segunda-feira, 15 de maio de 2017

Habemus campeones


Três milagrosos ‘F’ 
















A Rádio Pública e a Emissora Católica Portuguesa estiveram bem na cobertura noticiosa à visita do Papa Francisco a Fátima. Mas o destaque vai para a TSF, num conjunto de emissões especiais desde a manhã de sexta-feira até meio da tarde de Sábado, incluindo a noite de sexta-feira, na mundialmente famosa procissão das velas. Pelo conteúdo, pelas ilustrações descritivas e pela qualidade dos profissionais Nuno Domingues, Artur Carvalho, Cristina Laimen, João Alexandre, Dora Pires e Cláudio Garcia. Realizaram um trabalho de reportagem impressionante, provando uma vez mais que a TSF é a Rádio talhada para os grandes momentos e não apenas uma espécie de lista telefónica etérea que se consulta diariamente quando se pretende procurar de ouvido uma informação em específico. 













Após o Papa adepto do clube argentino de Futebol San Lorenzolevantar voo de regresso a Roma, depois de menos de 24 horas em Fátima, veio a febre do Futebol. 
Antena1, Renascença e TSF numa extensa emissão especial antes do relato do jogo, durante o jogo e depois do jogo, que consagrou o Benfica como tetra-campeão nacional pela primeira vez na sua história centenária. Foi o último dos chamados “três grandes” a conseguir tal proeza. 
Tudo somado, na Rádio, a cobertura do encontro do título ultrapassou em várias horas os meros 90 minutos de jogo. 















Ainda a festa do Futebol decorria na Praça Marquês de Pombal em Lisboa e veio o terceiro “F” da noite: o Festival Eurovisão da Canção. Portugal em nervos, apontado como o país favorito à vitória na final, confirmou as expectativas e vence na Ucânia, em Kiev, com um tema cantado em português, ao contrário da maioria dos restantes concorrentes, que o fizeram em inglês. 
A perder desde 1964, e com algumas ausências recentes no longo percurso, Portugal ganha pela primeira vez em 2017 com uma canção inferior a tantas outras portuguesas de anos passados. Mas o contexto actual é, definitivamente, outro. Incluindo os métodos de votação.
Nos anos 60 eram as questões políticas, com o país a insistir num conflito militar pela manutenção das colónias africanas, sendo o último país europeu a perceber que aquela guerra nunca seria vencida. Mergulhado numa ditadura de décadas, Portugal estava fora da Europa e do Mundo. Basta ver a histórica pontuação de zero pontos na primeira participação, que foi um calvário. Nos anos 70 era a Democracia na corda bamba e todos os reflexos de quase meio-século de escuridão. Nos anos 80, os anos da fome e da crise económica, Portugal ainda não fazia parte da CEE e continuava a um canto. Nos anos 90 o modernismo do primeiro mundo encontrava-se no centro da Europa, mas Portugal já era membro de pleno direito da União Europeia, mas não membro de primeiro plano. A partir do ano 2000, também nos anos 2002, 2013 e 2016, Portugal somou ausências. Até à vitória de Salvador Sobral. Num dos seus discursos após a vitória, acusou, com verdade, a Rádio de passar quase sempre as mesmas músicas, até obrigar os ouvintes a gostarem delas. O que diria o cantor se algumas essas músicas que se repetem na Rádio fossem as dele? Não precisou da Rádio para que as pessoas gostassem da sua canção "Amar Pelos Dois", pois não? 
Fátima, Futebol e Festival. Desta vez o Fa(r)do foi poupado, mas essa é uma outra conversa. 
Há quem lhe chame “Efeito Marcelo” ou quem defenda que a nação deu um pontapé no passado com o chuto de Éder em Saint-Denis. Prefiro acreditar que tudo é fruto de muito trabalho e alguma sorte. 
No Sábado viveu-se um 13 de Maio português diferente dos que estávamos habituados, com glória e vencedores. Daquelas coisas que só acontecem de 100 em 100 anos, mas que não são milagre. 



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