quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

António Cartaxo

A Música é um romance sem fim 















O prémio de carreira Igrejas Caeiro, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, será entregue no Auditório Frederico de Freitas da SPA
António Cartaxo nasceu na Amadora, em Agosto de 1934. Tem uma carreira na Rádio que ultrapassa meio-século. 

Você gosta de Beethoven? 
António Cartaxo foi autor do programa «Em Sintonia» na Antena2, até Junho de 2013. Um dos primeiros programas a merecer destaque aqui na «Rádio Crítica», no tempo em que a programação de autor na Rádio em Portugal já se encontrava em plano muito inclinado.
Foi também autor de outros espaços interessantíssimos de seguir na rádio pública: «De Olhos Bem Abertos», «Grandes Músicas» (que também levou à RTP-N) e «Paixões Cruzadas» em parceria com António Macedo, até início deste ano.
Multi-galardoado no estrangeiro, em 1976 António Cartaxo foi distinguido internacionalmente com o programa (realização em parceria com Jorge Ribeiro) «Você gosta de Beethoven?», em que eram entrevistados operários de uma fábrica nacional sobre a música de Beethoven, que por sua vez ilustrava a emissão. Surgiram respostas inesperadas, produzindo-se um efeito surpreendente. 
Em 2005 a Antena2 retransmitiu esse memorável programa, que actualmente não se encontra disponível no arquivo online.
Em 1987, António Cartaxo vence o Prémio Gazeta de Jornalismo na modalidade Rádio, com um programa sobre Fernando Lopes Graça.

António Cartaxo vê agora a sua distinta carreira ser galardoada depois de, em anos anteriores, ter sido nomeado para o prémio autores da mesma SPA, na categoria de Melhor Programa de Rádio, sem que tivesse ganho. Em seu lugar, ganhou outra coisa qualquer de inferior qualidade.
As nomeações e os prémios de Rádio da SPA têm sido caracterizados por um anacronismo atroz.
Nas edições até agora realizadas foram nomeados programas que não eram verdadeiramente programas, mas espaços de Rádio que não encaixam na categoria de Programa de Autor, que é suposto acontecer, como o próprio nome do galardão indica.
Aconteceu também serem galardoados programas que ou já não existiam, ou estavam a atravessar hiatos. Inclusive a repetição de nomeações de ano para ano, até que ganhassem. Este ano, por exemplo, estão nomeados um espaço matinal de animação de continuidade, um apontamento diário sobre actividades culturais e um programa semanal que terminou as edições originais há algum tempo, estando desde então a viver de repetições.
Em outras categorias também houve lugar a paradoxos difíceis de explicar, como um ocorrido no ano passado, em que na categoria de melhor programa de TV ganhou um programa de entrevistas na Rádio (!).
Na origem deste somatório de anacronismos está a opacidade dos critérios por parte do júri que, havendo-os, não são tornados públicos. Ou seja, ninguém consegue perceber o que leva os membros do júri a elaborar a curta lista (são só três) de nomeados em cada ano. Fica-se assim a desconhecer se um dos critérios basilares é referente a programas transmitidos no ano anterior à gala ou nos últimos dois ou três ou mais anos.
Os prémios de Rádio da SPA são como os Óscares. Os melhores nunca lá estão.















FOTO: José Nunes 

António Cartaxo na «Rádio Crítica»:

Em Sintonia (28 de Março de 2005) 

De Olhos Bem Abertos (28 de Março de 2005) 

Grandes Músicas (13 de Junho de 2006) 

Paixões Cruzadas (02 de Maio de 2012) 

What happened to António Cartaxo? (14 de Outubro de 2013) 

Há boa Rádio nos dias úteis (27 de Junho de 2014) 

Prémio Carreira (03 de Abril de 2016)

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O que eles dizem: 

António Cartaxo é um dos maiores Autores na História da Rádio em Portugal.
Após muitos anos da sua vida passados em Londres, no Serviço Português da BBC, António regressa a Portugal depois do 25 de Abril para felizmente se fixar com a sua Arte de musicólogo contador de histórias na Antena 2.
É um imenso prazer para os sentidos fruir do clima interior e interiorizado dos seus textos e da sua voz, acompanhando o ouvinte em mágicos percursos pelos tempos e pelos espaços da vida dos Músicos de todos os tempos.
António Cartaxo procede sempre com uma mestria comunicacional única e exclusiva.
É um grande trunfo do Serviço Público de Radiodifusão.
E parafraseando-o a ele mesmo, aos Domingos de manhã, às 11, na Antena 2, «Em Sintonia com António Cartaxo, sendo um romance sem fim, é um autêntico sinal de excelência da Rádio pública. 

José Nuno Martins 
Provedor do ouvinte da Rádio Pública 
In: RDP «Em Nome do Ouvinte» 
14 de Outubro 2006. 



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