grelha da estação, à hora de almoço, com João Almeida. A palavra chave é "abrir portas a novos territórios sem pôr em causa os produtos dominantes", a música clássica. Neste âmbito, a estação vai também promover uma temporada de música clássica. Estão previstos 50 concertos, em todo o País, ao longo de todo o ano, para celebrar vários compositores e a assinalar vários "centenários" - como os 250 anos do nascimento de Mozart, os 150 anos da morte de Schumann, entre outros. Também o boletim informativo da Antena 2 foi alvo de atenções e está "mais cosmopolita". João Almeida, entusiasmado, diz que a publicação, agora com um toque do departamento de marketing, está "graficamente deslumbrante". Esta é a primeira grelha da estação depois da entrada de Rui Pêgo para a direcção de programas da rádio pública, no Verão. O reposicionamento dos três canais (Antena 1, Antena 2 e Antena 3) foi já assumido como sendo um dos seus objectivos. Em entrevista ao DN, em Outubro, Pêgo disse que o serviço público "não pode ser uma coisa distante, razoavelmente institucionalizada, um bocadinho cinzenta, com uma arrogância intelectual absurda". No Bareme-Rádio do 3.º trimestre de 2005, a Antena 2 perdeu uma décima em relação ao período homólogo de 2004, com 0,5% de audiência acumulada de véspera.»

Marina Almeida
in Diário de Notícias
Terça-feira /06 de Dezembro de 2005



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