segunda-feira, 16 de março de 2015
O mais "ouvido"
De todos os textos publicados ao longo destes 10 anos de «Rádio Crítica», o mais lido, citado, utilizado e procurado de todos é um sobre a Rádio Comercial dos anos 80. E razões para isso não faltam.
Os ouvintes de Rádio que actualmente se encontram na casa dos 40 e 50 anos de idade sabem-no bem. Viveram um período áureo de criatividade e liberdade radiofónica em que a inovação e variedade da oferta aconteceu com uma intensidade e profundidade como nunca mais se verificou em Portugal.
Esses ouvintes sentem-se órfãos da Rádio fervilhante, que estimulava a escuta contínua em todas as horas do dia.
O texto intitulado «A Doce Mania de Rádio» foi publicado no dia 7 de Maio de 2006 e, de lá para cá, algumas informações nele contidas alteraram-se irreversivelmente. Pessoas que morreram, programas que desapareceram, profissionais que se reformaram, números e estatísticas. Muita coisa muda na vida em poucos anos.
Mas há uma coisa que não mudou nada. A saudade dessa Rádio Comercial com programação dupla em FM e OM, com uma programação de autor 24 sobre 24 horas. Algo impensável na radiodifusão em Portugal nos tempos actuais.
A Rádio Comercial, que na passada quinta-feira completou 36 de idade, nada tem a ver com esta primeira Rádio Comercial, fundada em 1979 e dirigida por João David Nunes. Da origem apenas mantém o nome e a morada. Foi privatizada em 1993. Desde então, adoptou dois ou três perfis diferentes. E já não há lá ninguém da equipa fundadora a trabalhar, nem das equipas dos anos 80.
«A Doce Mania de Rádio»
No dia da decisão final sobre a privatização, em que se ficou a saber quem iria adquirir a Rádio Comercial ao Estado (por mais de um milhão de contos!) Pedro Castelo – na altura director da estação –, em declarações à RTP, disse que quem comprou a Rádio Comercial “comprou uma rede nacional de FM-Estéreo com 17 emissores, comprou uma rede nacional de Onda Média com 17 emissores, comprou 170 trabalhadores e, eventualmente, uma grande dor de cabeça.”
E assim foi, estragando-se duas casas: O adquirente CMR-Correio da Manhã Rádio fundiu-se com a Rádio Comercial e, com isso, desapareceu. O CMR tinha ganho a Rede Regional Sul, na legalização em Março de 1989 e era uma bela estação local de Lisboa, inicialmente pirata.
Com a fusão, a Rádio Comercial começou a descaracterizar-se e a degradar-se muito rapidamente, acabando por ter de ser vendida a um consórcio privado. Extinguiu-se a emissão em Onda Média e foi criado o perfil ‘Rádio Rock’. Seguiu-se outra venda, agora à Média Capital, a actual empresa detentora.
Há quase dois anos conseguiu atingir o seu principal (talvez único?) objectivo: o de destronar a RFM da primeira posição nas audiências realizadas pelo barame rádio da Marktest.
segunda-feira, 4 de abril de 2005
A VOZ DO LOBO
Há quantos anos ouvimos a voz deste lobo solitário? Durante quantos mais teremos o privilégio de a ouvir?
No primeiro mês deste ano, António Sérgio completou 55 anos de idade, e o programa de que é autor na Best Rock FM, dedicou-se à celebração da data. A emissão, que contou com depoimentos de várias pessoas que se foram cruzando na vida pessoal e profissional de António Sérgio, foi uma homenagem - em vida! - a uma das personagens mais marcantes do panorama radiofónico português dos últimos trinta anos.
Ouço-o há, pelo menos, vinte e cinco anos, dava eu os meus primeiros "passos" enquanto ouvinte. Já António Sérgio estava no projecto pioneiro que se iria transformar na saudosa Rádio Comercial, a então RDP - Canal 4, já depois de bons tempos passados na Rádio Renascença com o mítico programa "Rotação" (que nunca cheguei a captar por motivos de escassa idade!). "Rolls Rock" é então o primeiro programa de António Sérgio na RDP-Canal 4 / Rádio Comercial e o primeiro em que o escutei. Sei que era um espaço de divulgação musical, música essa que não ouvia em mais lado nenhum, tendo em conta que o que mais (ainda) se ouvia por esses tempos eram as emissões em Onda Média.
Não me lembro bem do formato do programa (era ainda muito miúdo), mas o que se destacou logo - e eu senti-o muito - foi aquela voz. Aquele timbre.
Absolutamente distinto dos demais. Uma voz funda, muito grave, estranha até. Nunca mais a perdi de ouvido. Já ouvi pessoas dizerem "Ah, não percebo lá muito bem o que ele diz". Eu digo-lhes: "Podem não perceber (sempre) o que ele diz, mas sempre podem perceber o que ele quer dizer".
Seguiu-se o advento em força do FM em Portugal e entrava-se no período dourado da rádio de autor.
"Rolls Rock"; "Som da Frente"; "Rei Lagarto e Outras Histórias"; "Lança Chamas" e "O Grande Delta" são títulos memoráveis de António Sérgio na Rádio.
Já em 1993, após o definhar e a consequente privatização da "velha" Comercial, António Sérgio integra o elenco (de luxo) fundador da XFM. A aventura terminou em 97, altura em que António Sérgio regressa à comercial para fazer "A Hora Do Lobo" (3ª a sábado/ 00:00-02:00).
Em 2003, com a reformulação das rádios do grupo Media Capital, A Hora Do Lobo abandona a cobertura nacional da Rádio Comercial para encontrar "toca" na então recém criada Best Rock FM, com uma cobertura local reduzida às cidades de Lisboa, Porto, Coimbra e Santarém e também através da Internet no portal IOL.
Merecedora de outros quadrantes, a "voz do lobo" lá vai soando na noite para todos aqueles que conseguem captar a sua sintonia ou têm acesso à internet. A Hora Do Lobo (Best Rock FM / 3ª a Sábado / 00:00-02:00) dedica-se ao pensar, ao ser alternativo. Num tempo de massificada formatação e segmentação na rádio, o programa e a atitude de António Sérgio é um produto cujo conceito é, por motivos conjunturais, contra corrente.
A Hora Do Lobo não se "limita" a divulgar novas edições das chamadas franjas da industria Pop-Rock. O espaço está recheado de rubricas fixas: "Santuário"; "Lista Rebelde"; "Viagens Downtown"; "Debaixo da Língua"; "Tempo de Descobertas"; "Fadas, Unicórnios e Cyborgs" e "A Fala da Tribo"(onde há um ou mais convidados em estúdio, por vezes com interessantíssimas sessões musicais ao vivo nas noites de 6ª feira). Estas duas últimas rubricas contam com a colaboração/autoria preciosa de Ana Cristina Ferrão. Seria exaustivo esmiuçar cada uma destas rubricas, pelo que o melhor é mesmo ouvi-las. Aliás, recomendam-se vivamente.
Em declarações ao semanário BLITZ em Março de 2004, António Sérgio questionado pelo jornalista Jorge Mourinha dizia que « Estar no ar um determinado período de horas por dia é uma necessidade absoluta, apesar de não ver ninguém, de não saber se me estão a ouvir do outro lado. Há aqui algo de catártico...»; «Não me sinto dinossáurio; sinto-me um bocado mais velho e, sim, francamente solitário. Na época dos realizadores, conversávamos muito entre nós, trocávamos muitas impressões».
A época dos realizadores a que António Sérgio se refere é, essencialmente, a Rádio Comercial, principalmente na primeira metade dos anos 80, em que essa Doce mania de rádio destilava talento e conteúdos originais de extremo interesse, obtendo considerável impacto junto dos ouvintes.
Sou do tempo em que se faltava às aulas para ficar em casa a ouvir rádio. Cheguei a "fugir" da escola, correndo para casa para apanhar o início dos programas.
Doce mania de rádio... é de lá que vem o uivo do lobo. O mais admirável no estoicismo e na atitude de "A Hora Do Lobo" é o conservar daquele tipo de programas repletos de pontos de interesse, que se ligam todos uns aos outros. Bem diferente do que aparece hoje no ar, em que as peças do puzzle sonoro não encaixam entre si.
O Mestre, como carinhosamente é chamado, é o último "sobrevivente" em actividade - e que nunca suspendeu funções - desse tempo de autores de radiodifusão da antiga Comercial.
Como ele próprio afirma: «Sou o último dos moicanos!».
Mas o Mestre deixa legado. Para além dos muitos fãs e admiradores (eu incluído) e, para além de lamentáveis plágios e imitações, ainda há quem queira seguir as sábias pegadas deste lobo solitário. Existem já alguns nomes na praça: Miguel Quintão, Nuno Calado, António Freitas, e mais haveria se o actual mercado rádio não asfixiasse o romper de novos talentos. As novas gerações estão a perder referências.
Citando ainda António Sérgio no semanário BLITZ há pouco mais de um ano. Então e sobre o futuro? «Hoje em dia, uma pessoa vai tendo a noção que não vai fazer rádio eternamente, se bem que se conseguir ser como o John Peel (entretanto falecido já depois destas declarações), ainda tenho uma boa década ou mais de rádio por fazer...».
Mas hoje em dia, o "futuro" ou a "morte", podem muito bem assumir outras formas. Rodeado de "playlists" por todos os lados, a rádio de autor está a ser dizimada quase por completo. O futuro que António fala, pode aparecer em fato cinzento, envergado por alguém menos escrupuloso, isento de sensibilidade humana e rádiofónica e comunicar, talvez por e-mail, talvez por SMS ou MSN e deixar escrito em caracteres trincados: "a partir d'amanhã o sr. deixa de fazer parte do projecto"; ou "o sr. no dia tal escusa de aparecer para fazer o seu programa".
Não queremos que António Sérgio seja o "John Peel português", porque comparações destas podem, no mínimo, ser injustas. Queremos que António Sérgio continue a ser "O António português".
Take care
Stay tuned!
(Há uma "extensão" escrita da "Hora Do Lobo" no caderno indígena do semanário Independente às sextas feiras).
domingo, 7 de maio de 2006
A «Doce Mania de Rádio»

RÁDIO COMERCIAL anos 80
Naquele tempo havia um rádio ligado em minha casa 24 horas por dia. Só existiam quatro canais nacionais de rádio: a RDP Antena 1 e Antena 2, a Rádio Renascença e a Rádio Comercial, que também pertencia à Radiodifusão Portuguesa. A Rádio estava sempre ligada na Rádio Comercial, especialmente na emissão de Onda Média. Isto até ter-se dado o advento do FM em Portugal, em larga escala, a partir de 1979. Eu não me lembro do nome do aparelho de recepção que o meu pai trouxe para casa em 1975 e que, na primeira vez que foi ligado, apareceu a voz de Raul Durão na Antena 1. Não me lembro da marca do modelo do aparelho, mas se tiverem oportunidade de ver o filme Apocalypse Now Redux (de Francis Ford Coppolla) aparece um rádio exactamente igual no momento do enterro do jovem soldado. Seria, todavia, com um outro receptor, um pequeno transístor manual (que lá em casa chamávamos de “bonequinha”) que escutaria, pela primeira vez, uma madrugada inteira de rádio. Fi-lo em segredo. Tinha nove anos e o programa que escutei durante toda essa noite chamava-se «A Noite é Nossa», de Ruy Castelar. Foi a primeira de muitas, imensas, incontáveis noites em claro a ouvir rádio. E, obviamente, a ouvir a Rádio Comercial. O programa «A Noite é Nossa», de Ruy Castelar, não duraria muito mais tempo e, passado um ano ou dois, apareceu um outro programa na Rádio Comercial, no mesmo horário, que quase nunca perdia. Era o programa «No Calor da Noite», feito a várias mãos. Uma equipa de notáveis profissionais, entre eles Fernando Correia, Jorge Perestrelo, Luís Filipe Barros e José Augusto Marques. Cada qual fazia à sua maneira mas, em todos eles, havia uma forte dedicação. «No Calor da Noite» era uma companhia nocturna absolutamente arrebatadora. Eu já sabia que se começasse a ouvir esse programa não conseguiria dormir mais até ao fim. Este é apenas um dos muitos exemplos que trago na memória desses templos absolutamente dourados da doce mania de rádio. «Doce mania de rádio», era uma frase cliché do programa «24ª Hora». Esse era outro dos espaços de emissão que eu ouvia assiduamente. Por exemplo, neste programa havia duas crónicas diárias absolutamente imperdíveis: o ressurgimento dos «Cinco minutos de Jazz» de José Duarte (após um interregno de vários anos na rádio portuguesa) e a crónica socio-política de José Manuel Homem de Melo. Mas tal como disse, estes são apenas alguns exemplos de uma torrente contínua de programas na Rádio Comercial, ao longo de 24 horas por dia. As manhãs, até um certo período, eram em simultâneo em Onda Média e FM. Podiam começar com a equipa de Luís Paixão Martins («Hora de Ponta»), Luís Pereira de Sousa («Hora a Hora»), Carlos Pinto Coelho, José Ramos, Herman José, Júlio Isidro, continuando depois com Ruy Castelar, Jorge Pego, etc.
As tardes em Onda Média também foram, durante algum tempo, preenchidas com um programa feminino chamado «Ela», feito por várias elas, e que tinha uma crónica social interessantíssima feita por Carlos Castro. Em FM, era a «Discoteca» de Adelino Gonçalves, «O Vapor» de José La Féria, o «Rock em Stock» de Luís Filipe Barros, «Tempo de Fuga» (rigoroso exclusivo Pausadas de Portugal) com apresentação de José Ramos, «Cabo da Boa Esperança» com apresentação de António Macedo, já pela noite dentro «Quando o Telefone Toca» com Matos Maia (à 4ª feira havia o Top dos discos mais pedidos), o «Café-Concerto» com Maria José Mauperrin, depois a já falada «24ª Hora» que teve como apresentadores Pedro Castelo, Aníbal Cabrita e João Chaves entre muitos outros. Depois vinha «O Passageiro da Noite» de Cândido Mota, «O Som da Frente» de António Sérgio e «O Calor da Noite» dos notáveis de que já falei.
A rádio nessa altura em minha casa era e, acho que em todas as casas, mais importante que a televisão. Muita gente não se lembra mas só havia a RTP 1 e 2. E a televisão em Portugal nessa altura não funcionava 24 por dia. As emissões começavam à tarde, por volta das 17:00 e às duas da manhã ou muitas vezes antes, já estavam encerradas. A rádio sempre foi o órgão de comunicação social mais importante na minha casa. Estava então ligada 24 horas por dia. Acordava a ouvir rádio, tudo o que fazia era ao som da rádio, estudava a ouvir rádio, faltei a algumas aulas para ouvir rádio, quase que gostava de ficar doente para poder ficar em casa a ouvir rádio, deitava-me (e deito-me) sempre a ouvir rádio. Muitas dessas noites, não chegava a dormir. Toda a bagagem musical que fui acumulando ao longo dos anos foi através da rádio. E todo o investimento musical que, posteriormente fiz, foi estimulado pelo que conheci através da rádio. É claro que muitas das coisas que conheci me levaram a conhecer outras e por aí fora (as playlists não permitem isso, salvo as raras excepções do costume). Nessa altura, nos últimos 25 a 30 anos, a rádio tinha uma componente que hoje em dia caiu em desuso: a formação. A rádio tinha três componentes fundamentais: a informação, o entretenimento e a formação. Hoje em dia, a formação está completamente posta de parte. Os programas tinham, de facto, impacto junto das pessoas. Havia muito mais ouvintes que há hoje. Havia mais tempo, as pessoas estavam mais disponíveis para ouvir rádio. E faziam-no, sobretudo em casa. Na altura, a maioria das pessoas não tinha ainda transporte próprio. Hoje em dia a rádio ouve-se essencialmente nos automóveis. Esta diferença de disponibilidade demonstra o quanto diferentes são hoje os ouvintes de rádio. Hoje, ouvem com menos atenção. São menos exigentes na subjectividade das emissões mas, por outro lado, as audiências de hoje em dia são mais exigentes no que toca à informação, ao jornalismo radiofónico. Hoje em dia há mais participação de ouvintes em directo na rádio, há maior interactividade por via dos vários fóruns que se multiplicam em estações de referência, sendo que em muitos destes casos o excesso de palavra cai em redundância e na inutilidade. Transforma-se em ruído. E o excesso de informação transforma-se em desinformação (mas esse é um outro assunto que não interessa agora).
Por vezes, eu colocava dois aparelhos de rádio ligados em simultâneo. Um com o volume de som mais elevado que o outro, para assim produzir-se um efeito em eco que se espalhava por toda a casa. Aquilo era mágico!
DADOS HISTÓRICOSA Rádio Comercial foi precedida pelo não menos histórico RCP-Rádio Clube Português. Após as nacionalizações em 1975, o RCP (privado) foi assim nacionalizado e caiu na alçada da RDP. Primeiro este canal nacional de radiodifusão chamou-se RDP-Programa 4. Depois, e por ser a única estação estatal a ter publicidade, começou a denominar-se – por sugestão de João David Nunes – Rádio Comercial.
Dia 10 de Março de 1979: João David Nunes assumia o cargo de director da Rádio Comercial. António Ribeiro é o director de informação.
Junho de 1980: Jaime Fernandes assume o cargo de director de programas.
Outros nomes pioneiros no arranque da Rádio Comercial: Rui Morrison, Paulo Coelho, Júlio Isidro, Dora Maria, Fernando Quinas, Jorge Moreira, Dulce Varela e Pedro Castelo.
Acho que alguma da Rádio que já se vai fazendo, neste momento, em Portugal, não nos deixa muito envergonhados em relação à Rádio que se faz lá fora.João David Nunes, Abril 1981
PROGRAMAS PARA A HISTÓRIA
«Quando o telefone toca» que teve vários apresentadores, mas o único que me lembro bem é Matos Maia. Acompanhava com maior entusiasmo a emissão de quarta-feira por causa do top dos dez mais pedidos da semana. O objectivo era ouvir as canções “Eyes Without a Face” de Billy Idol e “Take a look at me Now de Phill Collins. Estavam lá sempre (1983/84).
«Piadinhas e Torradinhas» e «Graça com Todos» dos «Parodiantes de Lisboa». As “piadinhas surgiam cedo pela manhã (no Inverno ainda de noite) e a “Graça” à hora do almoço (13:00/14:00) . Sempre de segunda a sexta-feira. Inesquecível a dupla Patilhas e Ventoinha, que aparecia já nos últimos dez ou quinze minutos da sessão «Graça com Todos». Lá iam eles desvendar mais um bizarro crime. Patilhas era o chefe, o inteligente. Ventoinha o bronco, o desastrado. Mas não eram poucas as vezes que o subalterno surpreendia e embrulhava o chefe…
«Café da Manhã» com Ruy Castelar e companhia. Da companhia fizeram parte duas estreantes vozes femininas, hoje ausentes do éter: Maria Alexandra e Isabel Risques. Onda média pura e dura, com música portuguesa, francesa e latino americana. Passatempos/ofertas e ouvintes em directo. Este era o Ruy Castelar diurno. Antes tinha havido o histórico «A Noite é Nossa» e, depois do «Café da Manhã», Ruy Castelar voltaria à terna noite para realizar o «Fantástico». Durou anos a fio, só sendo pulverizado pela privatização da Comercial em 1993. Fica na memória do «Fantástico» as intervenções da astróloga brasileira Diva Ferreira e especialmente os directos de Carlos Rebelo a partir da discoteca “Green Hill” na Foz do Arelho. O programa «Fantástico» ainda teve um remake na Rádio Nova (Porto) numa altura em que dispunha de emissão de e para Lisboa. Mas nunca mais voltou a ser a mesma coisa e a fantasia perdeu-se.
«A Grafonola Ideal» de Júlio Isidro. Salvo erro, apenas em Onda Média. E, se a memória não me atraiçoa, Júlio Isidro teve uma ou mais vozes femininas a acompanhá-lo neste programa da Comercial. Mas fez mais, especialmente a «Febre de Sábado de Manhã». Este último conseguiu feitos impensáveis na rádio de hoje. Qual é o programa que hoje conseguiria encher um estádio de futebol durante três horas para assistir a actuações musicais numa manhã de Sábado?
«Cantores do Rádio» de José Nuno Martins. Destaque óbvio para a música brasileira e estórias associadas. Outro programa de José Nuno Martins que deixou marcas na Rádio Comercial nos anos 80 foi «Interiores».
«Piquenicão» de Costa Macedo, numa romaria anual com ouvintes, amigos, familiares e agricultores. A rádio ao vivo e em directo. Literalmente.
«TNT-Todos no Top» de Jorge Pego, que numa determinada fase contou também com apresentação de Manuela Moura Guedes. Lembro-me da entrevista a Paul McCartney por altura da edição do álbum “Pipes Of Peace” (1983). A guerra-fria estava num dos seus pontos mais críticos.
«Rock em Stock» de Luís Filipe Barros. (Por um bom período de tempo foi feito por Ana Bola). Talvez o mais memorável dos programas da Comercial de 80, a par do «Som da Frente» e da «Discoteca». Rasgou horizontes e deu o Rock que os ouvintes portugueses nunca tinham escutado.
«Círculo em FM» de Paulo Coelho e Fernanda Ferreira, um programa que também contou com a apresentação de José Ramos.
«Discoteca» de Adelino Gonçalves. Um dos marcos da Comercial de 80. Enfoque especial para a chamada música negra mais dançante (funk) acompanhada por muito mais. Foi aqui, por exemplo, que se ouviu pela primeira vez o tema “Drive” dos Cars ou “Nightshift” dos Commodores em homenagem ao então assassinado Marvin Gaye (1984).
«O Vapor» de José La Féria. A ponte entre a «Discoteca» e o «Rock em Stock». Muito diferente – para melhor – era este La Féria daquele que também militava na Onda Média.
«Rolls Rock» , «Lança Chamas» , «Rei Lagarto e outras histórias» e em particular «Som da Frente», todos estes programas da autoria de António Sérgio. A história fala por si.
«Cabo da Boa Esperança» Apresentação de António Macedo. Um programa que abordava assuntos africanos. Não teve vida longa este programa da Comercial de 80 (final da tarde), mas a inigualável apresentação fica na memória. Outro programa de António Macedo que marcou: «É de Noite Já se Vê». (E aquela entrevista em directo em que o cantor Toni de Matos ainda conseguia fumar mais cigarros que o entrevistador?).
«Café Concerto» calmo e intimista de Maria José Mauperrin (ver mais abaixo).
«Morrison Hotel» de Rui Morrison. Sobriedade e bom gosto. Música de todos os tempos em perfeita simbiose. A voz distinta do autor complementava o atraente enquadramento.
«Pedras Rolantes» do próprio Rui Morrison com Rui Neves e Ricardo Camacho. A três mãos, uma emissão musical mas com palavra. Dos três.
«24ª Hora» O melhor magazine radiofónico que alguma vez ouvi. Era uma segunda e nova vida do mítico «23ª hora» vindo da Rádio Renascença (que nunca ouvi pela simples razão de que ainda não era nascido), mas já aqui os tempos eram outros. Um programa idealizado e concebido pelo grande produtor de rádio, que foi João Martins. A «24ª Hora» teve vários apresentadores (José Nuno Martins, Jorge Pego, Aníbal Cabrita, João Chaves, António Macedo, etc.) sendo Pedro Castelo o mais assíduo. Outros nomes participantes: Tomás Taveira (arquitectura), Paulo Gil, António Rolo Duarte, José Vaz Pereira (cinema). O lugar deixado vago pela “vigésima” ainda continua por preencher devidamente na rádio em Portugal.
«Cinco Minutos de Jazz» de José Duarte. Começou em 1966. Conheceu um hiato de vários anos após o 25 de Abril, mas retornou em Outubro de 1983 justamente na 24ª hora. Aí sim, apanhei o acontecimento na hora e sigo os «Cinco Minutos» até hoje.
«O Passageiro da Noite» O programa mais famoso na longa carreira radiofónica de Cândido Mota. O mais famoso e o mais polémico…
«Country Music» de Jaime Fernandes. Até hoje, o melhor programa de rádio sobre a canção tradicional norte americana.
«Dança Atlântico», «Trópico de Dança», «A Escola do Paraíso» e «W». O que uniu todos estes projectos? Um homem, um nome, muitas ideias: Miguel Esteves Cardoso. Não esteve sozinho. Ao lado do seu poder de génio, também materializado no mundo da rádio, estiveram João David Nunes, David Ferreira e Margarida Mercês de Melo. Já agora, onde estás tu, MEC?
«Pão Com Manteiga» durou 98 semanas. Uma equipa de luxo liderada por Carlos Cruz: José Duarte, Mário Zambujal, Joaquim Furtado, Bernardo Brito e Cunha, Eduarda Ferreira, Orlando Neves.
Parte desta equipa esteve também envolvida em outros programas memoráveis, ainda sob a liderança de Carlos Cruz «Contra Ataque», «Duplex» e «Uma Por Semana». O Senhor Televisão também era um Senhor Rádio. Qualidade acima da média (na altura muito elevada).
Irreverência, intransigência, independência. Alguém consegue pedir mais?
«A Flor do Éter» e «Rebéu-béu Pardais ao Ninho» de Herman José & companhia: Vítor de Sousa, Margarida Carpinteiro, Lídia Franco e Ana Bola. Lembram-se do infindável folhetim «Fedora Fedoreva»? Radio novela humorística. Hoje não existe nada parecido.
«Se7e por Se7e» uma extensão radiofónica do semanário de artes e espectáculos «Se7e», com coordenação do então director da publicação Carlos Cáceres Monteiro.
E que equipa: António Macedo, João Gobern, Pedro Rolo Duarte, entre outros.
«As Noites Longas do FM Estéreo» António Santos no seu melhor momento (monumento) de rádio.
«À Sombra de Edison» de Jorge Gil com locução de Cândido Mota. A arte do som e da palavra num ensaio experimentalista.
«Tardes de Desporto» O futebol era quase sempre ao Domingo. Por vezes, raramente, também ao sábado. Artur Agostinho, Fernando Correia, Jorge Perestrelo, David Borges, Fernando Emílio, Abel Figueiredo (relatadores); António Macedo (como repórter de pista); Carlos Cardoso (comentador de arbitragem); Fernando Neves de Sousa (comentador de futebol); José Augusto Marques, Orlando Dias Agudo, etc. Mas o desporto na Comercial não era só futebol, como hoje acontece nas três maiores estações nacionais (Antena1, TSF, Renascença). Havia transmissões dos campeonatos mundiais e europeus de Hóquei em Patins, o atletismo tinha acompanhamento regular, o automobilismo também, em particular o saudoso Rali de Portugal Vinho do Porto. As inesquecíveis vitórias olímpicas de Carlos Lopes (Los Angeles, 1984) e de Rosa Mota (Seul, 1988) foram relatadas em directo na Rádio Comercial por Fernando Correia. Arrepiante, soberbo.
Tantos e tão bons nomes da rádio feita em Portugal, todos juntos sob o mesmo tecto. Nunca mais aconteceu nada assim.
E já agora, retomando e reforçando a saga dos paradeiros de radialistas desta altura:
O que é feito de Abel Figueiredo? Foi com ele a relatar que o Sporting ganhou o último título nacional (1981) antes de uma longa travessia de 19 anos. No final do encontro, o ponta de lança sportinguista Jordão ofereceu a camisola a este narrador da Rádio Comercial. Ouvi tudo em directo! Em 1986, no verão, eram dele os relatos em directo – noite dentro – do campeonato Mundial de Hóquei em Patins no Sertãozinho, Brasil. Lembram-se?
O que é feito Fernando Emílio? Era narrador desportivo (Futebol, Hóquei em Patins, atletismo e ciclismo). Entusiasta, por vezes frenético. Permaneceu na Rádio Comercial após a privatização desta em 1993, mas ainda no decorrer da década de noventa “desapareceu” do éter.
O que é feito de Carlos Cardoso? Especialista em arbitragem de futebol, detentor de uma inconfundível voz rouca. As análises dele ao jogo em directo, principalmente nos grandes encontros de futebol, davam uma outra dimensão aquele tipo de transmissão. Sobriedade e saber, mesmo quando as emoções estavam ao rubro. Já na década de noventa exerceu as mesmas funções na TSF, mas depois disso – já na segunda metade dos anos 90 – nunca mais se ouviu. E se fazem falta análises correctas sobre arbitragem…
O que é feito de Carlos Rebelo? Era o entusiasta repórter de serviço em programas de Ruy Castelar, particularmente nos directos a altas horas da noite na discoteca “Green Hill” na Foz do Arelho. Em que “praia” andará ele agora?
O que é feito de João Gobern? Rádio Comercial e CMR – Correio da Manhã Rádio, onde foi um dos autores do programa «Faces Ocultas». Tem estado com muita regularidade e presença na imprensa escrita. A sua última (?) aparição radiofónica de que me tenha dado conta foi como cronista na TSF na primeira metade dos anos 90.
MEMÓRIA E PASSAGEM
Naqueles tempos fluorescente de rádio – que era um meio mais importante que a televisão – a Rádio Comercial era A Estação. Era a Rádio de referência em Portugal. A mais avançada profissionalmente e em conteúdos. Havia ideias, autores e realizadores que materializavam as ideias e os conceitos. Havia competição interna saudável. Discutia-se a rádio dentro da rádio com os seus protagonistas. Era a casa que albergava formas de expressão diversificadas e artísticas. Só foi possível porque vivia-se e respirava-se um clima de liberdade criativa, de respeito pela liberdade de pensamento e expressão de quem e para quem se fazia a rádio. Impensável nas outras Estações da época (RDP e RR).
Eis que entretanto se desenvolve a grande ritmo o fenómeno das chamadas “Rádios Pirata”, mas isso não foi “o mal” que veio por mal e que tenha afectado a Comercial. O pior veio depois, com o espectro da privatização. Começara a agonia.
1993, A PRIVATIZAÇÃOA empresa proprietária do CMR-Correio da Manhã Rádio compra a Comercial e assim se estragam duas casas. Acabou o CMR que até dada altura, isto é, até começar a copiar a TSF, era a rádio mais bela de Lisboa. Uma estação de charme, fascinante em muitos aspectos, com inegáveis bons profissionais. E acabou a Comercial que até então conheceramos. A fusão não podia dar certo e não deu mesmo. Depois de uma longa agonia de indefinição, novos proprietários transformaram a Rádio Comercial (exclusivamente com emissão em FM) na «Rádio Rock», dirigida por Luís Montez, entretanto saído dos defuntos projectos XFM e NRJ-Energia/Radical. Estávamos já em 1997. O formato «Rádio Rock» foi adoptado após um estudo em que dava conta das preferências dos ouvintes portugueses. Afinal, o que o povo queria era Rock! O modelo (playlist, quase ausência de programas de autor) deu resultados positivos na óptica do mercado e das audiências, mas da Rádio Comercial enquanto Rádio Comercial e enquanto conceito, já só restava o nome, os emissores nacionais e o mágico corredor da Sampaio Pina. De resto, toda a magia tinha sido substituída pela Radio Format Target.
O método fez doutrina e, em meados da primeira década do século XXI, todas – ou quase todas – as estações seguem o método. Até quando?
RÁDIO COMERCIAL 2006
É uma estação de matriz musical, quase totalmente preenchida por playlist (de tops, comercial). Beneficia de uma boa cobertura nacional e é esse facto que lhe dá vantagem em relação às tantas outras rádios comerciais/musicais que por aí andam (afinal o tamanho conta…). Tem como objectivo destronar a RFM da liderança de audiências. Para atingir esse fim começou, desde 2003 (com a entrada em funções administrativas do ex-RFM Pedro Tojal) a copiar a estação rival mais directa. Desde finais de 2005 que a Rádio Comercial tem nova direcção. Desconheço se os objectivos estratégicos serão os mesmos, mas até à data, nada de muito diferente aconteceu, com a excepção – justa – do regresso de António Sérgio e a criação do programa «80 à Hora».
Repito: Até à data, nada de muito diferente aconteceu. Vai acontecer?
Francisco Mateus

Eis um dos programas de então:
«Café Concerto
Rádio Comercial – FM
Emissões: de 1980 a 1985
Realização: Maria José Mauperrin
Transmissão: de segunda a sexta-feira das 22.00 às 24.00 horas
Equipa: Maria José Mauperrin, Aníbal Cabrita, Manuela Gomes, Manuel Cintra Ferreira e Victor Consciência.
Colaboradores: Professor Manuel Baptista, Jorge Listopad, Fernando Dacosta, José Duarte, Miguel Esteves Cardoso, Sílvia Chico, Dr. Amaral Dias.
Era um programa fundamental, cultural, onde era feito o tratamento exaustivo das várias actividades ligadas à literatura, ao cinema e às artes plásticas.
Houve os mais interessantes debates e informações muito detalhadas sobre as várias realizações produzidas, tanto em Portugal como no estrangeiro, porque a actualização era uma constante e uma preocupação dos responsáveis.
Semanalmente, uma peça importante: uma entrevista – sempre conduzida por Maria José – a uma personalidade importante da vida intelectual, que era repartida pelas emissões da semana. Conversa sempre em tom coloquial, despretensiosa, pois todos se encontravam num café concerto.Os ouvintes punham questões aos convidados que depois iam ao programa responder em directo às perguntas feitas.
Foram mais de trezentas entrevistas que Maria José fez aos homens e às mulheres da cultura, desde sociólogos a pintores, de músicos a antropólogos, de gráficos a escritores.
Houve, também, convidados estrangeiros, nomeadamente Mário Lagos, Chico Buarque de Hollanda, Mário Soldati, entre outros.
Espaços especiais eram dedicados à ciência, aos livros e seus autores, à informática, ao jazz, às exposições, à psiquiatria.
Foi tentada – e conseguida – criar a atmosfera de um verdadeiro café concerto, espaço de convívio que surgiu em França, no século XIX, e onde dialogavam o malabarista com o intelectual, o músico com o pintor. Esse ambiente foi conseguido, e isso foi um dos motivos do grande sucesso do programa.
O entrosamento que era dado às palavras e à música, a selecção, correcta e rigorosa, a enquadrar-se no ambiente e na atmosfera criados, este todo homogéneo, contribui para que o Café Concerto fosse considerado um dos grandes programas da rádio portuguesa.
Quando deixou de ser transmitido houve grande reacção por parte dos ouvintes, e a imprensa especializada fez coro com esse descontentamento.
Mas o programa chegara ao fim e o regresso era irreversível.»
in "Telefonia" de Matos Maia
Círculo de leitores
1994
domingo, 20 de novembro de 2005
Num domingo qualquer
Vergílio Ferreira disse: O tempo que passa, não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que já passou! Verdade indesmentível. Depois de terem passado pouco mais de vinte anos sobre as memórias que se seguem, sente-se que duas décadas passam depressa e, afinal, não é assim tanto tempo. O que mudou na rádio portuguesa em vinte anos é que foi muito. Em 1982, por exemplo, num domingo qualquer, havia programas de rádio absolutamente irresistíveis. Vivia-se a então denominada doce mania de rádio, a frase chave do FM Estéreo da Rádio Comercial (RDP). Vivia-se o período dourado da arte radiofónica em Portugal, de que fui ouvinte indefectível. O fervilhar do FM com bom gosto, romantismo, arte e talento como nunca mais voltou a acontecer com tamanha intensidade. Hoje, neste domingo invernoso, apetecia-me voltar a escutar alguns desses programas dominicais. Partilho esse desejo impossível de concretizar socorrendo-me do livro "Telefonia"* do radialista Matos Maia. Os programas que hoje queria ouvir: À Sombra de Edison e As Noites Longas do FM Estéreo. Quem conheceu estes dois programas de rádio sabe avaliar bem a importância desta memória...num domingo qualquer.
À SOMBRA DE EDISON
Naquela década houve rádio e houve som em toda a sua generosidade. O som utilizado, inteligentemente, naquele que é o maior espectáculo do som: a rádio.
Naquela altura dizia-se: «aos domingos, entre as 11 da manhã e a 1 da tarde, passa a ser possível "ir ao cinema" sem sair de casa. Basta ligar o rádio, sintonizá-lo no FM Estéreo da Rádio Comercial, e fechar os olhos para ver À sombra de Edison.»
Depois do indiscutível e justíssimo sucesso do Em Órbita, Jorge Gil confessa que Á Sombra de Edison foi o trabalho que mais satisfação lhe deu.
À Sombra de Edison é um programa de rádio. À Sombra de Edison não é um programa de rádio. Transmite-se como se fosse, capta-se como se fosse, e vem noticiado como se fosse um programa de rádio. Ou melhor (pior) não se ouve como estamos habituados a ouvir rádio. Ousa apelar aos nossos outros sentidos. Ousa conceber o ouvinte como um ser pensante: ousa, enfim, pedir "Ouça".
"Para compreender a ousadia por trás do simples convite de Jorge Gil e de À Sombra de Edison - ouça rádio - seria preciso explicar porque é que não ouvimos o que não é rádio. Ou seja, da nossa parte, a falta de atenção, e da parte da rádio, a falta de ambição.
"Só aparentemente haverá uma hegemonia do som sobre a imagem e o velho argumento (a velha desculpa), segundo a qual as pessoas ouvem (música, rádio) enquanto estão a fazer outra coisa, esse álibi começa a não pegar.
O som, apenas som, pode absorver. Pode prender, recorrendo à imagem (imaginação) interior; mergulhando toda a sala onde está o rádio numa completa escuridão; o som pode ser a única coisa que há. E uma composição radiofónica, como mostra cada uma das emissões de À Sombra de Edison, pode, afinal, ser música.
Pode ser a música grande que se basta a si própria - que se ouve de olhos fechados, sem suportes visuais - aquela que dispensa porque não precisa de mais.
"Em rádio, logo à partida se aceita que o som não pode ser auto-suficiente. Daí ser concebida para acompanhar, mais ou menos subalterna, outras actividades: andar de automóvel, ler, passar a ferro, cozer pão, fazer amor, tomar banho.
O que quer dizer: antes de começar a lutar, já se dá por derrotada.
"Mas o som não tem de ser aia da imagem. Jogando com a sua própria natureza com o seu mistério - o som pode ser como as frases de um livro que lemos. "Ela era linda", lemos nós. E eu penso na Maria, e ele na Luísa, e ela na Teresa. Essa é a mágica indefinição da palavra escrita que não descreve até à morte: desenvolve a criatividade ao leitor e limpidamente se entrega com diferença.
"À Sombra de Edison assume, como nunca se fez na rádio portuguesa, esse incrível desafio que é recorrer à força que o som pode ter, para arrombar em quem o ouve as reservas criativas, as imaginações, os depósitos ideais que os demais programas de rádio, cabisbaixos com o seu complexo de inferioridade, envergonhadamente se contentam em deixar encerrados, para que outros meios (a literatura, o cinema, a música) as possa abrir.
"A partir de À Sombra de Edison, a rádio deixa de ser parasitária e subalterna, incompleta e complexada. Os sons (palavras, ruídos, música) agem então, como pontos de partida, para viragens estéticas e narrativas, filosóficas e históricas, que só o ouvinte poderá fazer; e, o que mais importa, cada um em direcção ao seu destino diferente.
"Ousando um Portugal num contínuo pluritemporal, À Sombra de Edison convida-nos (e por vezes força-nos) a pensar esta pátria de Pessoa e de Topo Gígio, dos Távoras e Salazares, de Marco Paulo e de Camões e reflectir sobre as misérias e grandezas passadas e presentes, sem cair em qualquer certeza que não a confusão; sem optar por nenhum dogma explicador que não a abertura a todas as interpretações de boa-fé; sem falsas vergonhas ou vaidades; e sem prepotências de uma única resposta, ou simplesmente de uma só pergunta.
" «Afinal esse amontoado de referências abertas, essa catrefa de pistas num mistério para o qual não existe chave de solução; afinal essa montagem de coisas que se passaram e que passam, que se ouviram, e que se ouvem, que se viram e se vêem, que se disseram e se dizem; afinal só assim estaremos, talvez mais perto do que Portugal foi e é.
"As perguntas são para fazer-se, e as respostas são para desejar-se mas, se as respostas não vierem, só um espírito tíbio e mesquinho deixaria de querer fazer mais perguntas - sejam outras, sejam as mesmas. É isso que faz À Sombra de Edison, utilizando o som (tudo aquilo passível de ser percebido pela audição) como catapulta formidável de perguntas. É fá-lo de uma maneira excessivamente bela para ser descrita: fora dele; fora de À Sombra de Edison, mas bem dentro de nós.
"Resta dizer: À Sombra de Edison é um programa de rádio. Transmite-se aos domingos, entre as 11 e as 13 horas, no FM estéreo da Rádio Comercial…"
Sob o título "Rádio", esta análise curiosa e importante, foi publicada no Jornal de Letras e assinada por Miguel Esteves Cardoso.
Ainda hoje À Sombra de Edison paira, como uma gigantesca sombra de alta qualidade e de superior originalidade, marcando uma época de ouro na rádio Portuguesa.
À SOMBRA DE EDISON
Rádio Comercial – FMEmissões: Fevereiro a Julho de 1982
Transmissão: Domingo (11:00 – 13:00)
Realização: Jorge Gil
Locução: Cândido Mota
Assistência técnica: Leonel Santos
AS NOITES LONGAS DO FM ESTÉREO
"Ao contrário do que se poderia pensar, trata-se de histórias curtíssimas, de fino humor, que procuram não a gargalhada, mas o sorriso cúmplice. "Essas pequenas histórias, que como pontuam belíssimos momentos musicais ao longo de todo o programa, são um exemplo de utilização inteligente, e diferente, do "non - sense" - Rui Cartaxo, Sete
"Com António Santos à cabeça e João Viegas na "sombra", sempre na mesma linha, "quem conta um conto aumenta um disco" e já está uma emissão de realização simples e linear e, no entanto, boa como poucas"- Diário de Notícias.
"Ou como se pode ser simultaneamente terno e mordaz, divertido e atrevido, paliativo e chocante. Uma taça de ternura seguida de um balde de água fria"- Diário de Lisboa
"As noites longas do FM Estéreo é daquelas emissões que o "contra" não perde. Boa música no horário certo, os textos curtos, bem lidos, quase sempre a merecer, pelo menos, um sorriso."- Correio da Manhã
Se já não se lembra do programa, ou, por azar seu, nunca ouviu uma emissão, aqui ficam dois exemplos do estilo de textos:
On The Rocks
"Quero mais gelo, por favor!" O empregado colocou duas pedras no copo. "Mais gelo. Estou cheio de calor. Mais gelo!" Dezoito pedras depois, o cliente continuava a pedir: "Mais gelo, ó homem, um pouco mais de gelo!"sub-repticiamente o empregado carregou no botão oculto pelo reposteiro. O icebergue que caiu do tecto raspou na testa do cliente, de leve, e aterrou no copo com grande estrondo.
O burro
Sempre lhe tinham chamado burro. Na escola os colegas riam-se dele. As namoradas troçavam do comprimento das orelhas. Consideravam-no teimoso e pouco inteligente. Quando não o apelidavam de burro, os nomes escolhidos eram ainda piores. Triste, abanou as orelhas e zurrou prolongadamente.
As Noite Longas do FM Estéreo
Rádio Comercial - FM
Emissões: de 1982 a 1988
Realização: António Santos
Transmissão: domingos das 21.00 às 24 horas
Equipa: António Santos, Eduarda Ferreira e João Viegas
* Círculo de Leitores / 1995
quinta-feira, 12 de março de 2009
RÁDIO COMERCIAL 30 anos

No dia 12 de Março de 1979 era inaugurada a «Rádio Comercial»; o canal comercial da Radiodifusão Portuguesa. Uma criação de João David Nunes que deu fama e proveitos e que chegou ao fim com a privatização em 1993.
Trinta anos depois mantém-se o nome da estação e o endereço das instalações, no mítico corredor da Rua Sampaio e Pina em Lisboa, mas a rádio é outra e totalmente diferente. Em 16 anos de estação privada mudou de figurino e perfil mais vezes do que seria saudavelmente recomendável e, em 2009, tem (e mantém) como missão perseguir a rival RFM e tem como objectivo (único?) ultrapassá-la nas audiências. Muito pouco para uma estação de envergadura nacional. Não foi para isto que se fez a Rádio Comercial em 1979. Mas os tempos são outros e mudaram mesmo muito para a Rádio Comercial. Continua a ser uma marca referencial no mundo da Rádio nacional, mas o modelo de negócio em que assenta está a esgotar-se a cada minuto que passa. Um cenário que ainda se encontra em processo de negação e que não é apenas para a Rádio Comercial.
Três décadas depois não se encontra “no ar” nenhum dos nomes de origem. Grande parte dos nomes que fizeram da Rádio Comercial uma rádio de referência em Portugal estão vivos e alguns deles ainda no activo (José Duarte, Júlio Isidro, Luís Filipe Barros, António Sérgio, Aníbal Cabrita, etc). No entanto, nenhum destes nomes – e outros – estão na actual Rádio Comercial. O ângulo de visão dos factos fazem depender uma interpretação positiva ou negativa dos mesmos. Pessoalmente acho que estes factos não são positivos, demonstrando desde logo que a carreira profissional na Rádio tende a ser cada vez mais curta. A lógica empresarial dominante (na Rádio e fora dela) sente-se incomodada com a existência de quadros acima dos 45 ou 50 anos e prefere ter jovens remuneradamente “exploráveis”, mesmo que muito competentes e promissores. Na Rádio portuguesa a RDP é o único caso visível em que ainda é possível para alguns profissionais (não todos) envelhecer na Rádio com alguma dignidade.
Trinta anos depois mantém-se o nome da estação e o endereço das instalações, no mítico corredor da Rua Sampaio e Pina em Lisboa, mas a rádio é outra e totalmente diferente. Em 16 anos de estação privada mudou de figurino e perfil mais vezes do que seria saudavelmente recomendável e, em 2009, tem (e mantém) como missão perseguir a rival RFM e tem como objectivo (único?) ultrapassá-la nas audiências. Muito pouco para uma estação de envergadura nacional. Não foi para isto que se fez a Rádio Comercial em 1979. Mas os tempos são outros e mudaram mesmo muito para a Rádio Comercial. Continua a ser uma marca referencial no mundo da Rádio nacional, mas o modelo de negócio em que assenta está a esgotar-se a cada minuto que passa. Um cenário que ainda se encontra em processo de negação e que não é apenas para a Rádio Comercial.
Três décadas depois não se encontra “no ar” nenhum dos nomes de origem. Grande parte dos nomes que fizeram da Rádio Comercial uma rádio de referência em Portugal estão vivos e alguns deles ainda no activo (José Duarte, Júlio Isidro, Luís Filipe Barros, António Sérgio, Aníbal Cabrita, etc). No entanto, nenhum destes nomes – e outros – estão na actual Rádio Comercial. O ângulo de visão dos factos fazem depender uma interpretação positiva ou negativa dos mesmos. Pessoalmente acho que estes factos não são positivos, demonstrando desde logo que a carreira profissional na Rádio tende a ser cada vez mais curta. A lógica empresarial dominante (na Rádio e fora dela) sente-se incomodada com a existência de quadros acima dos 45 ou 50 anos e prefere ter jovens remuneradamente “exploráveis”, mesmo que muito competentes e promissores. Na Rádio portuguesa a RDP é o único caso visível em que ainda é possível para alguns profissionais (não todos) envelhecer na Rádio com alguma dignidade.
Sobre a Rádio Comercial e temas relacionados ver na «Rádio Crítica»:
«Rádio Comercial – Doce Mania de Rádio»; «Rádio Comercial anos 80»; «Outros Programas da Rádio Comercial nos anos 80»; «Paradeiros»; «E você? Ainda está aí?»; «Num domingo qualquer»; «À Sombra de Edison»; «As Noites Longas do FM Estéreo»; «A Voz do Lobo»
quarta-feira, 29 de março de 2006
Paradeiros

Das quase três décadas que levo enquanto ouvinte de rádio, há programas, há nomes, há pessoas da rádio que me fazem hoje em dia muita falta apesar de, na sua esmagadora maioria, nunca as ter conhecido nem de nunca as ter sequer visto. Através dos seus programas na Rádio, foram grandes companhias para mim. Estavam no meu quarto, sonorizavam as minhas tarefas, suportavam os meus tempos de estudo, iam comigo para a escola, estiveram à mesa comigo em todas as refeições oficiais e oficiosas, dormiram comigo, foram assunto de muitas conversas, obrigaram-me a comprar cassetes, discos de vinil e CD. Levaram-me a adquirir e a ler livros. Fizeram-me ver cinema. Contribuíram para a minha catarse diária (todos nós temos direito a isso!). Recordo aqui algumas dessas pessoas, alguns desses programas. São factos, que tiveram o seu papel formativa e informativamente na minha vida. Cada qual à sua maneira e com graus de intensidade distintos. Mas todos estes que agora recordo, entre muitos outros, foram e são importantes. Neste caso apenas me dirijo, em forma de elegia, a pessoas que estão actualmente “desaparecidas” do mundo da rádio. A mesma Rádio que provoca sonhos e paixões e que destrói carreiras. Umas por opção, outras por força das circunstâncias, outras por razões que desconheço. São pessoas que, por um momento ou mais das suas vidas, dedicaram-se à rádio e a essa “manigância” hoje cada vez mais rara e abstracta que é pensar, esboçar, conceber e realizar um programa de rádio. Pessoas que passaram pela rádio, ou que quiseram que a rádio passasse pelas suas vidas ultrapassando a simples condição de ouvinte, deixando as marcas que deixaram. Povoaram imaginários, influenciaram gostos, afectaram de forma positiva o modus vivendi de quem fez e de quem ouviu.
O que é feito deles?
O que é feito de Júlio Montenegro, radialista veterano do qual eu ouvia sempre o seu magnífico “Voo de Pássaro” na RDP-Antena1, durante os serões de segunda a sexta-feira, das 23:00/01:00, na segunda metade da década de 80. Era um dos raros programas que não perdia de ouvido na cinzenta rádio pública de então. Este voo reluzia!
O que é feito de Pedro Albergaria, mais veterano ainda, autor do inesquecível “Viva o Velho” na Rádio Comercial. Profundo conhecedor de música popular das décadas de 50, 60 e 70, e uma das mais poderosas vozes do então “F.M. Estéreo”. Tinha como indicativo de programa o magnífico instrumental “Albatross”, dos Fleetwood Mac na era do guitarrista Peter Green.
O que é feito de Ana Luz, mulher de voz acolhedora, autora do esplêndido “Suave Encanto” na há muito tempo extinta RGT – Rádio Geste (Lisboa 96.6), dirigida por Henrique Garcia, nas tardes de 2ªa 6ª, das 3 às 5. Tinha um tema de Vangelis como indicativo, Maria João Pires como amiga e alguns instrumentais fetiche, como por exemplo o assombroso (e longo) “Sending Lady Load” tocado ao piano por Martin Duffy, no álbum “Pictorial Jackson Review” dos Felt.
Ana surgiria tempos depois já num registo muito diferente, na Rádio Comercial, julgo que em Onda Média.
A última exposição pública da qual que me tenha dado conta foi como apresentadora, ao lado de Júlio Isidro, num programa de TV de que já nem me lembro o nome. Mas da rádio lembro!
O que é feito de Amílcar Fidélis, homem de voz estranha e enigmática, autor da maravilhosa “Ilha dos Encantos” na primeira etapa da RFM, desde 1987 até 1990. Noites de semana, da meia-noite à uma da manhã. Indie Pop de extremo bom gosto, com rubricas fixas, como por exemplo “O Tesouro da Ilha”, que tinha a voz de Maria Flor Pedroso (?) / Teresa Fernandes (?) no jingle. Também havia alguns convidados esporádicos para se debater sobre determinado tema. Foi assim durante várias emissões no início de 1990 para fazer-se o balanço da década que entretanto acabara. E tão diferente que era a RFM nesses tempos…
O que é feito de Ana Maria Delgado, autora do mais que brilhante programa “UNO”, na RJC – Rádio Jornal do Centro/TSF-Coimbra, entre 1990 e 1993. Um belo tango como genérico, várias vozes convidadas a dizerem textos de poesia ou prosa, música de sonho, tendo como portfolio essencial o que de melhor se encontra no vetusto American Song Book. A frágil e aguda voz da autora só aparecia no fim para desvendar a ficha técnica. Depois da unificação em rede da emissão da TSF/Press para todo o país, e da abolição de uma série de programas de autor, entre eles o “UNO”, nunca mais se soube nada de Ana Maria Delgado. E assim terminou um programa de primor refinado.
O que é feito de Rui Morrison, o grande senhor de “Morrison Hotel” na Rádio Comercial. "Morrison Hotel" é um dos programas de rádio que mais recordo. Era mais do que isso. Era um conceito, uma estética sublimada. Tinha por indicativo um curto e belo instrumental de Tom Waits. “Morrison Hotel” teve duas fases. Gostei de ambas. Só não gostei dos hiatos e do fim. Continuei a acompanhar Rui Morrison na Comercial mesmo quando ele já não estava no seu melhor, assinando um programa inócuo e fraco por comparação com o “Hotel”, chamado “Caixa de Música”, que tinha por indicativo um tema instrumental também de Tom Waits (e Crystal Gayle) na Banda Sonora do filme “One From The Heart”.
Até 1993 não lhe perdi o rasto, mas depois veio a privatização da Rádio Comercial e… lá se foi embora o criador do melhor hotel da rádio portuguesa.
Rui Morrison reapareceu em 1996 na efémera Central (93.7, Lisboa), num horário nocturno a par do Jornalista João Paulo Guerra (nos noticiários). Dedicou-se depois por inteiro à publicidade, ao teatro e ao cinema. Mas a rádio…
O que é feito de Sílvia Alves, autora do saudoso “Sete Mares” na Antena1, na segunda metade dos anos 80. O indicativo do programa era o tema istrumental "Saudade" dos Love And Rockets. Animadora nas extintas XFM e Voxx. O último programa que assinou na rádio tinha o nome de “A Amante do Gerente Comercial” (Voxx). A sua voz grave, profunda, arrastada e meio rouca devem ter inspirado tal designação para essa derradeira (até quando?) passagem pelo mundo da rádio. Desde 2001 que o éter não se deixa arrebatar por uma das vozes femininas mais sedutoras de sempre.
O que é feito de João David Nunes, director do melhor período que conheci na Rádio em Portugal: anos 80 na Doce Mania de Rádio Comercial. Ele era a cara e o corpo desse grande projecto. Um senhor, um aristocrata da rádio, dono de uma das mais singulares vozes da rádio e também da publicidade no nosso país. Ouvia-lhe as leituras e declamações com o ouvido encostado ao transístor. Como quem ouvia uma história de embalar, mas nunca me dava o sono! Actualmente ouvimo-lo em spots de publicidade, mas não a fazer rádio.
O que é feito de Mafalda Lopes da Costa, autora do poético “Do Outro Lado do Espelho”, na TSF, nos primeiros anos da década de 90. A arte do som e da palavra num casamento feliz, porém com um final abrupto e inesperado.
Mafalda reapareceu em finais dos anos 90 justamente na TSF com “Da Capa à Contra Capa”, uma crónica literária diária. Mas depois disso, na rádio, nada!
O que é feito de Rui Neves, autor do mítico “Os Musonautas” na Comercial de 80. Um Jazz man dos hemisférios mais difíceis, que espalhou mistérios vários em programas na XFM e na TSF. Lembram-se de "Jazzosfera" e “O Jazz é Como as Bananas”?
Sei que está – ou esteve até há pouco tempo – ligado ao Centro Cultural de Belém. Mas quanto a rádio…
O que é feito de António Curvelo, especialista em Jazz e Blues, autor de programas de boa memória na TSF. “Quem Tem Medo de Charlie Parker?”, “TSF-Blues” ou “Jazz Avenue” são os exemplos. A partir do verão de 2003, com a reestruturação da Rádio Notícias, calou-se esta voz da rádio. Continua a escrever sobre Jazz e Blues na imprensa, mas não é a mesma coisa.
O que é feito de Isabel Simões, animadora na RJC-Rádio Jornal do Centro/TSF-Coimbra. Em nada ficava a dever às maiores vozes femininas do seu tempo. Foi um privilégio para quem a ouvia nas emissões locais. O resto do país perdeu um bocado em não a poder ter conhecido. A sua última aparição pública, pelo menos que me tenha dado conta, foi num canal de TV por cabo cuja temática era a Saúde.
O que é feito de Fernando Quinas, a voz clássica da publicidade dos “Parodiantes de Lisboa” que escutei diariamente desde 1975 até meados de 80, sempre em onda média. Talvez a primeira voz que me lembro de escutar em rádio. Uma das figuras de renome da Rádio Comercial, que apanhei em diversas apresentações. A última vez que ouvi Fernando Quinas em directo foi em finais de 2002, na também já extinta Rádio Nostalgia. Ele assegurava o período da noite, desde as 20:00 até às 00:00. Actualmente surgem nas emissões de continuidade da Radar frases/provérbios com a sua voz.
O que é feito de Maria Alexandra, uma das animadoras com melhor presença na rádio em Portugal dos últimos 25 anos. Ouvi a sua estreia em directo ao lado de Ruy Castelar, nessa verdadeira instituição que era o “Clube da Manhã” na onda média da Rádio Comercial. Seguiu o seu próprio caminho a solo na rádio e um dia chegou à televisão. Depois desapareceu. Esteve, não sei se ainda está, em spots de publicidade. E se a rádio necessita de uma animadora assim…
O que é feito de Isabel Risques, outra talentosa voz feminina que também teve a sua estreia ao lado de Ruy Castelar. A última vez que a escutei na rádio foi na TSF nas “Estórias de Portugal”. E a última vez que lhe escutei a voz foi em voz off na televisão por cabo.
O que é feito de José La Féria, autor de “O Vapor” nas eternas tardes do «FM Estéreo» da Comercial, das 15:00 às 16:00. O programa que sucedia a “Discoteca” de Adelino Gonçalves e antecedia o “Rock em Stock” de Luís Filipe Barros. Ouvi pela última vez José La Féria na segunda metade dos anos 90 na Onda Média da Comercial, entretanto transformada em Rádio Nacional e já encerrada.
O que é feito do próprio Adelino Gonçalves, autor da ainda hoje muito relembrada “Discoteca”, no início das tardes da Comercial (13:00/15:00). Às vezes eu faltava às aulas para ouvir estas emissões. Conheci imensa música nesta Discoteca. Já na década de 90 recusou ir para a RFM, regressando ao éter em meados dessa década, na NRJ-Rádio Energia. Mas as coisas não parecem ter corrido lá muito bem e desapareceu do mundo da rádio. Não há muito tempo “apanhei-o” numa crónica musical na Rádio Marginal (Lisboa, 98.1).
Continuamos a ouvi-lo em publicidade e em voz off nos canais de TV por cabo.
Mas, e a rádio?
O tempo que tudo transforma, transforma também o nosso temperamento. Cada idade tem os seus prazeres, o seu espírito e os seus hábitos
Nicolas Boileau
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O que eles dizem (14)
A morte do Zé Ramos é uma daquelas coisas impensáveis, embora previsíveis. Impensáveis porque não nos passa(va) pela cabeça deixarmos de vibrar com aquela voz firme, com aquele timbre grave a arrastado, aquele porto de emoções único. Previsível, infelizmente, porque José Ramos tinha tanto de genial como de excessivo. Ele viveu sempre em cima do risco. No tabaco, no álcool, na velocidade, no jogo, na vaidade, mas também na entrega total. A SIC deve-lhe muito. Quem gosta de televisão e de rádio... também.
Nuno Azinheira
in Diário de Notícias
Sábado, 25 Março 2006
quinta-feira, 23 de março de 2006
«E você? Ainda está aí?»
«…então fique para ouvir (…) nas manhãs da Comercial!». Era muitas vezes esta a frase utilizada por José Ramos nas saudosas “Manhãs da Comercial” nos anos 80. Eram os tempos da Doce Mania de Rádio. Como ouvinte, acompanhei o arranque destas manhãs da Comercial. Estávamos em 1985, e o horário 07:00-10:00 de segunda a sexta-feira era repartido nos dias entre José Ramos e Herman José. Depois de algum tempo assim, Herman deixou as manhãs da Comercial, ficando estas entregues por inteiro a José Ramos. Foram anos gloriosos esses, em que eu ainda não tinha a má relação que tenho hoje com esse fenómeno natural e estranho a que chamam manhãs. Emissões de bom humor. José Ramos fazia-as com grande entrega, grande gosto. Isso era claramente visível. Era livre de dizer o que muito bem quisesse. Escolhia as músicas que queria. Era um verdadeiro animador de rádio, pleno de liberdade editorial. Depois de uma pausa, já no início dos anos 90, aconteceu o regresso de José Ramos às manhãs da Comercial. Mas já não eram a mesma coisa. Talvez eu sinta isto por deformação enquanto ouvinte, por já estar a consumir outro tipo de rádio nessa altura. Ou então era a própria Rádio em Portugal que já tinha mudado.
A partir de 1993, com a privatização da Rádio Comercial, deixou de haver espaço para um radialista das características “clássicas” de José Ramos. E o resultado está à vista de todos. Sem liberdade total, não queria continuar na rádio. É claro que ele não precisava da rádio para nada, muito pelo contrário. Havia a imensa publicidade que gravava, havia a voz off na SIC e outras coisas, entre elas a paixão pelos automóveis.
Mas nem só de pão vive o homem. José Ramos estava afastado do que mais gostava – a Rádio – porque não aceitou deixar de ser livre. E ele sentia esse afastamento com desgosto. Ele próprio o disse em Junho último, quando foi convidado no programa “Prova Oral” da Antena3. “Não aceito regressar à rádio sem ter a garantia de ter um programa só meu onde possa fazer o que quiser”, disse. E sobre o actual estado de coisas na radiodifusão em Portugal, afirmou: “Esses consultores estrangeiros que contratam para formatar as nossas rádios só cá vêm para mamar uma pipa de massa. Não percebem nada disto!”. José Ramos foi convidado nessa emissão da Antena3 a propósito do livro autobiográfico que então lançara intitulado “NO AR – Live on Paper”.
Desde há poucos meses, José Ramos tinha uma crónica semanal na RDP-Antena1, no painel "Os Reis da Rádio", do qual também fazem parte outros nomes grandes da história da rádio portuguesa dos últimos trinta anos.
E você? Ainda está aí?
Foi nas manhãs da Comercial, na voz de José Ramos, que Portugal ficou a saber em primeira mão do trágico acidente de aviação que vitimou o então presidente moçambicano Samora Machel. Os noticiários eram de meia em meia hora, editados pelo jornalista Jorge Moreira. Uma inovação na altura, e, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, foi um figurino inaugurado pelas manhãs da Rádio Comercial. Ainda não existia a TSF.
Foi também nas manhãs de rádio com José Ramos que conheci algumas das canções que ainda hoje me acompanham. “Bound For Glory” e "Once An Angel" do álbum “Old Ways” de Neil Young, “Okie From Muskogee” de Merle Haggard ao vivo num espectáculo para as tropas no Vietname; a incrível versão de palco do tema “Jersey Girl” de Tom Waits por Bruce Springsteen e a E Street Band; O álbum homónimo de Rui Veloso em 1986; a estreia nacional da canção “Pássaros do Sul” de Mafalda Veiga; dois instrumentais: um da banda sonora do filme “Cal”, composta por Mark Knopfler e um outro da autoria do guitarrista português Francis. E sempre que ouvia estas canções associava-as ao José Ramos nas manhãs da Comercial. Mas principalmente a canção “J’arrive” na voz de Jacques Brel. José Ramos, numa madrugada da Rádio Comercial, enquanto convidado, levou alguns temas para se ouvir. “J’arrive” era um deles, e José Ramos explicou a escolha, dizendo que aquela canção que lhe causava arrepios de morte. Isto porque Brel gravou-a quando já tinha sido desenganado pelos médicos. Gravou-a quando sabia já que não iria sobreviver ao cancro que o atacara. Cantou-a como se fosse a última vez na vida.
O que eles dizem (13)
Hoje vamos ter uma emissão especial. Não escolhemos um tema, antes preferimos escolher uma personalidade e, a partir dela, deixar que o tempo nos conduza para onde lhe apetecer. O nosso convidado de hoje é um dos ícones da comunicação, o verdadeiro "monstro". Ele já fez rádio (a sua grande paixão), é a principal voz da SIC (sim, é esse com uma voz incrível) e foi - e continua a ser - um dos principais locutores de publicidade.
José Ramos escreve um "photomaton de retalhos da sua vida" e dá-se a conhecer. Esta auto-biobgrafia da voz que já faz parte de nós, ganha agora um corpo que podemos ficar a conhecer melhor.
NO AR – “Live on paper” é o livro sobre o qual vamos falar hoje.A partir das 19h, vamos conhecer José Ramos!
in http://provaoral.blogspot.com
23 Junho 2005
No caso, importa-me pouco o que fazia José Ramos. O que sei é que tinha uma voz que invejava, uma voz que provoca natural inveja em quem, como o signatário destas linhas, sonha acordado com a rádio mas não faz grande esforço por encaixar-se no caciquismo em que hoje funciona o excrementício meio de comunicação.
Pedro Gonçalves
in http://1poucomouco.blogspot.com/
22 Março 2006
Acho que acreditei que ele se ia safar, outra vez. Foram tantos os problemas cardíacos que ele teve ao longo da vida, tantas vezes o risco disto acontecer e tanto o desprezo dele pelas regras da vida e da morte - e de tudo ele se foi safando com uma energia inacreditável. Algum dia tinha de ceder, mas acho que, lá no fundo ele sabia disso. Sabia disso, mas também que já que nos é dada uma vida, mais vale vivê-la com um gozo descomunal e sem restrições do que ganhar um grão de saúde e ficar privado das coisas de que se gosta. Quem é que pode dizer que isto é uma má lição de vida? Aqui está um homem que manteve até ao fim um par de tomates do tamanho da sua incrível, inigualável voz de trovão. Toda a gente vai sentir a falta dele. Mesmo as pessoas que não fazem a mínima ideia de quem ele era.
Nuno Markl
in http://www.havidaemmarkl.com/
21 Março 2006
A partir de 1993, com a privatização da Rádio Comercial, deixou de haver espaço para um radialista das características “clássicas” de José Ramos. E o resultado está à vista de todos. Sem liberdade total, não queria continuar na rádio. É claro que ele não precisava da rádio para nada, muito pelo contrário. Havia a imensa publicidade que gravava, havia a voz off na SIC e outras coisas, entre elas a paixão pelos automóveis.
Mas nem só de pão vive o homem. José Ramos estava afastado do que mais gostava – a Rádio – porque não aceitou deixar de ser livre. E ele sentia esse afastamento com desgosto. Ele próprio o disse em Junho último, quando foi convidado no programa “Prova Oral” da Antena3. “Não aceito regressar à rádio sem ter a garantia de ter um programa só meu onde possa fazer o que quiser”, disse. E sobre o actual estado de coisas na radiodifusão em Portugal, afirmou: “Esses consultores estrangeiros que contratam para formatar as nossas rádios só cá vêm para mamar uma pipa de massa. Não percebem nada disto!”. José Ramos foi convidado nessa emissão da Antena3 a propósito do livro autobiográfico que então lançara intitulado “NO AR – Live on Paper”.
Desde há poucos meses, José Ramos tinha uma crónica semanal na RDP-Antena1, no painel "Os Reis da Rádio", do qual também fazem parte outros nomes grandes da história da rádio portuguesa dos últimos trinta anos.
E você? Ainda está aí?
Foi nas manhãs da Comercial, na voz de José Ramos, que Portugal ficou a saber em primeira mão do trágico acidente de aviação que vitimou o então presidente moçambicano Samora Machel. Os noticiários eram de meia em meia hora, editados pelo jornalista Jorge Moreira. Uma inovação na altura, e, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, foi um figurino inaugurado pelas manhãs da Rádio Comercial. Ainda não existia a TSF.
Foi também nas manhãs de rádio com José Ramos que conheci algumas das canções que ainda hoje me acompanham. “Bound For Glory” e "Once An Angel" do álbum “Old Ways” de Neil Young, “Okie From Muskogee” de Merle Haggard ao vivo num espectáculo para as tropas no Vietname; a incrível versão de palco do tema “Jersey Girl” de Tom Waits por Bruce Springsteen e a E Street Band; O álbum homónimo de Rui Veloso em 1986; a estreia nacional da canção “Pássaros do Sul” de Mafalda Veiga; dois instrumentais: um da banda sonora do filme “Cal”, composta por Mark Knopfler e um outro da autoria do guitarrista português Francis. E sempre que ouvia estas canções associava-as ao José Ramos nas manhãs da Comercial. Mas principalmente a canção “J’arrive” na voz de Jacques Brel. José Ramos, numa madrugada da Rádio Comercial, enquanto convidado, levou alguns temas para se ouvir. “J’arrive” era um deles, e José Ramos explicou a escolha, dizendo que aquela canção que lhe causava arrepios de morte. Isto porque Brel gravou-a quando já tinha sido desenganado pelos médicos. Gravou-a quando sabia já que não iria sobreviver ao cancro que o atacara. Cantou-a como se fosse a última vez na vida.
O que eles dizem (13)
Hoje vamos ter uma emissão especial. Não escolhemos um tema, antes preferimos escolher uma personalidade e, a partir dela, deixar que o tempo nos conduza para onde lhe apetecer. O nosso convidado de hoje é um dos ícones da comunicação, o verdadeiro "monstro". Ele já fez rádio (a sua grande paixão), é a principal voz da SIC (sim, é esse com uma voz incrível) e foi - e continua a ser - um dos principais locutores de publicidade.
José Ramos escreve um "photomaton de retalhos da sua vida" e dá-se a conhecer. Esta auto-biobgrafia da voz que já faz parte de nós, ganha agora um corpo que podemos ficar a conhecer melhor.
NO AR – “Live on paper” é o livro sobre o qual vamos falar hoje.A partir das 19h, vamos conhecer José Ramos!
in http://provaoral.blogspot.com
23 Junho 2005
No caso, importa-me pouco o que fazia José Ramos. O que sei é que tinha uma voz que invejava, uma voz que provoca natural inveja em quem, como o signatário destas linhas, sonha acordado com a rádio mas não faz grande esforço por encaixar-se no caciquismo em que hoje funciona o excrementício meio de comunicação.
Pedro Gonçalves
in http://1poucomouco.blogspot.com/
22 Março 2006
Acho que acreditei que ele se ia safar, outra vez. Foram tantos os problemas cardíacos que ele teve ao longo da vida, tantas vezes o risco disto acontecer e tanto o desprezo dele pelas regras da vida e da morte - e de tudo ele se foi safando com uma energia inacreditável. Algum dia tinha de ceder, mas acho que, lá no fundo ele sabia disso. Sabia disso, mas também que já que nos é dada uma vida, mais vale vivê-la com um gozo descomunal e sem restrições do que ganhar um grão de saúde e ficar privado das coisas de que se gosta. Quem é que pode dizer que isto é uma má lição de vida? Aqui está um homem que manteve até ao fim um par de tomates do tamanho da sua incrível, inigualável voz de trovão. Toda a gente vai sentir a falta dele. Mesmo as pessoas que não fazem a mínima ideia de quem ele era.
Nuno Markl
in http://www.havidaemmarkl.com/
21 Março 2006
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Rádio anos 80

Um ouvinte de Rádio muito atento (das Caldas da Rainha) chegou à «Rádio Crítica» quando se preparava para escrever sobre programas da boa memória dos anos 80, especialmente na Rádio Comercial.
O texto "Doce Mania de Rádio" que publiquei aqui em 2006 é o artigo mais procurado de todos neste blogue. E não é por acaso. Há muita orfandade em largas camadas da população consumidora de Rádio em Portugal. E quando a oferta actual não é por demais estimulante accionam-se os mecanismos do revivalismo, da saudade, da nostalgia dos bons velhos tempos. Procura-se o que de bom já houve e já se ouviu.
O que eles dizem (63)
Com a liberalização das rádios, no final dos anos 1980, e, depois, com a privatização, o meio renovou-se. Joaquim Vieira destaca o papel da Rádio Comercial e do nome de João David Nunes, então seu director: «Aí houve uma renovação muito grande da linguagem radiofónica. E, depois, o aparecimento de projectos fortes privados, como a TSF, também veio trazer um papel inovador da rádio».
In: «PÚBLICO»
19 de Janeiro 2011
quarta-feira, 21 de março de 2012
José La Féria
Faleceu José La Féria, aos 59 anos.
Locutor do Grupo r/com – renascença comunicação multimédia, foi vítima de doença súbita esta manhã.
O animador da Rádio Sim comemorou há pouco tempo 40 anos de carreira.
A primeira vez que ouvi José La Féria foi no programa «O Vapor» que realizava no antigo FM-Estéreo da Rádio Comercial, ainda na primeira metade dos anos 80, nos anos rubros da Rádio de Autor, na doce mania de rádio.
«O Vapor» ia para o ar de segunda a sexta-feira, entre as 15:00 e as 16:00, logo depois da «Discoteca» de Adelino Gonçalves» e antes do «Rock em Stock» de Luís Filipe Barros.
Conheci-o pessoalmente ainda na Rádio Comercial já nos inícios da década de 90, após a privatização da estação.
José La Féria encontrava-se, nessa altura, a trabalhar na programação em Onda Média.
Até hoje, fazia as manhãs na Rádio Sim (grupo Rádio Renascença), entre as 10:00 e as 13:00.
sábado, 25 de novembro de 2017
Pedro Rolo Duarte
1964-2017
Jornalista da imprensa escrita e da Televisão, também foi da
Rádio, onde esteve – entre alguns hiatos – durante mais de três décadas
Começou na Rádio Renascença em 1984, com o programa «Sessão da
Meia-Noite». No ano seguinte mudou-se para a então melhor e mais moderna
estação nacional, a Rádio Comercial, no tempo em que ainda era a "Doce
Mania de Rádio". Depois esteve no Correio da Manhã Rádio e, após uma série
de anos afastado do meio radiofónico, regressou na Antena1. Era no principal
canal da rádio pública portuguesa (também na Antena3) que realizava até à actualidade o programa
«Mais Novos Que Nunca» e, conjuntamente com João Gobern, «Hotel
Babilónia».
No próximo Sábado no habitual horário entre as 10:00 e as 12:00, João Gobern apresentará o último programa de «Hotel Babilónia», que será também uma homenagem a Pedro Rolo Duarte.
Mais Novos Que Nunca
Realização e apresentação de Pedro Rolo Duarte
Antena1 | Antena3
Ouvir aqui
Hotel Babilónia
Realização e apresentação de Pedro Rolo Duarte e João Gobern
Antena1
Ouvir aqui
quarta-feira, 24 de maio de 2006
Não param de chegar novos acrescentos às memórias da Rádio Comercial nos anos 80:
O programa “O Passageiro do Noite” de Cândido Mota era transmitido apenas em Onda Média e não em simultâneo com o FM como dei a entender no texto sobre a “Doce Mania de Rádio”.
Foi-me lembrado um programa que ouvi na Rádio Comercial na década de oitenta, mas do qual já não tinha memória. «Dois Pontos», de Jaime Fernandes, onde em duas horas eram apresentados na íntegra dois álbuns musicais. O mercado discográfico vivia os seus melhores dias. As pessoas ouviam os discos na rádio e iam às lojas comprá-los. Todos os sectores da Indústria estavam satisfeitos (crise? qual crise?).
O programa «Dois Pontos» era matinal. Alguma estação nacional de hoje tinha coragem para fazer uma coisa assim? Todos sabemos a resposta!
Outros Programas da Rádio Comercial nos anos 80:
«Em Órbita» de Jorge Gil (já na versão Música Clássica); «O Homem no Tempo» de João Sousa Monteiro com João David Nunes; «Musicando» de José Freire; «Mão na Música» de António Macedo; «A Menina Dança» de José Duarte; «Sábado Muito Especial»; «Espírito Santo de Orelha»; «Dança Atlântica»; «Pretérito Quase Perfeito»; «Trópico de Dança» de João David Nunes.
O programa “O Passageiro do Noite” de Cândido Mota era transmitido apenas em Onda Média e não em simultâneo com o FM como dei a entender no texto sobre a “Doce Mania de Rádio”.
Foi-me lembrado um programa que ouvi na Rádio Comercial na década de oitenta, mas do qual já não tinha memória. «Dois Pontos», de Jaime Fernandes, onde em duas horas eram apresentados na íntegra dois álbuns musicais. O mercado discográfico vivia os seus melhores dias. As pessoas ouviam os discos na rádio e iam às lojas comprá-los. Todos os sectores da Indústria estavam satisfeitos (crise? qual crise?).
O programa «Dois Pontos» era matinal. Alguma estação nacional de hoje tinha coragem para fazer uma coisa assim? Todos sabemos a resposta!
Outros Programas da Rádio Comercial nos anos 80:
«Em Órbita» de Jorge Gil (já na versão Música Clássica); «O Homem no Tempo» de João Sousa Monteiro com João David Nunes; «Musicando» de José Freire; «Mão na Música» de António Macedo; «A Menina Dança» de José Duarte; «Sábado Muito Especial»; «Espírito Santo de Orelha»; «Dança Atlântica»; «Pretérito Quase Perfeito»; «Trópico de Dança» de João David Nunes.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
José Freire

Morreu mais uma figura da Rádio. Na passada sexta-feira, no hospital do Barreiro.
José Freire foi, para além de fadista, um radialista de créditos firmados no RCP-Rádio Clube Português e na RDP-Rádio Comercial (Onda Média/FM).
José Freire foi, para além de fadista, um radialista de créditos firmados no RCP-Rádio Clube Português e na RDP-Rádio Comercial (Onda Média/FM).
Lembro-me de o ouvir no espaço «Musicando», nos bons anos oitenta da Comercial. Dos tempos da Doce mania de Rádio, com autoria e sem playlists.
Tinha 65 anos de idade.
Tinha 65 anos de idade.

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