sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Coisas do Verão 2007 (14)

Outras (mais) memórias do verão de há 20 anos
Junho de 1987: o meu primeiro contacto directo com a Rádio. Um pequeno estúdio ao cimo de uma escadaria de madeira e um teste de voz. A canção em português de Portugal que mais se ouvia naqueles dias era “40 Graus à Sombra” dos Radar Kadafi e a rádio sensação era o CMR – Correio da Manhã Rádio, então uma novidade fresca, ainda pirata e, em poucos meses, modular para todos os presentes. Comigo estavam pessoas que também viriam a ser profissionais de rádio. Ainda hoje andam por aí, espalhados pelo mercado nacional dos media. Outros seguiram outras profissões, muitos mudaram de vida, de ramo, de meio, de cidade e até de país.
Sem saudosismos. Foi o início material do que se seguiu até hoje. Antes, toda uma vida a ouvir do lado de fora. E continuo.
Mais e melhor sobre o afastamento de António Sérgio da Rádio Comercial descrito por Miguel Esteves Cardos no jornal PÚBLICO na segunda-feira desta semana. Depois, depoimentos de figuras conhecidas e alguns ecos através da blogosfera.

PÚBLICO 17.09.2007
Na madrugada deste último sábado António Sérgio conduziu a última emissão do programa Na Hora do Lobo na Rádio Comercial, que decidiu não o integrar na nova grelha da estação. Os admiradores assumidos só esperam que alguma rádio sortuda se apresse a pôr o lobo a uivar outra vez. E Miguel Esteves Cardoso deixa aqui tudo dito
António Sérgio nunca esteve bem em qualquer estação de rádio. Mesmo quando a rádio era rádio. Porque António Sérgio é uma estação de rádio andante e uma estação não cabe noutra estação. Para mais, é uma estação hostil às outras, contra as quais exerce uma guerrilha permanente. Mais do que meramente ingovernável - ou até uma oposição paciente - António Sérgio e a indissociável Ana Cristina Ferrão são um governo em exílio permanente. E com uma imperdoável agravante: é assim que gostam. E é nisso que insistem teimosamente. É lindo. Os espanhóis da Prisa fizeram bem em despedi-lo. Estando livres de gratidão, memória ou preocupações da representação da boa música em Portugal, tiveram a coragem que faltou aos antecessores portugueses, ainda demasiado constrangidos pelo reconhecimento e pelo medo da superioridade musical de António Sérgio. É importante frisar que não é de agora a tanga do mercado nem o fado do fim da rádio. António Sérgio só durou até 2007 porque se recusou a ir embora. Desde os anos 70 que agentes sorrateiros se agacham atrás dele, tentando puxar-lhe a cadeira, a ver se cai. Mas o homem sempre esteve ocupado de mais para reparar. Fincou os pés, sacou dos discos e fez o que sempre fez: o que lhe estava na real gana. De resto o desprezo pode ser a mais bela das distracções. Ajudou também o facto de António Sérgio ser o melhor divulgador de música popular do nosso tempo - John Peel era magnífico mas tinha lapsos de gosto. Muito se perdoa a quem escolhe música boa tão bem, durante tanto tempo, com tanta arte e tanta inteligência. A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito. Claro que é preciso gostar de boa música - e de querer descobrir boa música nova - para perceber a grandeza e a utilidade brutal de António Sérgio. A nostalgia é um argumento inimigo. Hoje há muito mais música boa e muito mais música nova do que nos anos 80 ou 60. Mas continua a ser 0,1% de toda a música que se faz. Essa proporção continua a mesma. O que mudou é a atitude geral da população. Dantes, a ignorância inibia e produzia falsos respeitos por quem se suspeitava "ter conhecimentos". Havia seguidismos acéfalos e dependências paralisantes, tudo exacerbado pelas dificuldades e desigualdades de acesso à música. Havia mestres: era inevitável. ("Mestres" no mau sentido, de professorzinhos de província.) Na rádio as directrizes dos mestres eram obviamente inseparáveis do acesso à música para que nos dirigiam. Não era bom - até porque os mestres eram mais do que muitos e geralmente pomposos e autoritários, para não falar nos vendidos. Mas é inegável que, entre os pouquíssimos capazes de descobrir e defender música boa, o maior era e é António Sérgio. Por definição é um anti-mestre, desinteressado do tráfego de influências e da concordância dos seguidores. Digo mal desse tempo - que era também o meu - para poder absolvê-lo do maior defeito dos tempos de hoje, apesar de serem musicalmente mais vastos e empolgantes: o relativismo ignorante. É ele que acaba por explicar a atmosfera que leva à lata de despedir António Sérgio. Segundo o relativismo ignorante, ninguém pode dizer se uma música é boa ou não. É tudo uma questão de gosto. Depende das circunstâncias. Depende da idade. Às vezes sabe bem uma coisa que, noutra altura, sabe mal. Cada um é como é e aquilo que agrada a um... perdoem-me se me fico por aqui no blá blá blá. Tem ou não tem graça como esta atitude coincide exactamente com a conveniência comercialista do cliente ter sempre razão; que os números não mentem; que os ouvintes é que sabem; que os anunciantes é que pagam e quem somos nós para dizer que não está bem assim? O pior é que esta humildade é uma subserviência e este deixar decidir, este respeito pelos gostos dos outros, é uma gulosa cobardia. Que vai acabar mal - porque quanto mais a rádio se recusa a ser minoritária mais as minorias vão fugir dela. O problema da massificação é que as massas não existem para depois virem agradecer o que se fez por elas. A apologia do tudo-vale confunde-se sempre com a santificação da ignorância e daí até dizer que António Sérgio sabe escolher música tão bem como eu vai um passinho. A verdade é que sabe muito mais. Escolhe muito melhor. Arrisca mais e engana-se menos. É simples: António Sérgio sabe mais de música popular - no sentido de saber escolhê-la, que é o único que interessa - do que qualquer outra pessoa. É por haver tanta música hoje - e tanto acesso - que a sabedoria selectiva de António Sérgio é mais valiosa e necessária do que nos tempos ditos áureos em que, verdade se diga, não era assim tão difícil separar o trigo do joio. A música de António Sérgio é como a boa música: não se deixa interromper. É ele que não deixa. O homem sabe o que vale e o que tem de fazer. É escusado atravessarem-se no caminho dele. O que menos interessa é a estação de rádio. A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito. Se calhar foi isso que custou à Rádio Comercial engolir. Não soube suportar o desprezo, talvez por saber que o merecia. Às vezes, quando existe uma pontinha de vergonha, é desagradável ter, mesmo ali ao lado, um exemplo tão claro de dignidade. De estatura. Desmotiva muito. Faz lembrar coisas que conviria esquecer, que atrapalham a marcha para a capitulação final. Vai ter sorte a estação de rádio onde voltará a tocar a música de António Sérgio. Mas que fique desde já avisada que escusa de tentar desviar a caminhada do bicho. Em vão agitará no corredor papéis com números de audiências ou os amoques de focus groups. É escusado implorar-lhe que oiça "sem preconceitos" os CD de merda que vos interessa impingir. Não vale a pena atirar-lhe com a história dos tempos terem mudado. Os tempos sim; a rádio outrossim; mas a urgência de descobrir e defender a música boa é a mesma de sempre. Ou maior ainda, dada a massificação da própria desistência de escolher e divulgar a música que vale a pena. E não há ninguém que saiba fazer isso melhor do que António Sérgio. Que não faz outra coisa desde que faz rádio. Que não fará outra, mesmo que tentem impedi-lo. Para nosso bem - e, sobretudo, para bem de quem ainda não se sabe quem. Ou então não - nem isso é preciso. A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito. Haja pressa em poder ouvi-la e saber dela outra vez.
Depoimentos
PÚBLICO 17.09.2007
Danças com Lobos
Das Danças - Em 1979, com a Rádio Comercial no seu início, lançámos o conceito de grelha de programas. Pela primeira vez uma estação organizava a sua programação com objectivos definidos, alvos identificados e criadores em antena. A Onda Média diferente do FM, com grupos etários, sociais e culturais diversos, tentando, na mesma emissora, a convivência entre contrários. Um espelho da própria sociedade. Um reflexo devolvido de uma forma pensada, dirigido à emoção e à razão. Fazendo, finalmente, parte da vida das pessoas. Nesse espaço fizeram-se em OM novos programas de culto: Grafonola Ideal e Febre de Sábado de Manhã do Júlio Isidro, mas mantiveram-se marcas como os Parodiantes de Lisboa, ou Quando o Telefone Toca. Em FM o Rock em Stock do Luís Filipe Barros, o Café Concerto da Maria José Mauperrin, o Morisson Hotel do Rui Morisson foram também novos programas de culto, mas mantivémos a marca do Em Órbita do Jorge Gil. Muitos outros tiveram sucesso : Pão com Manteiga do Carlos Cruz, Flor do Éter e Rebéubéu Pardais ao Ninho do Herman José, Country Music do Jaime Fernandes, Os Cantores do Rádio do José Nuno Martins e, já agora, os que fiz com Maria Elisa Fogo Cruzado, com Miguel Esteves Cardoso Trópico de Dança, ainda com o MEC e com David Ferreira e Margarida M. de Mello Escola do Paraíso, ou as Marcas de um Século com o João Alfacinha da Silva, para dar alguns exemplos. Mas de todos, em termos de verdadeiro culto, nenhum superou as emissões/emoções do António Sérgio: Som da Frente, Lança-Chamas, Rolls Rock. Cumpre reconhecer, no entanto, que hoje, passados mais de 20 anos, nas danças e andanças de programas, uma rádio privada tem opções que nem sempre se compadecem com programas de culto. Dos Lobos - Se calhar foi por isso que o Pedro Ribeiro, um grande profissional de rádio, teve que acabar com o programa do Sérgio, que afinal já não se chamava (que pena!) Hora do Lobo, mas Nas Horas. E ele há horas infelizes! A MCR passa por uma delas. Acaba de dispensar uma das poucas referências que restam na Rádio Portuguesa. Encontrei o Sérgio nos anos 70, no meio do movimento punk, convidei-o para a Comercial, ainda na fase do Rotações e depois foi a explosão da música, vibrante, intimista, pesada, insólita, diferente, criativa, o verdadeiro som da frente. Foi sempre essa, afinal, a marca do António Sérgio : um homem do som, na frente. Um lobo solitário, que teve a sua hora em várias horas. Nas horas más, como agora, os lobos recolhem-se, mas não esquecem. Regressam inexoravelmente. E o António vai ter que voltar! Já que há RDP (olá Rui Pego) espero que em breve o António Sérgio continue a dar o som da frente e a lançar chamas de novo, nas horas da Antena 3. Na Hora do Lobo. Será um serviço público e de defesa do ambiente. Olhem que os lobos têm que ser protegidos porque, pelos vistos, estão em vias de extinção!
João David Nunes
Antigo director da Rádio Comercial
Um farol solitário
Vou ser tendencioso. Da Media Capital - a empresa-mãe da Comercial - não gosto nada. Do António Sérgio só posso dizer bem. Há mais de trinta anos vejo nele a mesma pessoa informada e com a paixão da música que encontrei há dez semanas no Festival da Lusofonia (diz-se que também vai fechar... será possível?!); o Sérgio lá estava - quase só, como de costume, no que toca a radialistas - a ouvir mais longe: e a noite de Kalaf e os Poetas gloriosamente provaria que mais uma vez o instinto o não enganara. O Sérgio descobriu, do inesperado posto de observação que era a Renascença de meados dos anos 70, o punk. Depois, o João David pescou-o para a Comercial e deu-lhe o que é preciso dar a pessoas assim, mãos livres; anos mais tarde, o Luís Montez faria o mesmo. O Sérgio virou farol, abriu ouvidos e apoiou bandas novas, com aquele entusiasmo juvenil hoje tão raro de encontrar. E farol muitas vezes solitário, ainda mais valioso por isso mesmo. Até voltar à antena - que seja depressa! - vai fazer muita falta.
David Ferreira
Ex-director da EMI-Valentim de Carvalho
Aquele "gravão" que me enche as medidas
É uma pena [o programa sair de antena]. Perde-se um grande divulgador e deixamos de ouvir aquela voz vincada, que me é muito agradável. A figura do António Sérgio acorda em mim recordações de quando me liguei ao movimento Punk, em 1978. Ele foi o primeiro a começar a divulgação daquele tipo de música. Foi um tempo curioso. Éramos para aí uns 20, em Lisboa, que ouvíamos sagradamente o António Sérgio, ainda quando ele estava julgo que na Rádio Renascença. Desde então para cá ele tornou-se importantíssimo na minha carreira. Tornámo-nos amigos. É uma personalidade com um grande conhecimento do rock&roll. Tem um ouvido e uma sensibilidade especiais para descobrir o que há de novo e aquilo que vai ser importante. E tem uma voz impecável. À tarde já era boa, mas é especialmente adaptada à noite, com aquele "gravão" todo, que me enche as medidas.
Zé Pedro
Guitarrista dos Xutos & Pontapés
Blogues em papel
PÚBLICO 18.09.2007
Go West
http://o-blog-preto.blogspot.com/
Querido dinossauro de muito pêlo, o António Sérgio. Chegava a escolher a música nova só pelo nome da banda. Faro de verdadeiro Lobo. Agora, um rapazote velho e meio-néscio despediu-o. Oh éter, oh tempo! E o MEC, outro estimado pioneiro, presta-lhe público e honroso tributo. Uivemos!
Com o ouvido colado ao rádio
http://pausa.wordpress.com/
É certo que a rádio não pode voltar a ser o que era. Eu ouço-a com a distância dos quase 20 anos que me separam das noites que passei com o ouvido colado ao rádio a ouvir o Morrison Hotel e o Som da Frente. Nem tenho bem a certeza do que significa o nome do António Sérgio para quem ouve rádio nos dias de hoje. Mas vai ser estranho passar a associar a voz dele apenas às promoções da SIC, tal como hoje é impossível não associar a voz do Morrison ao sítio do costume.
Recordando a homilia
http://rupturavizela.blogs.sapo.pt/
O maior programa de Música na Rádio Som da Frente era escutado como se de uma homilia se tratasse. Bons tempos. Da mesma altura outro ícone da Rádio era Luís Filipe Barros com o seu Rock em Stock. Quem não ouvia estes dois programas não sabia nada deMúsica Moderna.
A Comercial não merece as ondas hertzianas que respira
http://girls-go.blogspot.com/
É o que acontece quando dão razão ao Princípio de Peter, que diz: "Toda a gente é promovida até ao cúmulo da sua incompetência."Sei que gostos não se discutem. Mas sempre achei (eu. É a minha opinião) que o Pedro Ribeiro era um animador de rádio mediano. A puxar para o medíocre. A fórmula que não resultou antes, quando pegaram no Pedro Tojal e fizeram de um animador de uma rádio director de uma outra e todos os absurdos que daí advieram não parecem ter ensinado nada aos senhores da Comercial. Tanto, que insistiram no erro, piorando aquilo que parecia já não ter possibilidade de passar de mau a péssimo, e promovem o tal mediano a director da Rádio. E qual a sua atitude de gestão brilhante? Dispensar aquele que todos os que alguma vez trabalharam com ele chamavam "Mestre". A minha opinião é que uma rádio que não tem lugar para o Senhor António Sérgio não merece as ondas hertzianas que "respira". Passe ou não o meu blog.Para o senhor d"A Hora do Lobo: espero ouvi-lo rapidamente num sítio onde o mereçam.
António Sérgio sai de antena
Após 10 anos ininterruptos de presença "no ar" nas rádios do Grupo MCR), como realizador do programa A HORA DO LOBO (rebaptizado em 2006 pela Direcção de Programas como "Nas Horas"), António Sérgio não integrará a nova grelha da Rádio Comercial.
A última emissão do "Lobo" acontece na madrugada (01:00h-03:00h) de sábado, 15 de Setembro de 2007.
Breve historial da obra de António Sérgio na Rádio em Portugal:
Realizador do programa Rotação (RR) em 1977, António Sérgio abriu o universo radiofónico português a novos sons e estilos que elegem a música como a "estrela da companhia".
Em 1980 mudou-se para a Rádio Comercial onde realizou os programas seminais Rolls Rock e Som da Frente.
Em 1993 participa na criação da XFM, a rádio para uma imensa minoria, que nasceu no seio do grupo TSF. Aí aventurou-se, nos horários diurnos da manhã e da tarde, navegando pelo Grande Delta.
Realizou ainda o primeiro programa da rádio portuguesa dedicado ao Hard rock / Heavy Metal: o Lança Chamas habitou a Rádio Comercial e, mais tarde na Rádio Energia.
Em 1997 é convidado a integrar o Grupo MCR, onde realizou diversos programas tanto na Rádio Comercial como na BEST Rock FM, com especial destaque para a A Hora do Lobo.
António Sérgio na «Rádio Crítica»: 04 Abril 2005; 10 Abril 2006
Neste final de verão, a praia ficou ainda mais vazia e a toca do lobo desabitada.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009
ANTÓNIO SÉRGIO
Até ao passado Sábado era ainda a voz mais carismática da Rádio em Portugal. Era-o desde o início da década de 80. Um pouco por todo o lado se tem escrito e dito sobre a importância – e muita – da figura ímpar que agora desaparece. Apenas talvez tenha ficado por dizer que foram incontáveis e muitas vezes inomináveis os sacrifícios que António Sérgio teve que fazer na vida para poder fazer o que fez na Rádio. É por esse preço impagável por tudo o que abdicou que não se lhe fez a devida justiça em vida. Trabalhou até morrer. Uma referência incontornável, um exemplo único e notável. E os exemplos seguem-se, mas não se repetem.
P.S: Magnífica a homenagem que a RADAR tem feito a António Sérgio. Toda a tarde e até à uma da manhã deste dia, transmitindo em contínuo emissões do programa «Viriato 25». O lobo continua a ser a voz da estação alternativa.
Que a RADAR disponibilize em podcast programas de António Sérgio. É um repto!
Rotação (1977-1980) Foi o seu primeiro programa de autor, ainda na Rádio Renascença. Foi através deste programa que ajudou a lançar nomes cimeiros da música portuguesa, incluindo os Xutos & Pontapés.
Rolls Rock (1980 – 1982) O primeiro programa que fez na Rádio Comercial, que na altura ainda dava pelo nome de RDP – Canal 4. O conceito por detrás do programa – nas palavras de João David Nunes [Director fundador da Rádio Comercial em 1979] – era ser “uma coisa especial, edições muito específicas e muito boas”.
Som da Frente (1982 -1993) Como o próprio nome indica, tinha como missão estar na linha da frente das novidades. Trazer até aos ouvintes portugueses o que de novo se fazia em Portugal e no Mundo e estar na vanguarda das novas sonoridades.
Lança-Chamas (Anos 80 na Rádio Comercial) Programa dedicado à chamada música pesada e ao heavy metal.
Loiras, Ruivas ou Morenas (Anos 80 na Rádio Comercial) Programa realizado pela mulher de António Sérgio, Ana Cristina Ferrão, em que António Sérgio passava apenas música interpretada por mulheres. De Ellis Regina a Janis Joplin.
Rei Lagarto e Outras Histórias (1987 na Rádio Comercial, domingo 18:00/19:00) Série realizada com Ana Cristina Ferrão sobre Jim Morrison e os The Doors a propósito dos 20 anos do clássico “Light My Fire”.
Grande Delta (1993 – 1997) Programa matinal de segunda a sexta-feira das 10:00 às 13:00 na XFM.
A Hora do Lobo (1997 - 2007) O programa esteve no ar dez anos, entre a Comercial e a Best Rock FM, e dedicava-se a dar a conhecer as franjas menos conhecidas do pop-rock. Foi cancelado porque tinha deixado (segundo a direcção assumida pelo grupo Prisa) de se enquadrar na grelha. O fim do programa originou reacções e protestos. “Serviu como uma espécie de resumo de carreira. Porque o António Sérgio sempre foi um lobo solitário, mas de olhar penetrante”, definiu João David Nunes.
S.O.S. RADAR (2007 – 2009) Crónica musical diária com três horários ao longo do dia.
Viriato 25 (2007 – 2009) O seu mais recente programa, na RADAR FM, em cujos estúdios ainda no Sábado tinha estado a gravar.
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António Sérgio na «Rádio Crítica»:
A VOZ DO LOBO (04 de Abril de 2005)
António Sérgio na Rádio Comercial (10 de Abril de 2006)
Coisas do Verão 2007 (21 de Setembro de 2007)
Viriato 25 (20 de Novembro de 2007)
António Sérgio – O Lobo que ruge (04 de Dezembro de 2007)
O que ELE diz (07 de Dezembro de 2007)
António Sérgio na blogosfera e na imprensa escrita:
Este homem ensinou-me a ouvir música (Blogue «Queridos Anos 80»)
O direito à diferença por Nuno Galopim («Diário de Notícias» 02 de Novembro 2009)
António Sérgio, muito mais que o "John Peel português" («Diário de Notícias» 02 de Novembro 2009)
Miguel Esteves Cardoso: A música de António Sérgio é a melhor («PÚBLICO» 17 de Setembro de 2007)
Voz histórica da rádio portuguesa («PÚBLICO» 01 de Novembro 2009)
António Sérgio, mestre da rádio em Portugal («BLITZ» 01 de Novembro 2009)
segunda-feira, 4 de abril de 2005
A VOZ DO LOBO
Há quantos anos ouvimos a voz deste lobo solitário? Durante quantos mais teremos o privilégio de a ouvir?
No primeiro mês deste ano, António Sérgio completou 55 anos de idade, e o programa de que é autor na Best Rock FM, dedicou-se à celebração da data. A emissão, que contou com depoimentos de várias pessoas que se foram cruzando na vida pessoal e profissional de António Sérgio, foi uma homenagem - em vida! - a uma das personagens mais marcantes do panorama radiofónico português dos últimos trinta anos.
Ouço-o há, pelo menos, vinte e cinco anos, dava eu os meus primeiros "passos" enquanto ouvinte. Já António Sérgio estava no projecto pioneiro que se iria transformar na saudosa Rádio Comercial, a então RDP - Canal 4, já depois de bons tempos passados na Rádio Renascença com o mítico programa "Rotação" (que nunca cheguei a captar por motivos de escassa idade!). "Rolls Rock" é então o primeiro programa de António Sérgio na RDP-Canal 4 / Rádio Comercial e o primeiro em que o escutei. Sei que era um espaço de divulgação musical, música essa que não ouvia em mais lado nenhum, tendo em conta que o que mais (ainda) se ouvia por esses tempos eram as emissões em Onda Média.
Não me lembro bem do formato do programa (era ainda muito miúdo), mas o que se destacou logo - e eu senti-o muito - foi aquela voz. Aquele timbre.
Absolutamente distinto dos demais. Uma voz funda, muito grave, estranha até. Nunca mais a perdi de ouvido. Já ouvi pessoas dizerem "Ah, não percebo lá muito bem o que ele diz". Eu digo-lhes: "Podem não perceber (sempre) o que ele diz, mas sempre podem perceber o que ele quer dizer".
Seguiu-se o advento em força do FM em Portugal e entrava-se no período dourado da rádio de autor.
"Rolls Rock"; "Som da Frente"; "Rei Lagarto e Outras Histórias"; "Lança Chamas" e "O Grande Delta" são títulos memoráveis de António Sérgio na Rádio.
Já em 1993, após o definhar e a consequente privatização da "velha" Comercial, António Sérgio integra o elenco (de luxo) fundador da XFM. A aventura terminou em 97, altura em que António Sérgio regressa à comercial para fazer "A Hora Do Lobo" (3ª a sábado/ 00:00-02:00).
Em 2003, com a reformulação das rádios do grupo Media Capital, A Hora Do Lobo abandona a cobertura nacional da Rádio Comercial para encontrar "toca" na então recém criada Best Rock FM, com uma cobertura local reduzida às cidades de Lisboa, Porto, Coimbra e Santarém e também através da Internet no portal IOL.
Merecedora de outros quadrantes, a "voz do lobo" lá vai soando na noite para todos aqueles que conseguem captar a sua sintonia ou têm acesso à internet. A Hora Do Lobo (Best Rock FM / 3ª a Sábado / 00:00-02:00) dedica-se ao pensar, ao ser alternativo. Num tempo de massificada formatação e segmentação na rádio, o programa e a atitude de António Sérgio é um produto cujo conceito é, por motivos conjunturais, contra corrente.
A Hora Do Lobo não se "limita" a divulgar novas edições das chamadas franjas da industria Pop-Rock. O espaço está recheado de rubricas fixas: "Santuário"; "Lista Rebelde"; "Viagens Downtown"; "Debaixo da Língua"; "Tempo de Descobertas"; "Fadas, Unicórnios e Cyborgs" e "A Fala da Tribo"(onde há um ou mais convidados em estúdio, por vezes com interessantíssimas sessões musicais ao vivo nas noites de 6ª feira). Estas duas últimas rubricas contam com a colaboração/autoria preciosa de Ana Cristina Ferrão. Seria exaustivo esmiuçar cada uma destas rubricas, pelo que o melhor é mesmo ouvi-las. Aliás, recomendam-se vivamente.
Em declarações ao semanário BLITZ em Março de 2004, António Sérgio questionado pelo jornalista Jorge Mourinha dizia que « Estar no ar um determinado período de horas por dia é uma necessidade absoluta, apesar de não ver ninguém, de não saber se me estão a ouvir do outro lado. Há aqui algo de catártico...»; «Não me sinto dinossáurio; sinto-me um bocado mais velho e, sim, francamente solitário. Na época dos realizadores, conversávamos muito entre nós, trocávamos muitas impressões».
A época dos realizadores a que António Sérgio se refere é, essencialmente, a Rádio Comercial, principalmente na primeira metade dos anos 80, em que essa Doce mania de rádio destilava talento e conteúdos originais de extremo interesse, obtendo considerável impacto junto dos ouvintes.
Sou do tempo em que se faltava às aulas para ficar em casa a ouvir rádio. Cheguei a "fugir" da escola, correndo para casa para apanhar o início dos programas.
Doce mania de rádio... é de lá que vem o uivo do lobo. O mais admirável no estoicismo e na atitude de "A Hora Do Lobo" é o conservar daquele tipo de programas repletos de pontos de interesse, que se ligam todos uns aos outros. Bem diferente do que aparece hoje no ar, em que as peças do puzzle sonoro não encaixam entre si.
O Mestre, como carinhosamente é chamado, é o último "sobrevivente" em actividade - e que nunca suspendeu funções - desse tempo de autores de radiodifusão da antiga Comercial.
Como ele próprio afirma: «Sou o último dos moicanos!».
Mas o Mestre deixa legado. Para além dos muitos fãs e admiradores (eu incluído) e, para além de lamentáveis plágios e imitações, ainda há quem queira seguir as sábias pegadas deste lobo solitário. Existem já alguns nomes na praça: Miguel Quintão, Nuno Calado, António Freitas, e mais haveria se o actual mercado rádio não asfixiasse o romper de novos talentos. As novas gerações estão a perder referências.
Citando ainda António Sérgio no semanário BLITZ há pouco mais de um ano. Então e sobre o futuro? «Hoje em dia, uma pessoa vai tendo a noção que não vai fazer rádio eternamente, se bem que se conseguir ser como o John Peel (entretanto falecido já depois destas declarações), ainda tenho uma boa década ou mais de rádio por fazer...».
Mas hoje em dia, o "futuro" ou a "morte", podem muito bem assumir outras formas. Rodeado de "playlists" por todos os lados, a rádio de autor está a ser dizimada quase por completo. O futuro que António fala, pode aparecer em fato cinzento, envergado por alguém menos escrupuloso, isento de sensibilidade humana e rádiofónica e comunicar, talvez por e-mail, talvez por SMS ou MSN e deixar escrito em caracteres trincados: "a partir d'amanhã o sr. deixa de fazer parte do projecto"; ou "o sr. no dia tal escusa de aparecer para fazer o seu programa".
Não queremos que António Sérgio seja o "John Peel português", porque comparações destas podem, no mínimo, ser injustas. Queremos que António Sérgio continue a ser "O António português".
Take care
Stay tuned!
(Há uma "extensão" escrita da "Hora Do Lobo" no caderno indígena do semanário Independente às sextas feiras).
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
O Uivo do Lobo
Tem 192 páginas, incluindo fotografias (todas a preto e branco) do espólio de António Sérgio e do acervo de Ana Cristina Ferrão. É uma edição limitada a 500 exemplares.
Contém vários depoimentos por parte de familiares, amigos, músicos, admiradores e colegas. Como vem explicado numa nota do livro, por decisão editorial, os textos publicados foram mantidos na sua íntegra, respeitando os seus autores.
Há depoimentos mais emocionados que outros, mas todos prestam a devida homenagem profissional ao mais influente divulgador musical da Rádio em Portugal nas três décadas anteriores ao seu desaparecimento. Principalmente vindos dos seus pares.
Destaque para os depoimentos de realizadores da sua geração, como por exemplo Ricardo Saló e Aníbal Cabrita. E de radialistas das gerações seguintes, como por exemplo Pedro Costa, António Freitas, Nuno Calado e Tiago Castro.
UIVO – o documentário
Tem 91 minutos. Segue a ordem cronológica do percurso de vida de António Sérgio desde o seu nascimento em Angola, passando pelo percurso profissional – a partir da Rádio Renascença até à RADAR – chegando à data de morte.
De louvar o trabalho do realizador Eduardo Morais que, com meios bastante escassos, conseguiu fazer um retrato fiel sobre a importância de António Sérgio na Rádio portuguesa e na cena musical emergente das franjas. O filme foi feito num curto espaço de tempo e teve de ser ultimado sem todas as autorizações de utilização de direitos de autor que necessitou. Talvez por isso tenha um aspecto geral algo escolar, vivendo sobretudo de depoimentos pessoais, ilustrados com alguns sons de arquivo dos programas que António Sérgio realizou.
Tem o mérito inigualável de ser, pelo menos até agora, o único documentário sobre uma figura da Rádio portuguesa.
Tal como no livro supra citado, colegas de profissão, familiares, amigos e músicos falam do Mestre.
O jornalista Jorge Mourinha demonstra com lucidez como as playlists dilaceram a Rádio actualmente, prejudicando tudo e todos, principalmente os que à partida deviam beneficiar: os próprios músicos!
De salientar os depoimentos muito incisivos de Ricardo Saló sobre o lado talvez menos publicamente realçado, acerca do que António Sérgio deu a conhecer para além do Rock alternativo e de Miguel Quintão sobre várias incongruências que acontecem na Rádio nos dias de hoje em Portugal.
O livro vem acompanhado do DVD do documentário, que no menu inclui algumas entrevistas áudio feitas ao autor do «Som da Frente».
De estranhar no livro, e também no filme, a ausência dos depoimentos de várias pessoas, como Miguel Esteves Cardoso, ou Rui Morrison, contemporâneos de Sérgio nos tempos áureos do FM-Estéreo da Rádio Comercial, assim como Adelino Gonçalves e Luís Montez. Ou ainda de Pedro Ribeiro, já director da Rádio Comercial em Setembro de 2007, quando António Sérgio foi afastado da estação.
Uma palavra para o fã Jon Marx, autor do blogue «Lista Rebelde», presente no filme, na apresentação pública do livro e do documentário.
Há os familiares, os amigos, os músicos, os ouvintes, os admiradores e os fãs. Jon Marx é o paradigma do fã. Coleccionador documentado, informado e dedicado. Tem publicado com regularidade na Internet emissões antigas de António Sérgio.
Ver aqui / Ouvir aqui
O documentário inicia a partir de agora uma digressão nacional com exibição em 19 cidades:
06 Nov: BARCELOS – Teatro Gil Vicente
07 Nov: SANTO TIRSO – Carpediembar
08 Nov: COIMBRA – Salão Brazil
10 Nov: PORTALEGRE – CAE
11 Nov: CASTELO BRANCO – Cine-Teatro Avenida
12 Nov: GUARDA – Teatro Municipal da Guarda;
13 Nov: BRAGANÇA – História e Arte
15 Nov: VISEU – Venha a Nós a Boa Morte
19 Nov: PORTO – Passos Manuel
20 Nov: BRAGA – Cineclube Aurélio da Paz dos Reis
21 Nov: BARREIRO – Baía do Tejo
22 Nov: RIO MAIOR – Maiorais
26 Nov: LEIRIA – Teatro Miguel Franco
27 Nov: AVEIRO – Associação Cultural Mercado Negro
28 Nov: VALE DE CAMBRA – Associação Vale de Pandora
29 Nov: CALDAS DA RAINHA – Centro da Juventude
06 Dez: SETÚBAL – Casa da Cultura
12 Dez: BEJA – Espaço Os Infantes - LdE
13 Dez: LOULÉ – Bafo de Baco
20 Dez: ÉVORA – Sociedade Harmonia Eborense
4 de Abril de 2005
A Voz do Lobo
10 de Abril de 2006
António Sérgio na Rádio Comercial
21 de Setembro de 2007
Coisas do Verão 2007
20 de Novembro de 2007
Viriato 25
4 de Dezembro de 2007
O Lobo que ruge
7 de Dezembro de 2007
O que ELE diz
sexta-feira, 1 de novembro de 2019
10 anos sem António Sérgio
A Antena3 dedicou todo o dia de emissão a António Sérgio.
A RTP-Memória retransmite à meia-noite o documentário «Uivo» sobre o radialista António Sérgio, falecido há uma década. O filme foi realizado por Eduardo Morais e estreado no Palácio Foz em Lisboa na tarde do dia 1 de Novembro de 2014.
António Sérgio na Rádio Crítica:
A Voz do Lobo
10 de Abril de 2006
António Sérgio na Rádio Comercial
21 de Setembro de 2007
Coisas do Verão 2007
20 de Novembro de 2007
Viriato 25
4 de Dezembro de 2007
O Lobo que ruge
7 de Dezembro de 2007
O que ELE diz
7 de Novembro de 2009
Homenagem a António Sérgio
9 de Novembro de 2009
Na toca do LOBO
27 de Novembro de 2009
Retratos da vida de um Lobo da Rádio
14 de Janeiro de 2010
Emissão especial na RADAR
20 de Janeiro de 2010
AS 60
1 de Novembro de 2010
Dia ANTÓNIO SÉRGIO na RADAR
2 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (I)
3 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (II)
4 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (III)
5 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (IV)
6 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (V)
7 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (VI)
7 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (VII)
15 de Novembro de 2011
Dia 1
8 de Outubro de 2014
UIVO
16 de Outubro de 2014
UIVO – exibição nacional
24 de Outubro de 2014
Nas ruas da capital
1 de Novembro de 2014
Hoje em LISBOA
2 de Novembro de 2014
Ontem em LISBOA
5 de Novembro de 2014
O Uivo do Lobo
11 de Novembro de 2014
UIVO – algumas imagens
30 de Março de 2015
Som da Frente – Março de 1984
1 de Novembro de 2016
Na Rádio e na TV
1 de Novembro de 2019
10 anos sem António Sérgio
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Dia ANTÓNIO SÉRGIO na RADAR
A notícia chegou-me via telemóvel. Era a minha irmã: "Já ouviste as notícias hoje? Morreu o António Sérgio". Foi há um ano.
O repasto de churrasco à hora do almoço que partilhava com amigos do peito em Oliveira do Hospital já não teve o mesmo bom sabor até ao fim. Reacção natural depois de uma inesperada notícia destas, de alguém que admirámos, acompanhámos e conhecíamos há tantos anos.
Nesse dia e nos seguintes sucederam-se, nos vários media nacionais, as homenagens justas e outras de circunstância, acompanhadas daquelas coisas que se dizem sempre quando alguém morre.
Hoje a RADAR, a última toca do lobo, recorda emissões em contínuo do programa «Viriato 25» de António Sérgio. Todo o dia de hoje é dia de António Sérgio na RADAR. Grande homenagem, grande dia para um grande da Rádio. Da Rádio de autor.
E a voz... aquela VOZ!
Fica em vídeo (com imagem fixa da capa do álbum «Ask Me Tomorrow») o tema "Love Songs on the Radio" dos norte-americanos Mojave 3. Uma canção que ouvi pela primeira vez pelas mãos de António Sérgio numa emissão por ele realizada na extinta X-FM num final de tarde/início de noite, em suave viagem de barco para Sul.
Uma nota adicional dirigida à RADAR: depois do súbito desaparecimento de António Sérgio foram publicadas em podcast algumas emissões de «Viriato 25» no alojamento de ficheiros sonoros da RADAR [ http://radar.podomatic.com// ].
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Na toca do LOBO
Já não é o bichinho da rádio que morde, já sou eu que sou o bicho da rádio!
Anos 80 em Portugal
"Nessa altura divulgar música nova tinha um rótulo de militância e era objecto de admiração, até pelo país que Portugal era, onde o peso do Antigo Regime estava fresco. Através da música existia esforço para acompanhar um comboio de cultura, de alegria de viver que era irreversível. Não era só música, era uma nova maneira de pensar, que tem a ver com livros ou filmes. Esse período foi uma bóia de salvação, uma forma de dizermos "vamos sair daqui", do marasmo dominante em Portugal".
António Sérgio
In: «PÚBLICO» (2006)
LISTA REBELDE – 1º bloco:
01 – GUN CLUB – Sex Beat
02 – SCRITTI POLLITTI – Sweetest Girl
03 – U2 – Pride (In The Name of Love)
04 – BRONSKI BEAT – Smalltown Boy
05 – WAH! – 7000 Names of Wah!
06 – JOY DIVISION – Atmosphere
07 – THE THE – Perfect0
08 – TONE ON TAILS – Performance
09 – BAUHAUS – Kick In The Eye
10 – CURE – Faith (Live)
11 – ASSOCIATES – Party Fears Two
12 – THIS MORTAL COIL –Song To The Siren
13 – COMATEENS – Late Night City
14 – WATERBOYS – A Pagan Place
15 – VIRGINIA ASTLEY – Love’s a Lonely Place To Be
16 – MOTORHEAD – Please Don’t Touch
17 – PSYCHADELIC FURS – Love My Way
18 – ECHO & THE BUNNYMEN – Back To Love
19 – TALKING HEADS – Great Curve
20 – U2 – Glória
---------------------------------------------------
O que dizem DELE:
"Conheci o António há muitos anos e sempre trabalhámos com grande proximidade. Ele deixa uma marca indelével na rádio portuguesa.
Curiosamente ele começou na Rádio Renascença, onde seguiu as pisadas do pai. Posteriormente encontramo-nos, julgo pela primeira vez no lançamento da revista «Música e Som», publicada em princípios dos anos 70.
Tinha uma voz fantástica e característica. A qualidade inacreditável que sempre teve de estar à frente, de ser capaz de ouvir e perceber aquilo que era algo, que ia ser determinante, uma coisa boa.”
João David Nunes
(Director-fundador da Rádio Comercial)
"Era uma pessoa fantástica, talvez uma das primeiras pessoas que eu conheci da rádio. Foi há 28 anos, quando editámos o primeiro disco da Sétima Legião.
"Era uma pessoa que já não via há muitos anos, mas acompanhava sempre os seus programas de rádio, ultimamente ouvia-o na rádio Radar",
Rodrigo Leão
(Músico fundador dos Sétima Legião e dos Madredeus)
"Era sempre um prazer falar com ele, porque era uma pessoa que amava a música e falava sempre entusiasticamente. A memória mais forte que tenho é que comecei a ouvir rádio a ouvir António Sérgio. Lembro-me de ter 15 anos e ouvir o «Rotação». É uma grande parte da minha formação musical na altura e parte dos meus hábitos musicais."
Joaquim Paulo
(Ex-colega de António Sérgio na Rádio Comercial)
“Era a referência de quando eu era adolescente, de quando o rádio era o instrumento por excelência.
Sempre lhe demos primazia nos trabalhos que íamos fazendo. Era uma espécie de agradecimento pelo trabalho que ele fez e pelo crescimento musical de gerações, nas quais eu me incluo."
Adolfo Luxúria Canibal
(vocalista, letrista e fundador dos Mão Morta)
"Deixa um vazio na rádio portuguesa" por este ser último grande radialista vivo, da rádio que se fazia antigamente, a do programa de autor". "Vai ser um bocado estranho como vai ser o futuro da rádio sem uma pessoa como o António Sérgio. É uma perda muito grande. A melhor homenagem que lhe podemos fazer é continuar a ouvir a música que ele nos deu a conhecer."
Álvaro Covões
(Empresário)
"Era um grande profissional, uma referência, um mestre da rádio. Alguém que deu um contributo enorme para a divulgação de música nova. Tinha grande visão de futuro, era o som da frente. O John Peel português. Estava sempre preocupado com os ouvintes".
Luís Montez
(Ex-colega de António Sérgio na Rádio Comercial e proprietário da RADAR, rádio onde António Sérgio trabalhava)
"Às vezes não acertava, mas na maior parte acertava. Era uma idealista da música e da rádio. É insubstituível."
António Macedo
(Radialista; antigo colega de António Sérgio na Rádio Comercial)
"No início, era a única personagem do meio a quem dávamos a ouvir as nossas cassetes. Foi ele o "professor" do nosso primeiro disco. Quando arranjou editora [Rossil] produziu-nos e estabelecemos de imediato uma cumplicidade muito forte. A sua morte é uma perda enorme."
Zé Pedro
(Guitarrista dos Xutos & Pontapés)
"Desde os anos 70 que agentes sorrateiros se agacham atrás dele, tentando puxar-lhe a cadeira, a ver se cai", escreveu. "Mas o homem sempre esteve ocupado de mais para reparar. Fincou os pés, sacou dos discos e fez o que sempre fez: o que lhe estava na real gana."
Miguel Esteves Cardoso
In: «PUBLICO» (2007)
“Perde-se uma figura ímpar da rádio, de mente aberta e um gosto verdadeiro pela música. As bandas que passava nos seus programas tinham garantidamente o selo de qualidade. Uma voz que dispensa qualquer tipo de apresentação”.
Fernando Ribeiro
(Vocalista dos Moonspell)
António Sérgio: O Bom Lobo
Os que agora são jovens não fazem a mínima ideia do que perderam. Só lhes resta ouvir e consumir a pastilha das playlists e olharem para as nossas colecções de vinil e CD com os seus milhares de títulos com nomes estranhos e desconhecidos como um burro olha para um palácio.
Faltar-lhes-á sempre uma hora em companhia de um Lobo.
Por Orlando Leite, Publicado em 02 de Novembro de 2009 no diário «I».
Ler artigo completo aqui
"Não era seu fã (não percebia nada do que dizia nem alinhava nos mesmos gostos musicais), mas curvo-me perante a sua memória.
Luís Pinheiro de Almeida
(co-fundador com António Sérgio do jornal BLITZ em 1984; ex-radialista)
In: blogue «Ié-Ié»
segunda-feira, 10 de abril de 2006
António Sérgio na Rádio Comercial

Sempre acolhi a nomeação de Pedro Ribeiro para director de programas da Comercial como sendo uma boa notícia. E confirma-se. O mesmo sentimento sobre a nomeação de José Mariño para a direcção da RDP-Antena3. E porquê? Porque são pessoas que fazem rádio, que vêm de dentro. Conhecem os cantos à casa e têm muita experiência no fazer. Melhor que ninguém, conhecem a massa a que jogam mãos. E isso faz toda a diferença em relação a outsiders que chegam às direcções com o estatuto de manda chuvas mas que, se calhar, nunca se sentaram frente à mesa quente do estúdio de emissão, nunca tendo conduzido horas e horas em directo e sem rede.
Nestas nomeações, concretizadas ainda no ano passado, encontram-se missões distintas. Parece-me que há, ou havia, mais a mexer na Comercial do que na Antena3. A task force é, à partida, mais penosa para Pedro Ribeiro. A Comercial carecia de alterações urgentes. Aliás, as mudanças não se fizeram esperar. É o caso do regresso de António Sérgio. A mudança na equipa da manhã também, sendo animada agora pelo próprio Pedro Ribeiro. Um exemplo louvável. O director trabalha no duro!
Quanto à Antena3, pelo que me é dado a ouvir na emissão, não houve grandes alterações. Ainda. Aos dois recentemente empossados responsáveis, os votos de bom trabalho e… melhor Rádio para nós, ouvintes.
* O programa de António Sérgio “A Hora do Lobo” iniciou-se na Rádio Comercial (3ª a Sábado, 00:00/02:00) em 1997, após o encerramento da XFM em Julho desse ano. Assim foi até 2003, altura em que este programa transitou para a Best Rock FM. Não concordei com essa mudança, pelo que digo que António Sérgio regressa à casa mãe de onde não devia ter saído. Só acho é que podia manter o nome do programa neste seu regresso.
Todavia, o melhor acontece. Continua a escutar-se a voz do lobo cruzando os ares da noite.
António Sérgio
Rádio Comercial
3ª a Sábado (00:00/03:00)
domingo, 7 de novembro de 2010
Palavra de Lobo (VI)
Estava consciente de que o programa divulgara milhares e bandas, artistas e projecto musicais, uns mais marcantes que outros, o que naturalmente levantava constrangimentos à concepção de um acoplamento coerente e, ao mesmo tempo, aliciante para quem se sentisse motivado para tal reencontro.
Antevi, mas nunca na totalidade do pesadelo que se tornou, que o processo de licenciamento viria a sofrer incríveis dificuldades (muitas das quais redundaram em impossibilidade) na obtenção de determinados temas de certos artistas.
Resolvi planear uma compilação de material sonoro da emissão radiofónica que viajasse desde o seu início até ao aparecimento do 'compact-disc' em 1986, ganhando assim, uma data 'redonda' e um limit cómodo.
Confiei que, mediante resultados, tudo se viesse a completar com um resumo menos parcial de todo o tempo e vida do programa, pondo em saliência os muito cambiantes, as novidades e os empurrões com que a música popular (e não só o rock) nos presenteou nesse período brilhante de invenção e performance.
Ao partir para este segundo e final passo na reposição da memória do "Som da rente", pensei no reencontro com os que descobriram na Rádio portuguesa, um espaço que apenas tinha como objectivo ser um estandarte da "arte de ouvir".
Sabia que ao concretizá-lo se tornou a companhia de uma geração a quem se pedia pela avidez pelo conhecimento, uma atitude de diferença, uma agilidade igual ou superior à do próprio programa, para que a montra e sons se tornasse a "enriquecedora experiência sensorial" que povoa ainda o imaginário de muitos dos seus contemporâneos.
«O "Som da Frente" propunha-se como projecto de divulgação e com espaço de inovação na medida em que se procurava encontrar o ponto de viragem nas formas de abordar a música, tentando deslocá-las para fora do âmbito restrito do 'rodar de discos' descontextualizado. De onde quer que o mundo o observasse, O Som da Frente observava o mundo.» (escreveu Ana Cristina Ferrão na nota de capa da edição anterior, e estas palavras espelham o projecto rádio subjacente a esses 11 anos de emissão).
Graças aos ouvintes, às músicas e aos músicos a quem sempre brindei com o protagonismo na inovação, na mudança e na alternativa, constato hoje que o sonho de muitas noites desses longos 11 anos e vida "no éter" se tornou realidade. Uma realidade que é também memória e que dedico a quem fez mais do que todos nós pela música: "John Peel – Music Lover".
Como repeti noite após noite, pelo direito à diferença!
António Sérgio
Inlay CD «António Sérgio apresenta SOM DA FRENTE II 1982-1993»
Janeiro 2005
António Sérgio foi, talvez, o primeiro radialista português a divulgá-lo. Pelo menos foi no «Som da Frente» que ouvi pela primeira vez. É o vídeo que se segue:
Cocteau Twins – “Wax and Wane” (1982)
O que eles dizem (57)
A irrelevância da rádio
Quando António Sérgio (1950-2009) começou a sua aventura radiofónica, foi tarde para mim porque eu já tinha substituído o rock e a pop do tempo pela música clássica, jazz e pop-jazz. Contudo, sempre reconheci nele um dos grandes profissionais do media radiofónico. Ele representava o novo; estudava e preparava o conteúdo dos seus programas; e tinha uma forma própria e adequada de o apresentar. Nessa unidade apuradíssima de conteúdo e forma, ninguém batia António Sérgio.
E, no entanto, a alta qualidade dos seus programas [António Sérgio] tornou-se anacrónica. O uso social e cultural da rádio mudou radicalmente nas últimas décadas. A audição de rádio perdeu relevância quanto aos conteúdos. Tornou-se uma ocupação do silêncio, uma anestesia aural. Não se ouvem programas, ocupam-se os ouvidos, no carro, no café.As rádios generalistas anularam os programas de "autor": não há público; poucos se dispõem a ligar o aparelho a uma hora certa para ouvir certo programa, mesmo no género preferido.Bob Dylan tem feito nos últimos anos um programa a contrário, como se fosse de antigamente, ao jeito de documento do que a rádio era quando tinha autonomia. Mas é um mundo que perdemos: os programas de Dylan ouvem-se em CD ou MP3.
Os programas de autor da segunda metade do século XX criavam um ambiente alternativo ao ouvinte, um mundo à parte, como a literatura ou o teatro. A rádio distinguia-se por programas diversificados, com personalidades vincadas em função dos seus autores, géneros, narrativas, estilos.Hoje a rádio generalista quase só pretende ser o ambiente "natural", ocupando todo o tempo com as mesmas canções impostas pelas editoras e pessoas a blablar como na TV, no emprego e na rua.O som da rádio parece o ruído de fundo dos hipermercados.Passámos do mundo do Som da Frente, de António Sérgio, para um zumbido, um fluxo indistinto, sem passado nem futuro.
António Sérgio subiu ao topo da realização radiofónica nas emissoras nacionais, que depois o afastaram; terminou, com a mesma qualidade, numa rádio local.Diz-se que até hoje nenhum media morreu por aparecer outro, mas pergunto a mim mesmo que tipo de vida tem a rádio, se a nada aspirar senão à sua própria irrelevância.
Eduardo Cintra Torres
In: «PÚBLICO», Sábado de 07 Novembro 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
AS 65
A Voz do Lobo
10 de Abril de 2006
António Sérgio na Rádio Comercial
21 de Setembro de 2007
Coisas do Verão 2007
20 de Novembro de 2007
Viriato 25
4 de Dezembro de 2007
O Lobo que ruge
7 de Dezembro de 2007
O que ELE diz
7 de Novembro de 2009
Homenagem a António Sérgio
9 de Novembro de 2009
Na toca do LOBO
27 de Novembro de 2009
Retratos da vida de um Lobo da Rádio
14 de Janeiro de 2010
Emissão especial na RADAR
20 de Janeiro de 2010
AS 60
1 de Novembro de 2010
Dia ANTÓNIO SÉRGIO na RADAR
2 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (I)
3 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (II)
4 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (III)
5 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (IV)
6 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (V)
7 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (VI)
7 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (VII)
15 de Novembro de 2011
Dia 1
8 de Outubro de 2014
UIVO
16 de Outubro de 2014
UIVO – exibição nacional
24 de Outubro de 2014
Nas ruas da capital
1 de Novembro de 2014
Hoje em LISBOA
2 de Novembro de 2014
Ontem em LISBOA
5 de Novembro de 2014
O Uivo do Lobo
11 de Novembro de 2014
UIVO – algumas imagens
+
30 de Março de 2015
Som da Frente – Março de 1984
1 de Novembro de 2016
Na Rádio e na TV
sábado, 6 de novembro de 2010
Palavra de Lobo (V)
Da minha língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto, nenhuma outra citação me vem à memória que melhor defina António Sérgio.
E se considerarem descaramento a utilização das palavras do mestre Vergílio Ferreira, não peço perdão. António Sérgio fez mais pela cultura das duas últimas gerações que muitas escolas deste país. Através da magia sonora, da postura rebelde e sem papas na língua, abriu espaço à divulgação da Arte e criou na sua tribo de ouvintes o estigma do horror à ignorância e estimulou o desejo de partir à descoberta da cultura, nacional e do mundo.
Reservado e solitário, quando entra nas quatro paredes do estúdio de emissão, António Sérgio nunca se alheou da vida ou das gentes, recusando estatutos especiais ou lugares privilegiados. É presença habitual nas salas de espectáculo, seja o cartaz world music, hardcore, dance, rock'n'roll, ou puro rhythm and blues. No meio da tribo, afasta os curiosos da superficialidade, com o seu histórico "feitio". O "abracadabra" para uma gargalhada espontânea passa por uma boa história "on the road". Para lhe captar a atenção basta um "registo" dentro de um envelope (nome e telefone, é obrigatório!) com uma boa canção, um bom riff, uma voz "vibrante" ou um projecto que lhe encha a orelha.
A voz grave ganhou modulações, subtilezas e ressonâncias com o passar dos anos. Falou de esperança quando o abismo parecia tão perto, invocou o espanto e o pavor de viver, evocou os desaparecidos, regozijou-se com o sol e a magia da lua.
A voz por trás do microfone ainda estende o seu manto profundo na habitual despedida: Take Care!
Ana Cristina Ferrão
Dezembro 2001
inlay CD colectânea «Som da Frente 1982-1986»
António Sérgio subiu ao topo da realização radiofónica nas emissoras nacionais, que depois o afastaram; terminou, com a mesma qualidade, numa rádio local.
Diz-se que até hoje nenhum media morreu por aparecer outro, mas pergunto a mim mesmo que tipo de vida tem a rádio, se a nada aspirar senão à sua própria irrelevância.
Eduardo Cintra Torres
In: «PÚBLICO», Sábado de 07 Novembro 2009
terça-feira, 11 de novembro de 2014
UIVO – algumas imagens
2 de Novembro de 2009
ANTÓNIO SÉRGIO
7 de Novembro de 2009
Homenagem a António Sérgio
9 de Novembro de 2009
Na toca do LOBO
27 de Novembro de 2009
Retratos da vida de um Lobo da Rádio
14 de Janeiro de 2010
Emissão especial na RADAR
20 de Janeiro de 2010
AS 60
1 de Novembro de 2010
Dia ANTÓNIO SÉRGIO na RADAR
2 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (I)
3 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (II)
4 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (III)
5 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (IV)
6 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (V)
7 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (VI)
7 de Novembro de 2010
Palavra de Lobo (VII)
15 de Novembro de 2011
Dia 1
8 de Outubro de 2014
UIVO
16 de Outubro de 2014
UIVO – exibição nacional
24 de Outubro de 2014
Nas ruas da capital
1 de Novembro de 2014
Hoje em LISBOA
2 de Novembro de 2014
Ontem em LISBOA
5 de Novembro de 2014
O Uivo do Lobo
11 de Novembro de 2014
UIVO – algumas imagens


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