quinta-feira, 27 de março de 2025

Perplexos

Esta companhia de Teatro amador teve no seu seio, durante muitos anos, gente que também era da Rádio. E continua a ter alguma. 





































Quatro personagens à procura da memória, eliminando o que está para trás. Funciona, portanto, como se o passado não tivesse espaço para existir ou pudesse ser repetidamente apagado para que cada momento pudesse ser e conter toda a verdade. Não é por acaso, aliás, que o lixo é atirado para debaixo do sofá, como se a toda a hora essa memória fosse varrida de cena, mesmo nunca desaparecendo do campo de visão – e a súbita aparição de uma personagem vestida de nazi parece comentar isso mesmo: a História, por mais que se tente esconder, não desaparece com tanta facilidade. 

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O Teatro é a Vida e a Rádio são as pessoas 



quarta-feira, 26 de março de 2025

Teatro Sem Fios


O céu não é humano e o homem que pensa nem sequer pode ser humano 
Bohumil Hrabal















Fotografia de Jorge Gonçalves 

Monólogo barroco transporta-nos ao ambiente amarelecido e cru da Checoslováquia de Kafka, afinal símbolo universal do absurdo existencial que povoa as nossas vidas. Uma história normal, se é que se pode chamar normal à simplicidade. 

Uma Solidão Demasiado Ruidosa 
Antena2 
Teatro Sem Fios 
27 de Março às 19:00 | Dia Mundial do Teatro 
30 de Março às 14h00 

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O Teatro é a Vida, a Rádio são as pessoas

segunda-feira, 24 de março de 2025

À Beira do Som














À Beira do Som é uma parceria com a Oficina Frequência, um projecto da jornalista Sandy Gageiro (Antena 1, Antena 2, TSF, RUC, entre outros), que "surge da vontade de trabalhar com o som em várias frentes, especialmente com adolescentes e crianças" onde realiza "oficinas de rádio e clubes de leitura".
À Beira do Som é uma crónica sonora, com base nas várias paisagens sonoras da Beira. uma cartografia sonora e afectiva, da Beira Litoral à Beira Baixa.
Tem periodicidade quinzenal (assim tentaremos, mas também pode ser de 3 em 3 semanas, que ninguém se chateará), e mais não é do que um pedaço de poesia sonora, estamos em crer, com a Beira como paisagem de fundo, uma paisagem que se vai alterando, dinâmica, mas também tradicional e carregada de identidade(s), com o som como guia, numa espécie de guardião da paisagem.

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domingo, 23 de março de 2025

Futuro

12 passas para um ano de Rádio (12) 

A Rádio, tal como muitas outras áreas de actividade laboral, assemelha-se a um imenso Titanic que vai afundando lentamente sem que ninguém queira muito dar por isso. A descida é irreversível, o embate no icebergue já aconteceu, estando neste momento a massa de gelo ainda a cortar o casco. Desenganem-se os que julgam que a Inteligência Artificial está aí para ajudar. A IA, ao invés do que se diz sobre aliviar a vida profissional e facilitar a vida pessoal e familiar dos trabalhadores, veio para eliminar postos de trabalho, extinguir rendimento, eliminar salários, outros custos e benefícios, em prol do engrossamento dos lucros dos proprietários e accionistas das grandes empresas. Com a IA só essas vão poder continuar a prosperar.  

sábado, 22 de março de 2025

Extinção

12 passas para um ano de Rádio (11) 

As ameaças à existência da Rádio, presentes desde o seu aparecimento, não cessam. Pelo contrário, aumentam de ano para ano, principalmente no sector privado, sempre com a cabeça no cepo, numa dança harakíri em bicos de pés sobre uma corda bamba, permanentemente sob o velho ditame de "ou as receitas são maiores que os custos ou então encerra-se". A guilhotina também desce, volta e meia, sobre o pescoço do sector público, com a tutela alternadamente a prometer investimento e reforço ou a promover a redução e a privatização. Reduzir o serviço público de radiodifusão significa empobrecer a oferta, tornando-a débil, condenando-a à irrelevância e privatizar significa fazer desaparecer. 
A ameaça é maior quando provém de governos de ideologia ultraliberalista. Convém lembrar que as ameaças à continuidade da existência do serviço público de Rádio agudiza-se de cada vez que um governo com essas características está no poder. Em meio-século de Democracia em Portugal aconteceu vezes suficientes para que o facto seja encarado como se se tratasse de uma mera coincidência.   

sexta-feira, 21 de março de 2025

Podcast

12 passas para um ano de Rádio (10) 

Estamos a assistir a uma proliferação galopante nunca antes vista na oferta deste formato. Aparentemente mostra-se como uma deslumbrante alternativa à Rádio, mas não é Rádio. Traz vantagens e desvantagens. Por exemplo, quantos mais podcasts existirem menos audiência terá cada um deles. A pulverização produz fragmentação. Há duas décadas, quando apareceram, os podcasts provinham do exterior da Rádio, realizados por pessoas fora desse universo. Muito depressa a Rádio entrou na nova plataforma - e bem!, reproduzindo e multiplicando a sua oferta. Nos dias que correm o Podcast profissionalizou-se, vive de forma autónoma fora da Rádio e há para todos os gostos e feitios. Rádios, jornais, televisões, profissionais e amadores. Toda a gente pode fazer um Podcast se quiser. 
As estações de Rádio que persistem sem Podcast estão fatalmente desactualizadas no caldeirão das plataformas. Rádios que produzam podcasts que não emitem nas emissões em FM estão a trair a Rádio e os ouvintes. Um claríssimo tiro no pé. 
É de lamentar que ao fim de duas décadas de Podcast não se tenha encontrado uma designação em português para este formato digital sonoro. Vingou o termo original em Inglês, quando temos uma língua riquíssima. Dizemos Radiodifusão, não dizemos Broadcast

quinta-feira, 20 de março de 2025

Internet

12 passas para um ano de Rádio (9) 

A Rádio adaptou-se lindamente ao aparecimento massificado da World Wide Web, adoptando-a como aliada e não como inimiga a temer, sabendo tirar o melhor partido dela. Ultrapassada a potencial ameaça inicial, que na verdade nunca o foi, começaram a surgir as contradições. Um dos maiores paradoxos é as rádios privadas queixarem-se que as redes sociais e as grandes multinacionais tecnológicas lhes retiram publicidade e depois utilizam essas mesmas redes sociais para difundirem o seu trabalho, alimentando boca e barriga dos lobos que as condenam à fome. 
Presa nas redes de mar-alto, a Rádio ainda não sabe bem o que fazer, que opções decisivas tomar, agora que vive mergulhada na imensidão da comunicação digital em rede. No mundo incontornável da Internet, a Rádio navega em águas desconhecidas. Investe, desinveste, volta a investir, volta a desinvestir. Encontra-se à deriva, perdida num mar intenso, num mar imenso.  
Outro dos maiores paradoxos é a Rádio utilizar a Internet para se desvalorizar. Programas que têm uma versão maior na Internet é excluir os ouvintes comuns da escuta normal. É dizer ao ouvinte algo como "vá para a net, deixe a Rádio. Na Internet é melhor que na Rádio, na net é que é bom."  

quarta-feira, 19 de março de 2025

Mercado

12 passas para um ano de Rádio (8) 

Vários mercados. O publicitário, anteriormente referido noutro parágrafo, o da compra e venda de estações, que sempre aconteceu com altos e baixos desde a legalização das rádios privadas em Março de 1989 e o mercado de transferências de profissionais que, também com oscilações, esteve sempre em movimento. Este último com uma particular incidência sobre profissionais de Rádio que transitaram muito mais para a Televisão do que no sentido inverso. Todas estas movimentações têm maior ênfase na classe dos jornalistas. 
Em relação às estações privadas, a sua propriedade foi transformada num mercado de transação, em que quem compra fá-lo para a seguir - ou assim que possa - vender por um valor superior ao da aquisição. E assim sucessivamente, até ao dia em que mais ninguém compra e aí fecha-se. 

terça-feira, 18 de março de 2025

Publicidade

12 passas para um ano de Rádio (7) 

Vagas de sucessivas crises financeiras, insolvências de patrocinadores regulares, deslocação para meios diferentes - principalmente para as redes sociais -, entre vários outros motivos, provocaram uma tremenda erosão do investimento publicitário na Rádio que, de forma funesta, apregoou durante muito tempo que era um meio barato em que se podia fazer publicidade a baixo custo. E o custo está aí: cerca de algumas dezenas acima de 50% do bolo publicitário desapareceu da Rádio. A fatia, que em tempos era larga, ficou finíssima. No topo da lista de bocas famintas estão, com base nos estudos que existem de audiências - que é para o mercado publicitário que são feitos - duas estações nacionais de música a digladiarem-se por umas décimas do barame trimestral. Na prática, encontram-se numa luta miserável para ver quem faz pior rádio a fim obter mais uma migalha de publicidade.   


segunda-feira, 17 de março de 2025

Trabalho

12 passas para um ano de Rádio (6) 

Os sectores produtivos no mundo da Rádio encontram-se em evidente compressão e não é de agora. Com cada vez menos estações de Rádio há também menos mão-de-obra necessária. No entanto, a Rádio está viva e precisa de gente para a fazer. E quem trabalha nela cada vez trabalha mais. 
Numa possível entrevista de emprego, a primeira pergunta que um jovem candidato a entrar na Rádio devia fazer à entidade patronal é saber quanto vai ter de pagar para trabalhar. 
O mundo do trabalho em Portugal, não só na Rádio, tornou-se numa espécie de leilão em que fica com o emprego quem aceitar trabalhar mais por menos. Este cálculo sinistro é 100% igual ao mais básico cálculo matemático: mais por menos dá menos.  

domingo, 16 de março de 2025

Música

12 passas para um ano de Rádio (5) 

A mais antiga aliada da História da Rádio, depois da palavra. Som é emoção, músicas são emoções. É por esta e outras razões que devemos ser irrevogavelmente contra as 'playlists', que não transmitem emoção, sensações agradáveis, sequências musicais felizes, lógica interpretativa, harmonia sensorial, equilíbrio emocional, ambientes propícios e adequados aos vários tempos e momentos da transmissão radiofónica. Uma máquina composta por frieza amoral nunca terá a sensibilidade humana que é estritamente necessária em matérias sentimentais. É daqueles casos fundamentais e paradigmáticos da Rádio em que, sem a exclusiva mão humana, não se consegue fazer nada que faça sentido. 


sábado, 15 de março de 2025

Autoria

12 passas para um ano de Rádio (4) 

Basta olhar para as grelhas de programação, no que de melhor se faz na Rádio em Portugal, para facilmente verificar como seria o panorama radiofónico nacional se não existisse serviço público. É no conjunto dos vários canais públicos de Rádio que se encontra a maior quantidade de programação de autor e, inegavelmente, a maioria dos melhores programas. 
Felizmente há honrosas excepções no sector privado e nem são assim tão poucas, mas sem Rádio pública o cenário seria muitíssimo menos interessante. Desapareceria a possibilidade ainda hoje existente de ouvir Rádio, de posto em posto, sem ter de a desligar por falta de alternativas. 

sexta-feira, 14 de março de 2025

Português

12 passas para um ano de Rádio (3) 

Os erros de português, principalmente na Rádio feita em directo, são constantes e naturais. Diariamente. No entanto, erros repetidos já não são erros. São vícios no erro, julgando-se que não são nem uma coisa nem outra. Manda o bom senso que alguém dentro da Rádio esteja atento e à escuta, de preferência os responsáveis na hierarquia, detectando esses erros e corrigindo-os. Mas este flagelo é insanável porque quem manda também não sabe. 
Os maus tratos à língua portuguesa grassam nas rádios portuguesas. A depuração da linguagem é inexistente nas pessoas que falam ao microfone. Os radialistas estão absolutamente convencidos que se falarem muito estão a fazer um bom trabalho. Não estão. A Rádio em períodos de continuidade, quando é demasiado loquaz, cansa. É ruído, poluição sonora. 
Os espaços de aparente silêncio - sem o ser em concreto - produz uma abstracta sensação de libertação, um respirar essencial à fruição suave, sem atrito sensorial, alcançando conforto na escuta. Até na Rádio o silêncio é de ouro. 

quinta-feira, 13 de março de 2025

Programação

12 passas para um ano de Rádio (2) 

Acentuou-se nos últimos anos, de forma bastante recorrente, o desrespeito pela disciplina de antena em relação aos ouvintes. Constantes mudanças de horários, demasiadas repetições de programas, crónicas, reportagens, entrevistas, apontamentos de índole variada, rubricas e demais conteúdos, afasta uma grande parte da fidelização. 
Honra seja feita às estações de Rádio nacionais, regionais e locais que respeitam os horários de programação. É uma regra de ouro para fidelizar audiências. E quanto mais tempo assim o fizerem mais audiência acumulam, mais respeito ganham, mas confiáveis se tornam. A previsibilidade dos horários é fundamental na Rádio. 
Se os ouvintes têm de se esforçar muito para saberem o horário do que gostam de ouvir é a Rádio que está a falhar e é assim que os ouvintes se perdem. Ou dito de outra forma, não se ganham. 

quarta-feira, 12 de março de 2025

Difusão

12 passas para um ano de Rádio (1) 

A substituição da transmissão radiofónica através de emissores de Frequência Modulada por outra tecnologia tem vindo a ser sucessivamente adiada até à linha da inevitabilidade. 
A actual estrutura analógica é dispendiosa, carece de manutenção constante, é insuficiente para cobrir todo o território e não elimina as zonas de sombra. A questão é que ainda não existe uma solução digital mais eficiente e menos onerosa que consiga fazer melhor. 
Está também por provar que a tecnologia digital de difusão venha realmente a ser mais barata. Talvez seja bom alertar que para se aceder à transmissão digital o consumidor final vai ter de pagar o que hoje é gratuito. 

quarta-feira, 5 de março de 2025

O que as redes sociais nos fazem (VI)

A Rádio, o território das vozes 



































"Eu detecto no mundo, às vezes, um adormecimento, um costume do horror. Mas às vezes também detecto uma indignação permanente e gratuita e um pouco frívola em indignarmo-nos por tudo ao mesmo tempo e de maneira constante. Há um grau de frivolidade ali e com muita frequência do que os americanos chamam de "virtual signaling", que é indignar-me sobre uma tragédia humana, não por preocupação da tragédia, mas sim para assinalar "que virtuoso sou eu, que tenho o coração do lado correcto". Há um grau de banalidade nisto também. Eu creio que o grande problema é que o nosso comportamento nas redes sociais, lentamente, tem tido um efeito perverso na nossa relação com o mundo. Dizia-o uma autora de livros muito inteligentes, "Millennial", que sabe muito mais disto que eu, que falava de um mecanismo perverso que é chegar a ver tudo o que sucede no mundo - diz ela que "isto é uma consequência da ética das redes sociais, do Facebook e do Twitter" - chegar a ver tudo o que ocorre no mundo como um comentário sobre o que sou eu. As redes sociais produzem uma maneira narcisista de ver o mundo e isso distorce as nossas relações sociais, a nossa vida de cidadãos, as nossas opiniões políticas, inclusivamente. Em certo sentido, isto é o contrário do que se passa num romance. Um romance, a leitura de um romance, é o abandono do "eu". É uma viagem ao outro. Interessar-nos durante trezentas ou quatrocentas páginas no destino de outra pessoa. Esse é o momento de curiosidade pelo outro, de altruísmo, em certo sentido. É oposto ao que sucede na conversação contemporânea que temos nas redes sociais. Em certo sentido, por isso, são duas éticas distintas. Maneiras distintas de ver o mundo e opostas e que estão confrontadas." 

Juan Gabriel Vásquez 

A Ronda Da Noite 
18 de Fevereiro 2025 
Antena2 
Programa de Luís Caetano 
Ouvir aqui 

segunda-feira, 3 de março de 2025

Os Óscares na Rádio

 








Em tempos, a madrugada dos Óscares era uma noite de gala na Rádio em Portugal, com a transmissão em directo em emissões de prestígio ao longo de década e meia na TSF. Depois da descontinuação em 2005, a noite mais importante da sétima arte prosseguiu com acompanhamentos esparsos - e alguns anos de hiatos - em estações como a Antena1, Antena3, RCP-Rádio Clube e, mais recentemente, Rádio Observador. 
Este ano foi na recém reaparecida Correio da Manhã Rádio. A primeira emissão especial da nova CMR, com a transmissão da cerimónia da entrega dos Óscares de Hollywood em estúdio, em directo, numa equipa liderada pela jornalista Lara Marques Pereira, com Lara Afonso, Orlando Azevedo, Maria João Bastos, Rui Pedro Vieira, jornalista da CMTV e o convidado especial Paulo Branco, produtor de Cinema. Estiveram muito bem e fez-se uma grande noite de Rádio. 








Mais sobre a noite dos óscares na «Rádio Crítica» ao longo dos anos

Os Óscares na Rádio (23 de Fevereiro de 2009)
Um dia estranho para a Rádio (25 de Fevereiro de 2023) 
Também queremos pizza! (3 de Março de 2014) 

domingo, 2 de março de 2025

Rádio Crítica 20 anos











20 anos de publicações sobre Rádio na Internet

15 anos de partilhas do blogue na rede social Facebook 

00 anos na rede social Instagram 

00 anos na rede social Twitter 

00 anos na rede social

00 anos em qualquer outra rede social 

00 anos de utilização da IA 

Mais de uma centena de podcasts em conjunto no colectivo de autores «Irmandade do Éter» e em nome próprio entre Janeiro de 2006 e Setembro de 2022. 

Algumas partilhas, presenças e citações com e sem autorização prévia em livros publicados, programas de Rádio e Televisão; algumas citações autorizadas e não autorizadas em jornais, revistas, redes sociais e outros blogues. Vários textos transcritos e plagiados em parte ou integralmente em outros blogues, livros e redes sociais. Citações e cópias em trabalhos académicos com e sem autorização prévia. Dois grandes ataques informáticos com perda de publicações, apagamento de imagens e desaparecimento de sons. 
Apesar de tudo, num caminho de duas décadas cheias de coisas boas e más, nem um único desvio dos propósitos inaugurais declarados há vinte anos

sábado, 1 de março de 2025

RUC 39 anos

Rádio Universidade de Coimbra 














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Estação universitária local da cidade de Coimbra, Rádio-Escola inovadora, irreverente, fresca e inventiva, repleta de liberdade e saudável experimentalismo. Desde 1986.